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[Bhaz nas Eleições 2016] Entrevista Reginaldo Lopes

Confira a transcrição do que falou Reginaldo Lopes (PT) nas Entrevistas Bhaz dos Candidatos à PBH 2016.

Thiago Ricci – O PT esteve à frente do Governo Federal durante 13 anos. Durante este meio tempo, tivemos como prefeitos Fernando Pimentel e Lacerda no primeiro mandato com apoio do partido do senhor. Ainda assim, a tão sonhada expansão do metrô não saiu do papel. Esse tipo de obra precisa de um aporte da União. Agora, o senhor, caso seja eleito, terá que lidar com o governo do Temer, que o PT considera ilegítimo. Como conseguir trazer esta verba agora para BH?

Reginaldo Lopes – Primeiro, tudo que foi feito em BH de mobilidade foi meu governo que liberou. Foi R$ 1 bilhão para fazer o MOVE, as estações, viadutos, várias obras importantes.. a Via 710, viaduto da Lagoinha, os corredores de faixa exclusiva. Diga-se de passagem eu não sei onde o Marcio Lacerda e esse consórcio com o PSDB colocou o dinheiro de Belo Horizonte. Porque o que ele fez, ele fez em PPP (Parceria Público-Privada), endividou o município. Na verdade, quebraram o município de Belo Horizonte. A relação do metrô nós liberamos, R$ 3,6 bilhões. Só tiveram competência para furar um buraquinho no Centro da cidade, em 2012. Enganou o povo e não entregou os projetos executivos. Temos que perguntar porque que as outras capitais fizeram os projetos e o metrô está em obra, enquanto aqui não. Então esta é a pergunta. Alguém deve essa responsabilidade. Eu não vou terceirizar minha responsabilidade para outros. De fato, não conseguiram executar os projetos executivos e nem licitar a obra. Obra do Governo Federal você tem que aprovar os projetos executivos, licitar e enviar medições. Aí o governo manda o recurso. Portanto, na minha opinião, eles não tiveram competência ou não tiveram compromisso, porque estão com rabo preso com as empresas de ônibus de transporte coletivo. Para o futuro, nós temos R$ 3,6 bilhões que já foram liberados. Mas não são suficientes. Para a gente fazer as três linhas, modernização da Linha 1, a Calafate para o Barreiro – Linha 2, e a Linha 3, Lagoinha-Savassi, são necessários R$ 7 bilhões. Alguém se prometer que vai fazer por PPP, mentira! O Estado não aguenta pagar R$ 3,6 bilhões em PPP. Isso custaria R$ 260 milhões por ano. Nem o Estado e menos ainda o município. Portanto, ou nós vamos arrumar mais recursos para fazer ou nós vamos ter que convidar a sociedade a decidir quais são as linhas prioritária. Eu acredito que é modernizar a Linha 1 e resolver o problema da Linha 2, que é Calafate-Barreiro. Isso é possível. Nós já temos o recurso e nós temos que cobrar. A minha posição em relação a Michel Temer… é uma posição de que existe Estado. Como na ditadura existia Estado. Mas ditadura é o Estado de Exceção. Hoje, na democracia, é Estado de um governo ilegítimo. Para eu reconhecer que ele é legítimo, é muito simples! Chama a eleição. Se ele ganhar as eleições com o que ele está fazendo, ele passa a ser um governo legítimo. Até ele ser submetido às urnas, ele é um governo ilegítimo. Mas isso não quer dizer que eu, na condição de prefeito, não vou relacionar com ente federado. Quem me conhece sabe que eu sou capaz de fazer conciliação e ter diálogo. Então eu vou estabelecer diálogo. E vou, sobre o que eu represento, a liderança do prefeito de Belo Horizonte, vou usar a favor dos interesses de Belo Horizonte. Portanto, nós vamos completar os projetos executivos e nós vamos licitar a obra. Mas evidente também que, em mobilidade, você pode também fazer outras opções. Faixas exclusivas, é mais barato que MOVE. É só tecnologia, radares… Porque o que que o trabalhador precisa? Os estudantes e todas as pessoas que usam o transporte coletivo? Velocidade! É possível ampliar a velocidade com algumas intervenções. Eu quero integrar todos os meio de transporte coletivo. Bicicleta não é para passeio. Também é um meio de transporte, não é só para passeio. Então nós temos que integrar, nós temos que integrar a questão tarifária. Nós temos que integrar os ônibus suplementares ao MOVE. Nós precisamos integrar o transporte nos 34 municípios. Nós precisamos criar o bilhete único. Porque os trabalhadores que moram em outras cidades, que constroem o dia a dia de Belo Horizonte, às vezes pagam três, quatro ônibus. Os estudantes, a juventude nos finais de semana. Então nós temos que pensar a mobilidade com o olhar metropolitano.

