Home TV BHAZ Entrevistas [Bhaz nas Eleições 2016] Rodrigues garante emprego para jovens da periferia e abre artilharia contra Kalil

[Bhaz nas Eleições 2016] Rodrigues garante emprego para jovens da periferia e abre artilharia contra Kalil

Criar oportunidades para crianças e jovens nos aglomerados de Belo Horizonte. Esse é um dos principais compromissos assumidos por Sargento Rodrigues (PDT) caso seja eleito prefeito da capital. Ele pretende estabelecer uma parceria entre município e instituições do chamado sistema S — como Senai, Senac e Sebrae — com o objetivo de criar oportunidades de primeiro emprego para adolescentes da periferia (leia a transcrição na íntegra).

Nono candidato a participar da série de entrevistas realizada pelo Bhaz, o deputado estadual passou parte do tempo na sabatina disparando acusações contra Alexandre Kalil (PHS). Já o ex-dirigente tem dito ser alvo de um complô de “velhos políticos desesperados”.

“Sou deputado independente, nunca fui financiado por empresa, eu não dou calote em ninguém, não tem um título meu protestado na praça. Eu tenho brio, eu tenho que chegar em casa e olhar para os meus filhos e não ter fama de caloteiro. Prefeitura não é time de futebol, não é quintal de time de futebol, é coisa séria, é administrar dinheiro público”, rebate Rodrigues.

Ex-policial militar e um dos líderes do movimento reivindicatório da Polícia Militar de 1997 — que teve como objetivo pressionar os poderes público na busca por melhores condições de trabalho para a corporação —, o candidato também promete endurecer o combate à criminalidade em BH: ele quer aumentar em 50% o efetivo da Guarda Municipal, bem como capacitar, qualificar e armar toda a corporação.

Se eleito, afirma ainda quer manterá relações republicanas com o governador Fernando Pimentel (PT) — apesar de ser um dos principais algozes do petista na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante a entrevista, o deputado, aliás, desmentiu boatos sobre sempre andar armado no trabalho. “Fora do plenário sim, mas dentro do plenário não, porque sou regimentalista”.

Por fim, o candidato afirma que desmantelará o que chama de “máfia do transporte público”, se comprometendo em reduzir o preço das tarifas em Belo Horizonte.

“Este prefeito [Marcio Lacerda], com muita clareza, em 2012, e todos os outros que o antecederam, independentemente de partido, foram financiados pelas empresas de transporte e pelas grandes construtoras. Então tem rabo preso, não tem autonomia, não tem independência”, denuncia Rodrigues. “Nós faremos diferente, faremos com autonomia, vamos reduzir preço de passagem e vamos estabelecer uma nova situação. Só que aí às claras. Para todo e qualquer cidadão acompanhar”.

Rodrigues x Kalil

Sargento Rodrigues não economizou acusações contra Kalil. Ele garante que o governador Fernando Pimentel está por trás da candidatura do ex-presidente do Atlético.

“Ele [Kalil] consegue dizer que ‘chega de político’, o bordão dele, mas o candidato a vice dele é o deputado Paulo Lamac, [Rede] que até ontem era do PT, que foi escalado pelo Fernando Pimentel para compor a chapa dele. Essa é a verdade que o cidadão que está nos acompanhando nesta campanha precisa saber. Pimentel pegou o seu Paulo Lamac e falou: ‘vai para a campanha do Kalil'”, afirma Rodrigues.

Rodrigues afirma que, além estar inadimplente com o IPTU, Alexandre Kalil deve também lanchonetes, postos de gasolina, entre outros estabelecimentos. “Aqui tem 31 títulos de protesto em nome de empresa chamada Erkal Engenharia Ltda.“, disse mostrando os papéis com marca do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Na periferia

Rodrigues ainda diz que sua maior preocupação será cuidar das pessoas na periferia. Para ele, criar oportunidades de primeiro emprego, melhorar os serviços de saúde e oferecer escolaridade em tempo integral é atacar o problema da violência na capital com políticas de prevenção.

“Nós queremos transformar o lugar [vilas e aglomerados]. Criar um centro poliesportivo para que a criança, seja do sexo masculino ou feminino, possa sentir atração. Com quadra de vôlei, peteca,  futsal. E nós conseguimos tirar ele do tráfico, para ele não virar aviãozinho do tráfico”.

Somado a isso, Rodrigues pretende reduzir os impactos da violência oportunizando o primeiro emprego ao jovem da periferia. Para ele, é possível recorrer aos governos estadual e federal na busca de parcerias com órgãos do sistema S, visando à oferta de vagas em cursos profissionalizantes. Na outra ponta, ele garante atendimento em tempo integral nas instituições municipais de ensino.

“Aliado a escola de tempo integral e primeiro emprego, em parceria com o Sebrae, Senac, Sesi, identificando lacunas no mercado e parcerias também com duas instituições muito competentes nessa área. Eu tive a carteira assinada com 15 anos de idade no Centro Salesiano do Menor. Eu morava na cabana [do Pai Tomás, aglomerado de BH], a família foi submetida a uma sindicância social para ver a renda per capita da família. E ali eu fui levado para ser office-boy. Então, primeiro emprego, escola de tempo integral e esporte para a garotada. Isso é prevenção social“, defende.

Rodrigues, contudo, garante a ampliação da rede de educação municipal de ensino, construindo 70 novas Umeis e celebrando novos convênios com creches. Segundo ele, todas as unidades passarão atender em tempo integral e seriam construídas com verbas próprias do município. Dessa forma, seria possível romper com a política de privatização adotada pelo atual prefeito, Marcio Lacerda (PSB), na área da educação.

