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[Bhaz nas Eleições 2016] Entrevista Marcelo Álvaro Antônio

Confira a transcrição do que falou Marcelo Álvaro Antônio (PR) nas Entrevistas Bhaz dos Candidatos à PBH 2016.

THIAGO RICCI – No seu plano de governo está previsto a aquisição de tablets para alunos da rede municipal de ensino. O senhor já pensou como seria o processo licitatório desse material e qual o impacto dessa medida no orçamento? Como implantar uma medida inovadora em BH sendo que a administração ainda se depara com problemas antigos, como as recorrentes greves devido à insatisfação dos professores com o salário?

MARCELO ÁLVARO ANTÔNIO – Olha, Thiago, eu tenho uma proposta de extrema transparência para cidade de BH e é um programa que se chama Centro de Compras. Eu peguei esse modelo do Estado de Goiás e funcionou muito bem em Goiás, implantado pelo secretário da Fazenda na época, que chamava Braga. O Centro de Compras vai acabar com as farras da licitação aqui na cidade de BH, e como que funciona? Um exemplo, vamos pegar aqui já que estamos falando da educação: a Secretaria de Educação precisa comprar 50 mil canetas aqui na cidade. A secretaria obrigatoriamente vai ter que informar ao Centro de Compras. Esse Centro de Compras vai fazer um apanhado de preço em todo o mercado. Um exemplo: R$ 0,10 é o menor preço encontrado para uma caneta Bic. O Centro de Compras vai informar então a Secretaria de Educação: está liberado fazer a licitação no edital para comprar as canetas com preço máximo a pagar, 10 centavos.Isso trouxe uma economia para o Estado de Goiás de R$ 1 bilhão no primeiro ano de implantação. Muitas vezes uma caneta que pode ser paga por R$ 0,10 está sendo pago R$ 0,30, R$0,40 pela mesma caneta. Proporcionalmente falando, BH economizaria, em média, R$ 350 milhões por ano implantando o Centro de Compras aqui. Que é um dinheiro, inclusive, que pode ser usado na Educação. Valorizando os profissionais da Educação e também dando esse acesso às crianças do ensino básico, do ensino infantil, do ensino fundamental já há esse acesso à tecnologia mais cedo. Então essa é uma proposta que a gente entende que é viável.

MAIRA – O senhor quer transformar os 149 postos de saúde em clínicas da família. Mas a real demanda da população está relacionada à demora na marcação de consultas e na entrega de exames. As clínicas da família atacarão esses problemas? O senhor prevê também contratação de pessoal e ampliação da rede?

M.A.A – Dos 149 centro de saúde existentes hoje em BH, pelo menos 80 desses centros de saúde estão em estado de conservação estrutural horrível, péssimo. Eu estou vindo agora do conjunto Paulo VI, e fui ao centro de saúde lá, as pessoas sentadas aguardando em uma varando no sol. Quando eu digo clínica da família é humanizar o atendimento. E não é um investimento tão elevado assim que você não possa dar esse mínimo de conforto às pessoas. Quando eu chamo clínica da família é ter uma sala de espera que seja digna, com as devidas longarinas, dando conforto. E por quê não ter um ar-condicionado e também uma tevê, como se a pessoa estivesse em uma clínica mesmo. Isso não custa tão caro em um orçamento que é maior do que R$ 3 bilhões na saúde aqui na cidade de BH. Então é nesse primeiro atendimento que a gente quer dar um pouco mais de conforto às pessoas. Mas você disse bem: os principais problemas são a consulta médica especializada — tem demorado até dois anos para que uma pessoa tenha uma consulta marcada para que seja atendida para um médico — e também os exames que têm demorado muito. Esses dois problemas a gente vai resolver com parcerias, tanto com associação médica quando com a rede de hospitais filantrópicos na cidade. É possível fazer contratos e convênios com as redes filantrópicas e também com a associação médica para garantir um atendimento mais agilizado para o cidadão, para a cidadã na cidade de BH. E é assim que a gente quer tratar, no caso, esses três problemas: a humanização dos atendimentos, a marcação da consulta médica e também dos exames.

