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[Bhaz nas Eleições 2016] Entrevista Sargento Rodrigues

Confira a transcrição do que falou Sargento Rodrigues (PDT) nas Entrevistas Bhaz dos Candidatos à PBH 2016.

Thiago Ricci – O seu plano de governo prevê a construção de mais dois hospitais regionais em BH. De que forma o senhor pretende executar esse projeto e como espera manter essas instituições em funcionamento, considerando que a atual administração vai entregar nas mãos do próximo prefeito um grande problema: o Hospital do Barreiro funcionando parcialmente?

Sargento Rodrigues – Eu tenho andado por Belo Horizonte para todos os quatro cantos. Mas eu quero fazer aqui um parênteses. Eu não sou aquele candidato que precisa de usar de marketing político e pegar o metrô às cinco horas da madrugada no São Gabriel para dizer que conheço a vida do cidadão humilde. Eu morei na periferia até os 34 anos de idade. Morei no bairro Nova Cintra, na Vila Oeste em três lugares, no bairro Nova Gameleira. E no bairro Cabana eu morei 20 anos. Portanto, eu sei o que é pegar ônibus lotado, carregar marmita debaixo do braço. Então eu não preciso de marketing para isso. E, por conhecer bem a periferia, ter morado na favela até os 34 anos de idade, tenho uma visão completamente diferente de muitos desses que estão aí se apresentando com a maquiagem de um marqueteiro por trás dessas pessoas. Eu tenho conversado e andado pelos bairros. Sabe quem conhece mais da falência da saúde pública em Belo Horizonte? Sabe quem realmente descreve isso com precisão? Mulher, mãe de família. Porque a mulher que leva o filho, a criança, o adolescente, o marmanjo, o marido, sogra e sogro no posto de saúde, no centro de saúde ou na UPA. Homem não mexe com isso. É mulher. Então várias mulheres que me abordaram durante toda a caminhada me disseram com clareza: é realmente a área que mais preocupa o cidadão. Agora, é óbvio. Nós que podemos pagar um plano de saúde ou que podemos pagar uma consulta, a gente não sente essa necessidade. É muito diferente de quem mora na periferia. Então essa é a principal demanda. Nós fizemos um plano de governo com três pessoas com mestrado da Fundação João Pinheiro. Eu sou bacharel em Comunicação, sou advogado, sou pós graduado em Segurança Pública pela UFMG e tenho 18 anos de mandatos. E mandato te dá uma experiência enorme, principalmente, porque tenho milhares de horas em audiências públicas, ouvindo as pessoas. Isso é muito importante na atividade pública. Diferentemente de alguns bravateiros que não querem assumir que precisam da política e do político de uma forma geral. A parte boa da política, né!? Temos bravatas soltas o tempo todo nesta campanha. Olha, faltam médicos, enfermeiros e dentistas. Nós vamos abrir concurso e contratar mais. Porquê? Para que você possa agilizar a consulta. É doloroso, é revoltante, você parar uma pessoa numa UPA e ela ficar seis horas, oito, dez, doze com uma criança no colo esperando para ser atendida. E depois que ela consegue a consulta…. Ela pega a consulta dela no médico e vai pegar o remédio. E aí não tem o remédio. Então para o cidadão isso é muito ruim. Eu vou te responder exatamente o que que você quer. Estou aqui fazendo um diagnóstico maior de uma problemática que é tão séria e tão cara para o cidadão mais humilde. De gente que mora em periferia. Médicos, enfermeiros, dentistas. Capacitar os funcionários da saúde e os gestores da saúde. Ainda trazer para dentro dessa capacitação investimento em tecnologia para fluir melhor. Tecnologia é muito importante nessa área. Ajuda muito a fluir fluxos que estão emperrados na “burrocracia” da administração pública municipal. Além disso, aumentar o número de equipes da Saúde da Família. O agente comunitário é fundamental para atender todo o território de Belo Horizonte. Hoje é coberto apenas 84% o território. São 578 equipes da Saúde da Família. Porque fazer isso? Porque o agente comunitário bate de porta em porta. Ele anda a favela inteira, a periferia toda, perguntando quantos membros são, a idade, se tem hipertenso, se toma remédio controlado, fazer prevenção. Essa é a importância que ele tem. Por fim, nossa proposta é aumentar o número de medicamentos gratuitos no programa Farmácia Popular em Belo Horizonte. E porque a proposta de dois hospitais? Simples e objetiva. Exatamente pelo grave problema que nós vivemos. O problema é que nós vivemos é o seguinte: quem mora aqui nesta direção, em Nova Lima, quem mora em Sabará, quem mora em Raposos, quem mora em Ribeirão das Neves, Contagem, eles não têm limite geográfico para vir ou não para Belo Horizonte tratar em um hospital público em Belo Horizonte. Então não há uma determinação legal de que o cidadão tem que tratar no município dele. A Saúde é pública. Então ele sai de Contagem, Ribeirão das Neves, Nova Lima, Sabará e vem para BH. A proposta de construir hospitais através de consórcio trazendo… Se você coloca um na região Noroeste, por exemplo, de Belo Horizonte, ali para o lado do Glória, Serrano, Alípio de Melo, que é na região Noroeste, você pode trazer ali, Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Esmeraldas, Vespasiano e fazer um consórcio.