Maira Monteiro – O seu plano de governo prevê o educação em horário integral às crianças. Hoje nas UMEIs a principal reclamação das mães é o fato de atenderem durante somente parte do dia. Como o senhor pretende de fato executar esse plano de oferecer a educação em horário integral?

Reginaldo Lopes – Têm muitos candidatos fazendo jogo duplo. Falam que vão ampliar a educação, a saúde, assistência social, mas defendem a PEC 241/2016. A PEC 214 congela o Estado brasileiro para os próximos vinte anos. E retira dinheiro da educação, saúde, assistência social, para pagar juros. Então os adversários, meus concorrentes, deveriam dizer quem que eles estão enganando. Se é o povo de BH, se é o chefe Michel Temer ou se são seus partidos políticos. Porque estão fechando a questão em Brasília. Então romperão com seus partidos ou vão cumprir a decisão de seus partidos. Portanto, é impossível ampliar investimento na área social e nas áreas de educação, saúde, se de fato a gente não derrotar esse corte de verbas carimbadas na área da educação. Só duas vezes na história do Brasil houve um rompimento com obrigações constitucionais na área de educação. Em 1937, com ditadura do Vargas, e em na ditadura militar em 60 e pouco. Porque a partir de 34, com a ação política da Escola Nova da Cecília Meireles e do Anísio Teixeira, nós passamos a tratar a educação e algumas outras áreas com verba carimbada. O que eu estou assumindo é o seguinte. Olha, não dá mais por PPP. Parceria Público-Privada para fazer serviços que são obrigação do Estado, é fazer dez vezes mais caro. Porque é diferente você fazer uma PPP para fazer um aeroporto. Aí o empresário ganha, vai cobrar uma tarifa e tem uma taxa de retorno. Ele vai manter e vai ter seu investimento de volta. É diferente de fazer uma rodovia, porque ele vai cobrar um pedágio. PPP você não pode cobrar dos pais dos alunos, você pode cobrar do SUS? São diretos. Direitos do cidadão e obrigação do Estado. Portanto, foi um erro, um crime, ter feito PPP para fazer creche no município de Belo Horizonte. Sabe porquê? Custa R$ 1 bilhão, custaram 46 creches no prazo de 20 anos. Agora, na saúde para reformar 140 e poucos, e mais 40 novos centros vai custar R$ 2 bilhões numa SPE. Todas essas ações, tanto a União neste momento está fazendo 10 mil creches em fundo perdido de R$ 1,8 milhão, e também a saúde no Mais Médico estão ampliando, reformando, construindo a 26 mil postos de saúde… Só eu já fiz mais de 500 como deputado federal em 300 municípios. É só olhar no meu Face, no meu site. Então que que eu quero dizer… Eu vou romper com essa política e vou fazer o que estou chamando de Parceria Público-Comunitária (PPC). Eu vou fazer parceria com a comunidade. Porque que eu vou fazer parceria com a comunidade? Porque é a única forma de eu universalizar a escola infantil. De 0 a 3, que hoje atende muito pouco. E universalizar de 4 a 5 para tempo integral, porque hoje atende 4 horas. Como é que eu vou universalizar de 4 a 5? Vou explicar. Vou fazer mais 30 unidades… 30 unidades próprias, que é as UMEIs. Mas construir com o que? Com parceria federativa. Com a União, o Estado ou com meu município. Com recurso do município. 30% é suficiente, nós temos R$ 12 bilhões de arrecadação. Com isso, arrumo mais de 11 mil vagas e consigo fazer de 4 a 5 em tempo integral. E de 0 a 3 que não atende quase nada hoje? Vou pegar 194 creches comunitárias conveniadas, que já existem, atendem a 26 mil crianças. Aliás, atende duas vezes mais o tempo que o município na rede própria, porque é 10 horas, o município atende 4 horas. O per capita é um terço da rede própria, que vem do Fundeb. Inclusive, na semana passada, eu fui a Brasília votei a medida provisória que garante que o Fundeb possa continuar mandando dinheiro para essas creches conveniadas. E vou pegar com 20% que gastou com a PPP da Odebrecht, 20%, R$ 200 milhões. Eu vou conseguir, não fazer 46, eu vou reformar 194, numa parceria pública-comunitária. Vou requalificar para os meninos que já estudam lá, que são 26 mil crianças belo horizontinas, filhas do nosso povo. Vou fazer adequação de acessibilidade, de elétrica, hidráulica, sanitária e vou dobrar o tamanho delas. E vou colocar mais 26 mil crianças, vou chegar a 50 mil crianças. E vou universalizar. É a única forma. Ou rompemos com as PPPs ou estamos falando mentiras para o eleitor de Belo Horizonte.