GUILHERME – Nas suas redes sociais, foi feita uma publicação na qual o senhor afirma que irá retirar as taxas e impostos para os taxistas. Ao mesmo tempo, o senhor afirma que irá regulamentar o Uber em BH. É uma regulamentação sem a cobrança de impostos?

M.A.A – É importante esclarecer que não é retirar as taxas, é a gente reavaliar e realmente dar uma condição de concorrência que seja leal. O que a gente não pode fazer é permitir aqui na cidade uma concorrência desleal. Hoje, os taxistas têm uma série de obrigações a serem cumpridas, como vistorias, taxas, e é isso; a gente tem que entender que o sistema de táxi aqui na cidade é fundamental para a nossa cidade. Mas que o Uber também, como é uma tendência mundial, então eu acredito que o mais correto a ser feito é regulamentar o Uber, mas tratar o taxista, o sistema de táxi também de forma que venha a reduzir realmente os tributos, as taxas, permitindo por exemplo que os taxistas possam utilizar a faixa exclusiva de ônibus, inclusive as segregadas, para que eles possam ter uma concorrência mais leal. É isso que a gente não quer deixar acontecer, uma concorrência desleal aqui. Se precisar rever as tributações dos taxistas, nós vamos rever para que eles tenham uma condição melhor de concorrência.

GUILHERME – Mas isso é possível dentro da realidade de queda de arrecadação, tirar esse imposto não poderia prejudicar outros serviços?

M.A.A – Na regulamentação do Uber, a gente tem que tributar também. O serviço está sendo prestado na cidade, ele precisa de ser tributado. Hoje, a prefeitura não vive desse tributo do Uber e à medida que for regulamentado e ser tributado é onde você pode dar um alívio para o táxi. Você está recebendo de um lado e aliviando do outro, equilibrando as contas da prefeitura.

CAFA – No seu programa de governo está previsto a ampliação do efetivo da guarda municipal, que hoje gira em torno de 2 mil. Quantos homens o senhor vai colocar na Guarda?

M.A.A – Eu acredito que o ideal é aproximar de 3 mil homens ao longo dos quatro anos de gestão. A gente percebe que nas áreas mais centrais a gente vê muita presença dos guardas municipais e, nas áreas periféricas, a gente percebe que existe uma ausência dessa corporação para atender as demandas das áreas das periferias. Então hoje a gente não vê Guarda Municipal guardando o patrimônio público nas periferias. Só nas regiões centrais. E esse aumento do efetivo seria exatamente para atender as periferias da cidade.

MAIRA – E o senhor defende o armamento da guarda, parcial, integral?

Não é prioridade o armamento da Guarda não; é um processo que já foi iniciado, pelo menos 500 guardas municipais estão aptos a serem armados, parece que 350 já estão armados. Não seria prioridade não. Mas naturalmente eu daria sequência a esse armamento da guarda.

THIAGO RICCI – Aproveitando o gancho, recebemos alguns candidatos aqui que pensam até em equiparar a GM ao PM, outros pensam de forma mais humanizada. Como o senhor pensa, não em relação ao armamento, mas à postura da corporação? Como o senhor vê a atuação da Guarda?

M.A.A – Eu vejo a atuação da Guarda mais no patrimônio mesmo. Como foi criada para isso, uma guarda patrimonial. Mas de uma forma mais integrada com a Polícia Militar e talvez utilizando até a mesma frequência de rádio com a Polícia Militar. A própria presença de uma guarda municipal em um parque, uma praça, ou na porta de uma escola, já inibe por si só, a criminalidade. E tendo aí um contato mais eficaz com a Polícia Militar, eu acredito que ela poderia ser utilizada mais na guarda patrimonial, mas auxiliando a polícia também no combate à criminalidade.