Maira Monteiro – Uma das maiores demandas da população em relação à educação infantil em BH está relacionada ao aumento na oferta de vagas nas creches. O senhor pretende construir novas creches ou ampliar as estruturas já existentes para atender essa demanda da população? E como fazer para termos UMEIs em horário integral?

Sargento Rodrigues – Construir mais 70 unidades, as UMEIs. Exatamente para trabalhar com o tempo integral. Porque você é mulher e a mulher hoje foi para o mercado de trabalho. Quem não desconfiou ainda, precisa cair a ficha. A mulher foi, definitivamente, para o mercado de trabalho. Então ela precisa realmente desse acolhimento para tratar com zelo, com carinho, que você tenha a tranquilidade de trabalhar em tempo integral. Porque se for só meio período, fica mais difícil. De 0 a 3 anos… com 70 unidades, nós conseguimos atender com plenitude as vagas que ainda faltam. De 0 a 3 anos, estabelecer convênios com creches. Também nesse mesmo formato. Aí sim… Mas, digo mais, eu sou adepto à escola de tempo integral no ensino fundamental. De verdade, o que está, não atende, é escola integrada. Nós precisamos de escola integral séria, porque só ela né, apenas ela será a grande ferramenta de impulsão. Pensando em uma década, duas, três, cinco décadas para frente. Todo aquele que senta na cadeira de prefeito ou governador ou presidente precisa ter uma visão bem mais ampla, adiante. Ele não pode ser mesquinho ou com a visão estreita do agora. Então escola de tempo integral, com reforço escolar, arte, cultura, esporte, nessa escola de tempo integral. De 0 a 3 anos, universalizar atendendo com convênios em creches para que as mulheres tenham realmente tranquilidade para trabalhar.

Maira Monteiro – Essas 70 UMEIs seriam construídas através de que tipo de verba, municipal mesmo?

Sargento Rodrigues – Verba municipal. Tem muita gente falando um punhado de besteira. Administração pública não é muito diferente da casa da gente. Quando a coisa aperta, você prioriza. Você faz primeiro a compra da sua casa, paga a água, a luz. E daí por diante você vai estabelecer o que é ordem de prioridade. Eu sou líder de família desde os 15 anos de idade. Desde os 15 anos de idade, eu pegava a lista de compras e ia fazer compra para minha mãe. Então eu sei o que é isso. Na prefeitura, quem sentou na cadeira de prefeito: “Olha, o que é mais prioritário hoje, o que que está gritando, gritando aos ouvidos?”. Saúde. Você vai priorizar os recursos, resolver a Saúde. Depois, a Educação? A Educação. Depois, transporte público, que é um dos itens da nossa mobilidade urbana e que é muito caro para quem pega ônibus lotado, para quem precisa de solução, que é um transporte de massa. Então você estabeleceu prioridade, você vai governando. O que não pode é sair da cabecinha do prefeito e falar: “Olha, eu vou pegar R$ 5 milhões e vou reformar ali um teatro”. Certo? Ele tem que pesar na balança. Ele tem que ter aquele olhar de absoluta responsabilidade com a coisa pública. Prioridade. A previsão orçamentária hoje é de uma arrecadação na ordem de R$ 12 bilhões. Se não arrecadar isso, pode ser que arrecade R$ 11 bilhões. Se souber priorizar e aplicar naquilo que o cidadão exige, e não no livre arbítrio, da cabeça do prefeito.

