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Flagrante registrado por bikeboy no Centro de BH repercute nas redes sociais

Quando postou no Facebook a imagem que retrata um dos desafios diários enfrentados em sua rotina nas ruas de Belo Horizonte, o bikeboy Edwaldo Barrão, de 26 anos, não esperava a repercussão que estava por vir. A foto, que mostra um carro estacionado em cima da ciclofaixa na rua Rio de Janeiro, no Centro da Capital mineira, somava, até esta segunda-feira (7), mais de 7 mil compartilhamentos.

“Quando postei foi com a intenção de mostrar para meus amigos o que tinha acontecido. Eu esperava no máximo umas 10 curtidas, mas muita gente acabou compartilhando ao ler sobre a atitude da motorista comigo”, conta o bikeboy.

Edwaldo, que trabalha fazendo entregas com sua bicicleta, narrou a reação agressiva da mulher ao ser questionada sobre a infração. Em sua postagem, o bikeboy contou que a motorista saiu do veículo ao perceber que ele havia fotografado o carro na ciclofaixa.

“Ela já desceu falando que era só um minutinho, que estava esperando a filha dela. Quando eu disse, de qualquer forma, aquilo era errado, ela me perguntou se eu era fiscal. Eu respondi que não e, logo em seguida, ela começou a se exaltar.”

O jovem, que percorre cerca de 80 quilômetros em sua bicicleta diariamente, conta que na região Central de BH esse tipo de ocorrência é comum. Segundo o bikeboy, não existe uma fiscalização efetiva para coibir as invasões das ciclofaixas e os espaços acabam sendo utilizados por taxistas que precisam pegar passageiros, motoristas de caminhões que descarregam os veículos, entre outras situações.

“Falta até mesmo uma campanha educativa. Estamos tentando junto com a BHTrans viabilizar isso, para que as pessoas possam entender a importância desses espaços no trânsito”, explica Edwaldo, que também integra o movimento BH em Ciclo.

O artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro classifica como infração grave o ato de estacionar em faixas destinadas a pedestres, ou em ciclovia e ciclofaixa, sendo que os motoristas flagrados nessa situação recebem uma multa no valor de R$ 127,69 e perdem cinco pontos na carteira.

Por meio de nota, a BHTrans informou que “já realiza campanhas educativas e reuniões com entidades representativas dos ciclistas de Belo Horizonte para uma avaliação dos atuais projetos, da melhor utilização e da implantação de futuras ciclovias”.

Defeitos em ciclofaixas construídas na Capital colocam ciclistas em risco

Segundo a BHTrans, as ciclovias da Capital mineira já somam 36 quilômetros. A empresa pretende construir mais 70 quilômetros no primeiro semestre deste ano e outros 39 quilômetros no últimos 6 meses de 2013. O objetivo da Prefeitura de Belo Horizonte é que, em 2020, a bicicleta corresponda a 7% da distribuição das viagens no tráfego.

Segundo os ciclistas, a falta de planejamento tem comprometido a qualidade das obras feitas no setor. Ciclofaixas inauguradas recentemente em BH já apresentam problemas como pisos rachados e defeitos na pintura.

“Ao que tudo indica, a construção das novas ciclofaixas é, na verdade, uma corrida contra o tempo para cumprir metas que foram estabelecidas no passado. Uma corrida que tem deixado rastros de incapacidade técnica e poderá deixar rastros de sangue”, aponta o site do movimento BH em Ciclo.

Uma das questões mais graves levantadas pelo grupo é a série de falhas técnicas nas concepção dos espaços para os ciclistas. Na página, a rua Rio de Janeiro é citada como exemplo de via onde a ciclofaixa pode ser considerada um risco para amantes da bicicleta e motoristas.

“A ciclofaixa da rua Rio de Janeiro poderá trazer mais problemas do que soluções. A razão de tal afirmação é simples. Ela foi feita à esquerda dos estacionamentos de veículos. Dessa maneira, os veículos que quiserem estacionar ou sair da vaga terão, necessariamente, que se deslocar pela ciclofaixa”, afirma o texto postado no dia 9 de novembro de 2012, prevendo o fato flagrado por Edwaldo.

Apesar disso, a BHTrans afirma que realizou estudos técnicos para implantar as ciclofaixas atendendo à demanda existente na cidade.

“Os projetos de ciclovias e ciclofaixas implantados em Belo Horizonte são adaptados às recomendações de segurança ideal e em função da disponibilidade de espaço das ruas e avenidas, buscando o convívio seguro e o uso compatível das vias pelas bicicletas e pelos veículos, sem comprometer as oportunidades de estacionamentos e acesso às garagens e garantindo o espaço e a segurança dos ciclistas. Mas para isso é preciso que os motoristas respeitem sempre o espaço da ciclovias, que é já reduzido em Belo Horizonte,  respeitem também o ciclista que é o personagem mais frágil no trânsito da cidade”, ressaltou a empresa por meio de nota.

Foto: Reprodução/BH em Ciclo

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