THIAGO RICCI – O período chuvoso chegou e, no último domingo, BH já registrou pontos de alagamentos. Qual a sua proposta para despoluir os córregos que passam por BH, os quais são responsáveis por grande parte das inundações?

M.A.A – Em primeiro lugar, eu creio que a gente precisa fazer um investimento considerável em campanhas educativas com a população da cidade. A população precisa entender que uma garrafa, ou uma lata que é jogada na rua, ou um saco de lixo, aquilo é o que vai entupir ali as galerias e vai provocar as inundações e as enchentes aqui na cidade. Então eu investiria em campanhas educativas, esse seria o principal foco. E continuar tratando a questão das enchentes aqui com as bacias de contenções. É possível fazer as bacias de contenções, já foram feitas algumas, nessa atual gestão, no Barreiro mesmo já foi feita, onde a água é contida, a água da chuva de forma eficiente, e ela vai sendo liberada aos poucos para não provocar exatamente os alagamentos na cidade.
MAIRA – Quais são os seus planos para estadualizar a CBTU, administradora do metrô de BH, integrando-a ao MetroMinas. Quais serão os benefícios dessa medida para a população?

M.A.A – Na verdade, a proposta de estadualização da CBTU é a maneira que nós temos para que o governo federal consiga enviar verbas para o metrô da cidade. Isso aí é constitucional, está na Constituição. Qualquer investimento que for previsto para o transporte intermunicipal prevê essa integração com Contagem, Betim, por exemplo, a linha 4 do metrô. A CBTU precisa ser estadualizada. Já foi em São Paulo, já foi em Belo Horizonte e eu acredito que a atual gestão não se mobilizou para isso. O maior interessado na questão da mobilidade urbana da cidade é a própria cidade. O prefeito precisa liderar esse processo. E o prefeito eu não vi, em momento algum, indo à Brasília, chamando todos os envolvidos no caso, os agentes federais, estaduais para sentar em uma mesa e dar esse primeiro passo que é a estadualização da CBTU. Se não estadualizar a CBTU a verba não virá para mobilidade urbana, no caso o metrô de Belo Horizonte. Então esse passo, o prefeito tem que liderar e precisa ser resolvido.

THIAGO RICCI – E as modalidades alternativas de transporte?

M.A.A – Inclusive eu estive conversando com os líderes de um movimento aqui na cidade que é muito bacana, que eu fiquei maravilhado com a aula que eles deram de ciclomobilidade, que é o movimento “Dê um passo”. Eu sai dessa reunião pensando que, sem dúvida nenhuma, a gente precisa atingir, pelo menos, os 400km de ciclovias aqui na cidade de BH, construindo ainda as ciclorrotas, é o que vai interligar as nove regionais. Porque se a gente tem hoje apenas pouco mais de 80km de ciclovia, a gente não tem condição, por exemplo, de fazer uma campanha em massa para utilização da bicicleta na cidade, se a gente não pode oferecer essa condição para o ciclista, para ele ter essa tranquilidade de, ou a lazer ou a trabalho, de utilizar a bicicleta. Então a gente pretende sim chegar até os 400km de ciclovia, fazer os bicicletários nas estações de ônibus, para que os ciclistas ou as pessoas que estão indo, por exemplo, para o trabalho, ele possa fazer parte do percurso de bicicleta e depois fazer parte de ônibus. Então sem dúvida a cultura da bicicleta hoje é fundamental para a cidade, para a mobilidade urbana, para o meio ambiente, e a gente quer investir sim na ciclomobilidade.

GUILHERME – Candidato, o senhor afirma que vai estabelecer um processo de formação continuada do professor, como uma forma de valorizar a carreira e reconhecer isso financeiramente. Como o senhor pretende implantar essa medida e, ao mesmo tempo, atender a demanda da população de integralizar o entendimento nas UMEis e ampliar a oferta de vagas nas creches?