Guilherme Scarpellini – O senhor vem falando em humanizar a Guarda Municipal. Isso implica em torná-la menos patrimonialista. Temos um crescimento de depredação do patrimônio público. Como trabalhar isso? Podemos falar que o senhor é contra o armamento da Guarda Municipal?

Reginaldo Lopes – O problema não é se a Guarda é armada ou não. O problema é como utiliza a arma. Em segurança pública, sou autor de oito emendas na Constituição. Para mim, o sistema de segurança pública está falido. Se a gente não quiser fazer demagogia, a gente vai ter que discutir na complexidade que o tema exige. Então eu sou autor da lei que regulamenta o uso progressivo da força. Nós precisamos regular. Regular tudo. Como que lida com os movimentos sociais, como que lida com os mais pobres, como que usa as armas letais e não-letais. Essa é a questão. Baseada nos direitos humanos das Nações Unidas. Então é complexo isso. Eu, para mim, nós precisamos vencer três gargalos na segurança pública. Quais são os três gargalos que causam violência e muitos homicídios no Brasil? O primeiro é a impunidade. O Brasil é um país da Justiça patrimonialista. Não resolve o problema do crime contra a vida. Somente 3% dos crimes contra a vida são elucidados. A Justiça só julga crime patrimonial. Então o problema da violência não é o tamanho da pena, é o tamanho da impunidade. Se o país for do tamanho da impunidade, o país vai continuar violento. Porque não consegue resolver. Então é olho por olho, dente por dente. O segundo é a cultura da violência. O Brasil não tem uma cultura de paz. O Brasil não consegue conciliar, você não tem política que amplia convívios comunitários, familiares. Você não tem um conjunto de políticas. E o Brasil passou a ser um país que resolve tudo no conflito. Porque? Como a Justiça não funciona, a cultura da violência predomina sobre a cultura da paz. Então é evidente que temos que implementar um conjunto de políticas. A última presença em alguns territórios deveria ser da polícia, mas é a única presença. A primeira presença deveria ser o Estado. Então é evidente que segurança pública mais do mesmo resolve pouca coisa. Qualquer país decente, que resolveu o problema da violência, resolveu algo novo. É lógico que tem que ter polícia ostensiva, preventiva, comunitária. Mas também tem que chegar o Estado. Tem que chegar a iluminação, ciclovias, calçadas, escola em tempo integral, centros de saúde, não deixar ter rua sem saída. Essas urbanizações mínimas, saneamento. Então o último é a tolerância institucional. Nós temos que romper com essa tolerância. A sociedade está silenciada em um tema muito caro, que é a violência contra as pessoas. Em especial, jovens, negros e pobres. Porque a segurança pública é uma preocupação de todos, mas a violência não atinge todos da mesma forma. Ela atinge as mulheres, a comunidade LGBT, os negros e jovens de periferia. Então é evidente que temos que resolver. Eu, enquanto prefeito, quero criar o gabinete de gestão integrada. Então sob o meu comando a Guarda será uma Guarda especializada e uma Guarda comunitária de aproximação. Ela não será uma Guarda de confronto. Confronto é com o Exército. Uma parte será armada, mas outra parte, que vou especializar, não precisa. Se ela vai cuidar do turista, das informações nos parques e jardins, ela precisa ser armada? Se ela vai cuidar no centro de saúde, das informações das pessoas que utilizam, ela precisa armada? Se ela vai estar na frente das UMEIs e escolas municipais, ela precisar estar armada? Não. Então aí depende da função que ela vai exercer.