Repressão

Segundo o candidato, em contraponto às oportunidades, as ações de repressão à criminalidade serão reforçadas. “Antes de você mandar a polícia, tem que mandar políticas públicas decentes para a periferia. Agora, quem não quer escola de tempo integral, quem não quer esporte, quem não quer um curso, um primeiro emprego, aí nós vamos aumentar o efetivo em mais de 50% da guarda municipal, treinar e capacitá-la exaustivamente para que ela possa fazer patrulhamento ostensivo e preventivo armado”.

Rodrigues, que atuou nas ruas de Belo Horizonte como policial militar durante 15 anos, espera, caso eleito, executar uma política de repressão incisiva, que, segundo ele, servirá de exemplo para as demais capitais do país.

“Um trabalho vigoroso que será exemplo de segurança pública no país comandada pelo prefeito, com a Guarda Municipal, fazendo patrulhamento ostensivo, preventivo, armada, e fustigando — que é uma linguagem bem do meio — incomodando batedor de carteira, assaltante, flanelinha, que de flanelinha ele não tem nada, ele está cometendo o crime de extorsão à luz do dia”, afirma. 

Novos hospitais

“Olha, o que é mais prioritário hoje, o que que está gritando, gritando aos ouvidos? Saúde!”. Elegendo a saúde pública como prioridade em uma eventual gestão, Rodrigues garante que abrirá novos concursos para nomeação de médicos, enfermeiros e dentistas. Ele pretende ainda capacitar o quadro de servidores já existentes, ampliar os atendimentos do Programa Saúde da Família e otimizar o acesso da população a agendamentos e exames médicos com o uso de tecnologia. “Tecnologia é muito importante nessa área. Ajuda muito a fluir fluxos que estão emperrados na ‘burrocracia’ da administração pública municipal”, diz.

Nesse sentido, para Rodrigues, é obrigação de um gestor público administrar o orçamento do município de acordo com as prioridades. “Você estabeleceu prioridade, você vai governando. O que não pode é sair da cabecinha do prefeito e falar: ‘olha, eu vou pegar R$ 5 milhões e vou reformar ali um teatro’, certo? Ele tem que pesar na balança. Ele tem que ter aquele olhar de absoluta responsabilidade com a coisa pública. Prioridade!”, defende.

E o Hospital do Barreiro?

Contudo, sem mesmo apresentar propostas para reverter a atual situação do Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro — o Hospital do Barreiro —, mantido por recursos dos governos municipal, estadual e federal, Rodrigues promete a construção de duas outras unidades regionais. Conforme noticiado pelo Bhaz, a atual administração reconhece a impossibilidade orçamentária de manter o pleno funcionamento do Hospital do Barreiro — que hoje opera em apenas 20% —, responsabilizando o subaproveitamento da estrutura à falta de repasses do Governo Federal. Ainda assim, Rodrigues avalia ser possível construir e manter as novas unidades hospitalares por meio de parcerias com as demais prefeituras da região metropolitana.

A proposta de construir hospitais através de consórcio. Se você coloca um [hospital] na região Noroeste [de Belo Horizonte], por exemplo, ali para o lado do Glória, Serrano, Alípio de Melo, você pode trazer ali, Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Esmeraldas, Vespasiano e fazer um consórcio”, avalia. “Se você fizer uma boa amarração jurídica, contratual nesse consórcio, divide o peso. E aí você tem hospital consorciado com responsabilidade bem feita, colocada ali de forma contratual entre esses municípios, cada um com sua cota à parte. Você reduz o impacto em Belo Horizonte que está sobrecarregado. Isso é possível ser feito através dessa responsabilização dos outros municípios. Vai desafogar aqui a capital, a metrópole. E vai ajudar demais os demais municípios”, defende.

Rodrigues x Pimentel

Figurando como um dos principais críticos ao governo Pimentel, Sargento Rodrigues diz que irá manter “tratativas republicanas” com o oponente caso seja o próximo prefeito da capital mineira. Em 21 de abril deste ano — Dia de Tiradentes —, Rodrigues protagonizou um dos momentos de maior tensão na relação com o governador, ao ser impedido, pela própria Polícia Militar (PM), de entrar na cerimônia da entrega da Medalha da Inconfidência — principal condecoração do Governo de Minas concedida a homenageados — em Ouro Preto, na região Central.

“Como prefeito de Belo Horizonte, eu tenho que seguir rumo em direção ao Palácio da Liberdade e as tratativas republicanas, eu terei como prefeito, com o governador, assim com o governo federal. Mas, enquanto for deputado da oposição, vou continuar denunciando esse cidadão [Fernando Pimentel]”, declara.

Ainda sobre sua atuação como parlamentar, Rodrigues rechaçou os boatos de que entra armado no plenário da Assembleia. A posse de armas nas dependências da casa legislativa é restringida pelo regimento interno.

“Armado? Armado de boas palavras. Fora do plenário sim, mas dentro do plenário não, porque sou regimentalista. Mas lá eu tenho uma arma poderosíssima, que é a minha voz na tribuna, é só você perguntar a Fernando Pimentel para ver o quanto essa arma é poderosa na tribuna”, rebate o deputado.

Confira o vídeo da entrevista na íntegra:

Eleito deputado estadual em 1998, Rodrigues cumpre o quinto mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Nascido em Belo Horizonte, tem 52, e é ex-policial militar, corporação em que atuou durante 15 anos. Em 1997, foi um dos líderes do movimento reivindicatório da Polícia Militar em Minas Gerais. Rodrigues é graduado em Comunicação Social e em Direito pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Ele também é pós-graduado em Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, pela UFMG.

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Guilherme Scarpellini

Guilherme Scarpellini é redator de política e cidades no Portal Bhaz.

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