Guilherme Scarpellini – Está previsto no seu plano a ampliação do efetivo da Guarda Municipal em mais de 50%, além de qualificar, capacitar e armar toda a corporação. No seu governo, podemos dizer que a Guarda Municipal estaria mais próxima das funções executadas pela Polícia Militar do que das funções patrimoniais, de zelar pelos espaços públicos? Isso não pode gerar conflito entre as corporações?

Sargento Rodrigues – Me desculpe, mas eu não consigo guardar o nome dos quatro. Guilherme. A sua pergunta é muito oportuna. Eu sou especialista nessa área, mas eu não sou especialista em conhecer prática, né? Eu sou especialista que conhece muito da prática. Fique quinze anos na atividade policial, dos quais onze foram na rua no combate ao crime direto. E a minha especialização é acadêmica. Como sou operador do Direito, como sou advogado, sabemos fazer interpretação da lei. Mas a primeira proposta que eu tenho na área de segurança, Guilherme, é a proposta de atuar no campo da prevenção social. Eu morei na cabana do Pai Tomás por 20 anos. Eu visitei aqui o campo do Riviera, ali no bairro Vera Cruz, Maira, e lá eu encontrei um campinho de terra com um palmo de poeira. O prefeito pode muito mais, ele tem que se doar mais, tem que enxergar melhor as pessoas na periferia e cuidar melhor com decência com dignidade. Qual que a nossa proposta? Na periferia, pegar um campinho de terra, onde está abandonado e não é dar duas bolas de futebol de campo e dois jogos de camisa, porque isso é muito pequeno, muito provinciano para um prefeito que precisa enxergar o todo. Nós queremos transformar o lugar. Criar um centro poliesportivo, para que a criança, seja do sexo masculino ou feminino, possa sentir atração. Quando ele acordar cedo e falar: mãe, faz o meu café que eu tenho que ir lá treinar. Mas com quadra de vôlei, de peteca, de futsal, biblioteca, sala de informática, para esse menino ir lá. E nós conseguirmos tirar ele do tráfico, para ele não virar aviãozinho do tráfico. De ver essas modalidades de esporte, colocá-los adequado, decente, na periferia, na favela, em português bem claro. Aliado a escola de tempo integral e o primeiro emprego, em parceria com o Sebrae, Senac, Sesi, identificando lacunas no mercado e parcerias também com duas instituições muito, muito competentes nessa área. Eu tive a carteira assinada com 15 anos de idade no Centro Salesiano do Menor. Eu morava na cabana, a família foi submetida a uma sindicância social para ver a renda per capita da família. E ali eu fui levado para ser office-boy. Então, primeiro emprego, escola de tempo integral e esporte para a garotada com força mas com decência. Algo bacana. Isso é prevenção social. Bacana? Isso é na periferia. Antes de você mandar a polícia, você tem que mandar políticas públicas decentes para a periferia. Agora, quem não quer escola de tempo integral, quem não quer esporte, Maira, que não quer um curso, um primeiro emprego, aí nós vamos aumentar o efetivo em mais de 50% da guarda municipal, treinar e capacitá-la exaustivamente para que ela possa fazer patrulhamento ostensivo e preventivo armado. A pergunta que você falou do ciúme, não existe nenhum outro candidato que poderia falar essa linguagem tão bem com as forças policiais estaduais do que eu. Até porque eu tenho origem nelas, não é? Eu sou o deputado que sou referência para servidores públicos na Assembleia. Eu negociei salário de servidor público seis vezes com o governo do Estado. Portanto eu tenho o respeito e a admiração das forças policiais do Estado. E a Guarda é uma instituição importantíssima para complementar. Nós tivemos o garoto Thiago, Matheus aqui no Gutierrez morto por dois adolescentes há cerca de dois anos atrás, um crime bárbaro. Nós tivemos um delegado aqui na Nossa Senhora do Carmo morto, também, de forma covarde. Nós estamos vendo o crime acontecer à luz do dia. Só que você, a Raquel, a Maira saem aqui de noite, vai no Palácio das Artes, vai na Raja Gabáglia, você não pode parar o carro. Mas a Maira e a Raquel, como tantas mulheres que são vítimas aqui em Belo Horizonte, compra um carro e paga IPI, ICMS, IPVA, taxa de emplacamento, paga seguro obrigatório, mas o seguro que tem que cobrir tudo. Paga imposto de gasolina. Para o carro o cidadão olha para ela e diz o seguinte: dona me dá vinte reais. Quer dizer, você está sendo extorquida à luz do dia. Então aguarda, no meu governo, se Deus assim permitir, ser eleito prefeito de Belo Horizonte, nós vamos fazer um trabalho vigoroso que será exemplo de segurança pública no país comandada pelo prefeito, com a Guarda Municipal, fazendo patrulhamento ostensivo, preventivo, armada, e fustigando — que é uma linguagem bem do meio — incomodando batedor de carteira, assaltante, flanelinha, que de flanelinha ele não tem nada, ele está cometendo o crime de extorsão à luz do dia e o prefeito lá acomodado. Prefeito sentado na cadeira dele sem fazer nada. Isso tem que tocar o prefeito. Isso aqui precisa de segurança, de paz. Você precisa sair para ir ao cinema, no parque, na praça e voltar tranquilo. Você, o seu filho, seu primo, seu tio. E nós vamos garantir isso em Belo Horizonte se eleito prefeito da capital.