Luciano Cafa – Candidato, a Saúde vem sofrendo cada vez mais com o subfinanciamento. Porém em BH, temos grandes hospitais, com estruturas importantíssimas para a população, sofrendo com isso. É o caso do Hospital do Barreiro e do Risoleta Neves. No Risoleta, por exemplo, o município chegou a cortar um repasse neste ano e explicou para a imprensa que assumiu a despesa somente por um tempo, porque a União não vinha corrigindo os valores conforme a inflação. É uma demanda que não pode esperar. De forma objetiva, como o senhor agiria, se fosse eleito, para tomar medidas imediatas diante desse problema?

Reginaldo Lopes – Eu vou ter que colocar parte do IPTU na saúde. Na assistência. Porque eu entendo que 90% dos problemas na saúde deveriam ser resolvidos lá no centro de saúde. A melhor saúde é na atenção primária. Qualquer país avançado, resolve na atenção primária. É lógico que o Brasil cuida mais da doença e menos da promoção. Necessariamente, tem que cuidar da política de álcool e drogas, da violência no trânsito, da segurança alimentar nutricional, da política educacional. A política tem que ser transversal. Esse é o conceito correto para o futuro. Mas tem uma realidade, no presente. A doença e a assistência. Filas represadas de cirurgias eletivas, nas quais o cidadão demora dois anos. E tem a demanda por exames especializados. O que que eu quero fazer? Vou colocar parte do IPTU no primeiro ano, mas eu também acho que precisamos ampliar a parceria comunitária. E não cair na ilusão de fazer mais PPP, mais Parceria Público-Privada, como fez no Hospital do Barreiro. E fazendo a Parceria Público-Comunitária eu posso ter para cada equipe de Saúde da Família, uma referência de um CEM (Centro de Especialidade Médica) e um hospital que seja 100% SUS, pode ser filantrópico. Essa referência vai dar resolutividade à saúde básica. Como? O agente da Saúde da Família quando for na sua casa, eu quero que – em 24 horas – ele devolva para você o dia e hora em que você vai fazer o exame. Para isso, ele tem que saber para onde vai encaminhar. Naquela regional X… Na regional Venda Nova, qual que é o CEM, qual que é o hospital de referência onde ele vai fazer o exame e a cirurgia. Eu chamo isso de caminho terapêutico. Eu preciso criar uma rede de saúde onde do Centro de Saúde, da UPA e dos hospitais de média/alta complexidade, a equipe saiba encaminhar e com essa agenda. Então tem que descentralizar as agendas para as regionais para que esse caminho terapêutico seja executado. Então eu acho que isso é possível. Aí nós vamos melhorar a eficiência da saúde em Belo Horizonte.

Thiago Ricci – O senhor fala em conceder benefício para os taxistas, como regulamentar o uso da faixa exclusiva e, inclusive, contratá-los para prestar serviço para a PBH. E sobre o Uber.. O senhor defende essa nova modalidade de transporte?

Reginaldo Lopes – Eu vou regular o Uber. Eu acho que nós temos que definir qual é o número de trabalhadores do Uber que a cidade precisa. Porque nenhuma atividade econômica pode ser inviável para o trabalhador. Porque senão é prejudicial ao trabalhador. E o Uber tem que pagar os impostos dela também. Então nós vamos regular o número de acordo com o de habitantes, nós vamos perguntar a sociedade. E para o taxista eu já coloquei. Nós queremos fazer uma experiência inédita que é contratar os taxistas para substituir a frota própria de carros na prefeitura. Gerar mais oportunidade de emprego e renda.