M.A.A – Na área da educação uma das duas principais demandas é a vaga em creches, para crianças de 0 a 3 anos, que a gente precisa aumentar até 50% dessas vagas, para atender as mães chefes de família, porque as mães hoje são chefes de família e precisam trabalhar. A mulher está no mercado de trabalho e isso é fundamental. Crianças de até 6 anos do ensino infantil, as Umeis, por exemplo, atendem só até 3 anos em horário integral. A gente precisa atender até 6 anos também de idade as crianças das Umeis para ter essa integralidade dos horários. E também a valorização dos profissionais da educação é fundamental. Eu não consigo enxergar uma educação de excelência, de qualidade, com profissionais desmotivados. A gente precisa motivar esses profissionais. E uma das formas é exatamente nesse conhecimento continuado, nessa qualificação continuada. Premiar os profissionais de educação, que se dispuseram a fazer cursos de qualificação. Remunerar aqueles profissionais que se capacitaram. Fez o curso, recebe por isso, e quem vai ganhar vai ser a educação infantil, os alunos, a qualidade do ensino.

GUILHERME – Seriam cursos oferecidos pela própria prefeitura?

M.A.A Aí a gente teria que estudar quais seriam as melhores formas. Tem muitos cursos hoje no MEC que são dados ao profissionais da educação, a própria prefeitura também pode dar parte desses cursos, e até mesmo parcerias com a Fundação Getúlio Vargas e outras instituições que oferecem boa qualidade de cursos.

GUILHERME – Só para complementar: a ampliação na oferta de vagas implicaria na construção de novas unidades, novas creches ou obras de ampliação?

M.A.A – Sim, as duas coisas. Ampliar as estruturas das existentes e também construir novas creches. Hoje nós temos 194 creches na cidade, atendem, em média, 26 mil alunos, e a gente precisa de ampliar as existentes, aquelas, claro, que tiverem condições de ampliação. E criar novas creches também para que a gente possa diminuir essa procura, aumentar a oferta para que a procura possa ser reduzida.

MAIRA – Nós recebemos alguns adversários do senhor, que são totalmente contrários às parcerias público-privadas na área da Educação. Como o senhor planeja o orçamento para caber tudo isso?

M.A.A – Como eu disse, o Centro de Compras é um curinga que vai poder, digamos, disponibilizar um recurso que hoje é perdido na cidade. Que pode ser investido inclusive na construção de novas Umeis, de novos centros de saúde. Agora, parceira público-privada a gente tem que entender qual é essa relação entre a prefeitura e as empreiteiras. Será que ali está um contrato justo para a cidade? Será que as empreiteiras estão sendo privilegiadas com esse contrato? Então, não quero aqui demonizar as parcerias público-privadas, mas aí a gente vai precisar fazer um grande diagnóstico, aprofundar bem nesses contratos e entender se essa relação está sendo boa só para as empreiteiras ou se está sendo boa para a cidade também.

CAFA – Está prevista também em seu plano a construção de nove unidades do BHNovaVida. O que será esse espaço e de que forma o senhor pretende executar esse projeto?