Raquel – O senhor denuncia o que chama de “monopolização do transporte público” (Rodrigues: mais conhecido como máfia) em BH. Como o senhor vai romper com essa situação? Gostaria de saber se o senhor vai manter o transporte público nas mãos dessas mesmas empresas?

Rodrigues – Olha, Raquel. Eu sou advogado, sou intérprete de lei. A Lei 8.987/95, trata da permissão e concessão do serviço público, seja o poder concedente o município, o estado ou a União. As empresas de transporte precisam passar por uma auditoria séria, independente, nas licitações e contrato. Em determinado lugar que eu fui fazer esse debate alguém falou assim: ô deputado, ô candidato Sargento Rodrigues, mas o senhor tem contrato assinado. Pode romper com esse contrato? Pode. Se você der uma olhadinha na Lei 8.987, e que está com o computador na mão pode abrir facilmente. O artigo 6° fala do que é serviço adequado na concessão do serviço público. O poder concedente que concedeu ao município de Belo Horizonte. Então concedeu a concessão de transporte público. Se a empresa não atendeu a regularidade, a qualidade, a modicidade das tarifas, ou seja o preço justo, você pode romper. Agora, as empresas além de não fazerem isso, o que elas fazem: elas não obedecem a BHTrans. Que trabalha na noite por exemplo, garçom, garçonete, copeiro, copeira, cozinheiro, cozinheira, porteiro, vigilante tão perdendo emprego, Raquel, em uma dificuldade enorme, sabe por quê? Porque a BHTrans não fiscaliza, o ônibus passa a hora que quer. Porque viraram refém. Este prefeito, com muita clareza, em 2012, e todos os outros que o antecederam, independentemente de partido, foram financiados pelas empresas de transporte e pelas grandes construtoras, então tem rabo preso, não tem autonomia, não tem independência para fazer isso. Nós faremos diferente, faremos com autonomia, vamos reduzir preço de passagem e vamos estabelecer uma nova situação. Só que aí às claras. Para todo e qualquer cidadão acompanhar. Que a marca do nosso governo será absoluta transparência no trato da coisa pública.

Thiago Ricci – O senhor faz parte da oposição ao governo. Como será o diálogo como o governador Fernando Pimentel, caso seja eleito prefeito de BH?

Sargento Rodrigues – Eu deixo de ser deputado de oposição, né?! Eu viro prefeito de Belo Horizonte. Como prefeito de Belo Horizonte, eu tenho que seguir rumo em direção ao Palácio da Liberdade e as tratativas republicanas, eu terei como prefeito, com o governador, assim com o governo federal. Mas, enquanto for deputado da oposição, vou continuar denunciando esse cidadão, principalmente pelas graves denúncias que todos nós conhecemos, inclusive o Bhaz.