Maira Monteiro – Os leitores do Bhaz Vanusa Fernandes, Jonatan Garcia Feliciano e Cássio Costa enviaram questões similares para o senhor. Eles querem saber porque o candidato Reginaldo lopes não usa o vermelho e nem a estrela do PT em sua campanha? Existe uma tentativa de desvincular sua imagem da do partido?

Reginaldo Lopes – Eu tenho maior orgulho do PT. Eu tenho dito que eu tenho medo de que não tem partido, de quem não tem bandeira, de quem não tem cor. Eu uso todas as cores porque eu acho que estou do século XXI, eu uso a cor da diversidade. Mas, para resolver esse problema, eu já mandei no meio das cores da diversidade nascer uma bela estrela. Então não tem problema. Eu fui presidente do partido por oito anos, tenho maior orgulho do partido.

Thiago Ricci – Para seguir nesse assunto… A nova fase da Operação Acrônimo teve como alvo o secretário da Casa Civil. Pimentel inclusive já virou alvo de uma denúncia da Procuradoria. Isso atrapalha? Ter que desvincular do Mensalão, Petrolão… e também mostrar ao eleitor que o senhor de fato quer apresentar algo novo.

Reginaldo Lopes – Eu sou o deputado mais votado de Minas. Nasci na roça, sou filho de trabalhadores rurais. Fui padeiro durante dez anos. Me formei em Economia, fiz pós. Me tornei o deputado mais votado. Tenho 14 anos de vida pública, não estou em nenhuma lista, nenhum ato ilícito. Não enriqueci. O que eu fiz foi trabalhar todos os dias para servir à sociedade. E sou um deputado de grandes temas. Têm mais de dez temas que eu mudei o Brasil. Inclusive, nós estamos debatendo a reforma do Ensino Médio e meu projeto é muito melhor do que o governo mandou. Eu estudei três anos o projeto, fiz a lei sobre drogas, nova lei, fiz a nova arquitetura da segurança pública, ajudei a fazer o FIES, o Primeiro Emprego… Então eu sou um deputado de temas do país, que mexeu na vida do Brasil. Fiz a lei do combate à corrupção. A maior lei de acesso à informação pública é minha lei. Portanto, a sociedade me conhece. Porque, na verdade, se for olhar os partidos políticos e os erros, né… Por exemplo, ninguém pode votar no João Leite, o Aécio Neves está delatado dez vezes. Se a Justiça for seletiva, ele merecia boas investigações. Não estou acusando ninguém. Todo mundo tem a presunção da inocência. Mas eu estou dizendo que… E esse modelo político, que levou a tantos escândalos, todos os partidos políticos participaram. Então eu não aceito a generalização. O eleitor tem que olhar a história de vida. Porque vamos ser sinceros? Propostas todo mundo tem um monte. Agora, tem que saber a história, quais foram as opções, que lado as pessoas estão… Eu tenho um lado. Eu tenho um lado pela esquerda. Tenho um lado de olhar pelos mais pobres. Eu acho que o orçamento público deve ter inversão de prioridade. Deve olhar para aquelas áreas mais estratégicas. Eu acho que o Estado tem o papel de induzir o crescimento, o Estado tem o papel de gerar uma inclusão socioprodutiva. Por isso estou dizendo que eu rompo com as PPPs para fazer parcerias comunitárias. Por exemplo… Na coleta seletiva. Existem 20 mil pessoas que vivem em associações e cooperativas de catadores de papel. Porque contratar empresas para fazer coletas seletivas que só 3% do município tem? Porque não contratar essas cooperativas e associações? A lei nacional permite. Essas empresas não pagaram 40% de imposto, não vão ficar com 20% de lucro. Eu vou fazer com um terço e proteger o meio ambiente. Não enterrar o lixo, que tem valor agregado. E posso gerar emprego. Esses trabalhadores nunca seriam incluídos em outro formato de emprego na cidade.

Thiago Ricci – Essa investigação do Pimentel, que em determinado momento correu risco até de ser afastado, te atrapalha?

Reginaldo Lopes – Não sei. Eu acredito que o eleitor sabe diferenciar. Até porque também o governador Pimentel nem foi autorizada ainda a investigação com relação a ele.