Maira Monteiro – Candidato, Kalil tem dito que virou alvo principalmente dos candidatos que aparecem abaixo dele nas pesquisas. Inclusive, já chegou a insinuar em debate que estão vendendo “as bocas” para atacá-lo. Qual o posicionamento do senhor diante dessa troca de farpas, digamos assim.

Sargento Rodrigues – Olha, primeiro que esse moço é um cidadão completamente desqualificado. Já participei de muitos debates com ele e nunca vi ele apresentar uma única proposta e discorrer sobre ela. Ele consegue dizer que “chega de político”, o bordão dele, da campanha dele, mas o candidato a vice dele é o deputado Paulo Lamac, que até ontem era do PT, que foi escalado pelo Fernando Pimentel para compor a chapa dele, essa é a verdade que o cidadão que está nos acompanhando nesta campanha precisa saber. Pimentel pegou o seu Paulo Lamac e falou: ‘vai para a campanha do Kalil’. Quem está por trás ali é Pimentel, Fernando Pimentel, do PT, é quem determinou a ida do Lamac. Paulo Lamac é aquele deputado que recebeu R$ 572 mil das mineradoras. Ontem (terça-feira, dia 27) mesmo no debate, da Rede Alterosa de Televisão, o seu Kalil voltou com suas bravatas, seus bordões falando que Norberto Odebrecht, tinha que romper esse contrato com ele no caso das construções das UMEIs, na Parceria Público-Privada. Norberto Odebrecht já foi condenado, então fica fácil, mas Norberto Odebrecht ajudou a financiar a campanha do Paulo Lamac. Como que ele fica na situação? Esse é o candidato bravateiro, caloteiro… Olha, esse moço, isso aqui é documento oficial do cartório, aqui tem 31 títulos de protesto em nome de empresa chamada Erkal Engenharia Ltda., de propriedade de Alexandre Kalil. Ele conseguiu dar o calote… As pessoas que estão nos acompanhando neste momento têm que pensar, gente. O cargo de prefeito é muito sério. Esse moço deu calote em lanchonete, conta de R$ 1 mil, R$ 2 mil. Posto de gasolina, empresas que forneceram maquinário para a empresa dele… Está aqui, isso é documento oficial, esse moço chamado Alexandre Kalil, que até hoje não vi apresentar nenhuma proposta, fala que não precisa de político. Na pergunta formulada para ele ontem, pela jornalista da TV Alterosa, e Diários Associados, ele disse que ‘vou arrumar dinheiro, eu vou’, mas não disse onde. Por que não queria falar onde? Porque o dinheiro está no Ministério do Transporte para tratar de metrô, no Ministério da Saúde para tratar da saúde, está no Ministério das Cidades para tratar de uma série de problemas da cidade. Ele quer exercer um mandato político, tem um vice que é deputado, mas diz que é empresário. A Justiça acabou de condenar ele pela… Decretou a falência. Como que um cidadão, que a empresa dele foi decretada à falência pela Justiça e ele embromando e empurrando o tempo todo, pode falar que tem condição moral de cuidar do dinheiro público se não conseguiu cuidar da própria empresa?

Maira Monteiro – Mas é sobre o fato do senhor estar desesperado.

Sargento Rodrigues – Olha, estou fazendo campanha, olha aqui, com mãos limpas. É só pesquisar como está o financiamento da minha campanha, diferente do dele. A minha tem CPF, uma parte é doada do meu bolso e outra do Fundo Partidário. Agora por que, olha bem, preste bem atenção para o que eu vou dizer aqui agora e depois pesquisem no site do TSE… Por que o senhor Alexandre Kalil não doou um centavo com seu CPF até agora? Todos nós sabemos… Para quem tem 376 títulos protestados, para quem deu calote na previdência de seus empregados, que foi condenado a 3 anos e 9 meses de prisão, que ele negou na entrevista da Rede Globo, para quem tem 13 processos de não pagamento de IPTU, qualquer dinheiro que ele botar na conta, o juiz vai fazer o arresto, a penhora ou o bloqueio, para ficar uma linguagem fora do juridiquês. Vai bloquear o dinheiro na conta dele. Então não passa. Sabe o que ele está fazendo? Usando pessoas que a gente sabe que têm outro nome no jargão popular para irrigar a campanha dele. Não põe dinheiro. Como esse moço não tem para pagar R$ 450 mil de IPTU, não tem dinheiro para pagar previdência de seus empregados, mas tem R$ 1,5 milhão para disputar eleição, que é o gasto já anunciado por ele agora? Olha, seu Kalil, toma vergonha na cara, deixa de ser caloteiro, vai pagar suas contas, toma conta da sua vida e ter mais seriedade e responsabilidade com a lanchonete que o senhor ficou devendo mais de R$ 1,5 mil, com a padaria, com o dono da empresa que forneceu máquinas, vai pagar suas contas porque é lá que você tem de prestar contas a esse cidadão que você deve.

Maira Monteiro – Mas o senhor pode ser considerado desesperado?

Sargento Rodrigues – Olha, o candidato que tem cinco mandatos, que é autor de 44 leis, deputado mais presente na Assembleia, deputado que votou contra o governo quando era da base do governo. Contar só aqui um episódio para vocês. Quando veio a votação do piso nacional dos educadores, em 2010, Anastasia do PSDB e eu na base do governo. Eu era um dos 54 deputados da base de governo. Isso eu deputado da base de governo. Mandou um projeto de lei para transformar o piso em subsídio. Eu fui o único deputado da base de governo que votou contra. E o governo insistindo. Eu sou deputado independente, nunca fui financiado por empresa, eu não dou calote em ninguém, não tem um título meu protestado na praça. Eu tenho brio, eu tenho que chegar em casa e olhar para os meus filhos e não ter fama de caloteiro. Agora, esse moço, além de sair dando calote em muita gente que precisa, quer administrar o dinheiro público. Ele comprou há pouco tempo atrás uma Land Rover de R$ 350 mil. É esse moço que quer administrar Belo Horizonte? Cidadão que está nos acompanhando neste momento, que está nos assistindo, tem que ter consciência. Prefeitura não é time de futebol, não é quintal de time de futebol, é coisa séria, é administrar dinheiro público.

Guilherme Scarpellini – Candidato, o senhor é um deputado com ampla participação nas questões da segurança pública, e se tornou um porta-voz dos servidores da segurança no Estado. O senhor não teme que o seu eleitorado fique restrito a esse segmento da população e esse pode ser o motivo pelo qual o senhor ainda não alavancou nas pesquisas?

Sargento Rodrigues – Até porque não tem jeito porque as políticas públicas… Primeiro porque não tem jeito de negociar salário de policial militar e policial porque são servidores públicos estaduais. Não tem jeito de mexer na carreira deles sendo prefeito. Então é o contrário… Eu disse isso é pelo respeito, pela referência, pela gratidão que eles têm comigo. E têm gratidão. As pesquisas, por exemplo, não mostram o tanto de voto que terei nesse segmento. Mas são pessoas que me respeitam muito, que têm gesto de gratidão por tudo aquilo que fiz. Volto a repetir: sou o deputado mais presente, deputado que aboliu a votação secreta, com a emenda constitucional 91 levei 12 anos, sou o deputado que apresentou uma proposta de emenda constitucional para descontar o salário do deputado que faltar o dia de trabalho na assembleia. Então sou um deputado que exerce na plenitude o cargo, e, como prefeito, minha maior preocupação eu já disse: será cuidar das pessoas na periferia. Quem mais precisa do poder público não é rico, é o mais humilde. Ele que bate na porta do posto de saúde, ele que precisa do tempo integral. Rico, quando procura o poder público, quando é muito rico, é para fazer tráfico de influência. E o resultado disso está exposto, as entranhas, pela Lava Jato.

Thiago Ricci – Esclarece um boato que ronda nos corredores da Assembleia Legislativa de Minas: o senhor vai à casa parlamentar armado?

Sargento Rodrigues – Armado? Armado de boas palavras e de um livro, que é da minha cabeceira e eu gosto muito, chamado A Luta Pelo Direito, de Rudolf von Ihering, que diz o seguinte: todos os direitos da humanidade foram conquistados através da luta, todo e qualquer direito, seja o direito de um indivíduo, de uma classe, só se afirma por uma disposição ininterrupta para a luta. Fora do plenário sim, mas dentro do plenário não, porque sou regimentalista. Mas lá eu tenho uma arma poderosíssima, que é a minha voz na tribuna, é só você perguntar a Fernando Pimentel para ver o quanto essa arma é poderosa na tribuna.

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