Guilherme Scarpellini – O senhor escolheu formar a chapa com Jô Moraes e defende o pareamento entre homens e mulheres na política. Ocorre que, em um total de 39 candidatos a vereador pelo PT em BH, apenas 9 são mulheres, se limitando ao mínimo necessário para cumprir a cota de gênero. A preocupação do senhor não reflete a postura do partido nestas eleições?

Reginaldo Lopes – Não fui presidente do PT municipal, né!? Essa é uma tarefa municipal. Eu presidi o PT no Estado. Tenho muito orgulho de ter eleito… Tinha 180 vereadores, deixei o PT com 900 vereadores. Tinha 30 prefeitos, deixei o PT com 117 prefeitos. Praticamente, demos a vitória ao governador Fernando Pimentel no primeiro turno. Mas eu tenho uma resposta para isso. Se eu for eleito prefeito, eu vou colocar 50% de homens e 50% de mulheres em todos os espaços de poder, em todos. Seja em nomeação ampla, fora da carreira, ou dentro da carreira. Porque? Porque é a maneira de enfrentar o preconceito, a violência contra as mulheres, mas mais do que isso. Empoderamento. A partir daí, acho que eu crio uma nova cultura. O mundo é muito machista, os espaços são muito machistas. Portanto, a forma que eu tenho para responder e fazer um governo do século XXI, aonde eu colocarei as mulheres e os homens em pé de igualdade, é fazer um governo de paridade de gênero, com 50%, 50. E mais… Vou fazer recorte racial. Quero colocar os negros. E recorte geracional, quero idosos e jovens. No nosso governo, a sociedade tem que se sentir toda representada. E porque que eu vou fazer isso? Porque eu não estou atrelado a alianças com a Câmara Municipal e nem com partidos políticos. Porque eu quero escolher os melhores e mais preparados. E aí eu posso fazer isso. Porque em uma sociedade com 2,4 milhões de pessoas como BH nós temos muitos negros, mulheres, idosos e jovens preparados para assumir o governo conosco.

Maira Monteiro – O senhor considera baixo esse número de candidatas mulheres pelo PT este ano? Pode-se avançar?

Reginaldo Lopes – Pode. Acho que deve avançar. Hoje a lei prevê 30% de candidaturas e não de vagas. Eu sou autor de um projeto de lei que propõe 50% das cadeiras para as mulheres. Existem parlamentos que são assim. Eu já visitei parlamentos com metade mulheres e metade homens. Só assim faremos uma política de igualdade de gênero. Porque? Pela dupla função das mulheres, ainda uma sociedade machista. Só a candidatura não garante a eleição das companheiros. Portanto, eu quero de fato mudar a Constituição.

Luciano Cafa – O senhor afirma que irá romper com a velha política de conluios, barganhas e ataques. No entanto, o senhor passou a realizar ataques diretos contra os 1° e 2° colocados, inclusive na ordem pessoal, denunciando a compra de apartamento em Orlando (João Leite) e dívida com IPTU (Kalil). Isso não seria exatamente a velha política?

Reginaldo Lopes – Não estou denunciando nada. Isso é fato. Se eu estivesse fazendo uma denúncia, tudo bem… Está lá no imposto de renda. O João Leite diz que tem seis prédios que custam 1,5 milhão. Eu compraria eles por 1,5 milhão. Não tenho dinheiro, mas é um bom negócio. E o Kalil deve de fato o IPTU. Então não estou denunciando nada. São verdades. Nós estamos dizendo que isso tudo é incoerente com a vida política. É isso. Nós não estamos fazendo nenhuma denúncia. Isso é verdadeiro. Nós estamos falando que é uma incoerência para exercer a vida pública.

Thiago Ricci – Mais uma de leitora do Bhaz. O país está passando por uma crise que está demorando a passar. Quais seriam suas propostas de melhoria na economia para nossa cidade, tendo em vista que o índice do desemprego está alto, assim como o preço dos produtos para alimentação? Enfim, qual sua proposta para movimentarmos mais a economia de BH?

Reginaldo Lopes – Eu tenho dito o seguinte. Esta eleição tem muitos candidatos. Mas eu acho que só tem dois lados. Se você espremer muito, os candidatos pensam muito parecidos. Então eu tenho um lado. Eu acho que na elaboração e na concepção das políticas públicas, você pode fazer uma política muito mais inovadora e criativa. E essa mesma política, além de garantir benefícios ao cidadão, ela pode promover uma inclusão socioprodutiva. Eu dei o exemplo da coleta seletiva, que eu posso garantir empregos para parte da sociedade que vive dos materiais recicláveis. E também posso dar outros exemplos. Na alimentação escolar, no Programa Nacional de Alimentação Escolar, no Abastecer, no comboio do produtor, do cestão que existia… Todos essa política de segurança alimentar e nutricional foi destruída por esses últimos governos, com o olhar muito das elites. Porque olha para você ver. Você pode usar a obrigatoriedade de comprar do produtor e fazer ali uma parceria comunitária, aonde você financia o produtor e garanta a comercialização. Você compra produtos saudáveis, diversifica a alimentação. Quem já almoçou no Restaurante Popular no passado e almoça hoje… Primeiro que era R$ 1, passou para R$ 3. Segundo que o cardápio é burocrático, é o mesmo todo dia. Piorou a alimentação das nossas crianças e acabou com as políticas do sistema de abastecer, que você garantia 20 itens de hortifruti para o povo mais simples. Então assim, posso fazer disso uma atividade econômica. Posso fazer nas parcerias com as creches outra atividade econômica. É possível. Eu quero criar um fundo municipal para financiar, por exemplo, a economia de vales tecnológicos. Start-ups, a juventude, o talento da arte, da música… Por isso que quero criar em cada regional um espaço, um ambiente aonde o jovem se encontre ali com doutores, professores, estudantes, que organizem o sonho dele, o talento. Nós precisamos disputar os nossos jovens contra a vulnerabilidade em que eles ficam, contra o tráfico para ser bem sincero. Então precisamos criar esses espaços. Então eu acredito que o Estado tem um papel muito estratégico. A maioria dos políticos é burocrata. Eles acham que a política é aquele trem frio mesmo, faz o arroz com feijão, tecnicamente. Não tem brilho, não tem vontade. Eu sou uma pessoa que acho que a partir da política a gente transforma. E sou um político vocacionado, não sou político profissional, faço por vocação. Poderia fazer muita coisa na vida privada. Mas me dediquei a servir as pessoas. O que parece que agora é crime… que agora não pode ser político. Lamentável.

Thiago Ricci – Maioria dos votos do senhor veio de fora da Grande BH. O senhor tem um berço político em outra região de Minas. Nas eleições estaduais, Pimentel usou como argumento que Pimenta da Veiga não morava em Minas nos últimos anos. Como o senhor avalia essa questão de berço político e sua atuação em BH?

Reginaldo Lopes – Eu moro aqui há 20 anos. Os temas que defendi em Brasília melhoraram muita a vida do belo horizontino. Por exemplo, o FIES, temos 2,3 milhões de brasileiros no FIES, uma boa parte aqui de BH. Ajudei a pensar o ProUni, o Primeiro Emprego… então, na verdade, os meus temas são nacionais e estaduais. A minha votação também foi significante na Grande BH. Fui deputado com 310 mil votos, fui votado em 805 municípios, em todas as regiões. Se você falar assim, qual é a sua região? Que você foi mais votado? É difícil você encontrar. Porque tive uma boa votação, expressiva, em quase todas as regiões. Porque? Por um trabalho de conceito de políticas republicanas, universais, mas também por ser um deputado que tem compromisso. Quando assume um compromisso com um aldeia, com uma cidade, com um setor, eu entrego, eu sei fazer. Por isso eu acho que BH vai ter um excelente político. Porque vai ter em um voto, vai ter os dois perfis. Por que nos últimos tempos não… ou era só político ou só técnico. Sou um político, do ponto de vista de sensibilidade, tem lado, gosta das pessoas, gosta de conversar, converge, é conciliador. E do outro lado tenho capacidade técnica. Olha que beleza! BH tem uma grande oportunidade. Em um voto, levar dois perfis para a urna.

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