O BHNovaVida é um grande centro de convivência. Foi utilizado na cidade de Medellín, Bogotá, deu muito certo lá e está dando muito certo no Recife. Em Recife é o Compaz (Centro Comunitário da Paz), eu tive o cuidado de ir lá, visitar e conhecer. Na verdade é um grande equipamento público, lá, no caso, ocupa 14 mil metros quadrados, em Recife, que tem biblioteca parque, piscina, campo de futebol, quadra poliesportiva, sete modalidades de artes marciais, reforço escolar de português, matemática, aulas de idioma, tudo de graça para as comunidades de maior vulnerabilidade da cidade. As comunidades mais carentes. Inclusive o critério para a implantação desse equipamento é justamente a área de maior vulnerabilidade. Então você implanta esse equipamento, que oferece todos esses serviços de graça para as pessoas que mais precisam na cidade e com um detalhe: eu estive lá em Recife, vi, pessoalmente, 300 jovens dentro de uma vila utilizando aquele espaço. Jogando futebol, fazendo natação, fazendo artes marciais, e a própria funcionária me questionou. Falou: Marcelo, imagina se esse equipamento não existisse, onde estariam esses 300 jovens que estão aqui hoje utilizando esse espaço. Então por isso que a gente quer implantar um em cada uma das nove regionais e isso é uma verdadeira fábrica de cidadania. Tudo de graça para quem mais precisa e com enfoque especial nos jovens. 400 idosos fazendo atividades física, natação, hidroginástica, e está até lá no meu Facebook. Eu gravei isso para que as pessoas em BH pudessem entender como é. Então é uma verdadeira fábrica de cidadania. Um equipamento que custa pouco mais de R$ 10 milhões, cada um, e com um custeio de R$ 150 mil por mês. Em uma cidade que tem um orçamento de aproximadamente R$ 11 bilhões agora, eu acho que é perfeitamente viável nessa prioridade de investimentos. Em nosso plano de governo a gente quer investir mais para quem precisa mais.

THIAGO RICCI – Como se sabe, o seu pai, Álvaro Antônio Teixeira Dias, foi deputado federal e vice-prefeito de BH. Como o senhor avalia críticas de alguns adversários e eleitores os quais afirmam que a população deve se afastar de políticos tradicionais, sobretudo daqueles que têm berço político?

M.A.A – Inclusive eu tenho dito nos meu programas eleitorais e até nas aberturas dos debates, que a minha vocação para a política veio de casa com meu pai. Eu tenho muito orgulho de dizer isso, porque para mim o crime não é ser político, não é demonizar a política. O problema é ser mau político, esse é que é o problema. Meu pai teve 32 anos de mandato, foi cinco vezes deputado, foi vice-prefeito de BH, foi três vezes vereador e nunca teve um processo qualquer contra a pessoa dele e que viesse macular a imagem dele. Inclusive a região que a gente vem, que a região do Barreiro demonstra isso. Que sempre reconheceu essa postura séria dele. Eu não vejo problema nenhum. Eu disse aqui, o problema não é ser político é ser mau político. Eu quero ser do lado bom da política, eu quero fazer a boa política.

MAIRA MONTEIRO – O senhor esperava que a sua região (Barrreiro) atuasse como uma caixa de ressonância para o restante de BH em relação à sua candidatura. Portanto, estamos na última semana para as eleições e o senhor ainda não alavancou nas pesquisas. Por que o resultado ainda não veio?

M.A.A. – A expectativa é que nessa reta final, onde eu acredito que a grande maioria das pessoas ainda está indecisa, é que essas pessoas conheçam o Marcelo Álvaro Antônio. Como eu disse, essa caixa de ressonância. Eu fui candidato a vereador pela primeira em 2012, já nove anos depois que meu pai faleceu, e fui o vereador mais votado na região. Eu fui candidato a deputado federal e bati todos os recordes de votação na história da região. Ou seja, onde as pessoas me conhecem, elas votam em mim. Infelizmente, nossa campanha foi mais tímida, não tivemos recursos como outras campanhas estão tendo e eu tentei fazer o melhor. Indo a todas as outras regionais, olhando nos olhos, conversando com as pessoas. Infelizmente, o percentual nas pesquisas aparece baixo. Mas eu acredito que nessa reta final a gente ainda tem condição de angariar votos de pessoas que estão indecisas – e ainda existem muitos indecisos. Então acredito que a gente ainda tem possibilidade de ir ao segundo turno.

GUILHERME SCARPELLINI – A leitora Claudia Lima fez o seguinte questionamento: “Moro no Barreiro. Quero saber do grande elefante branco, o Hospital do Barreiro, vai funcionar quando? Ela reclama ainda de UPAs lotadas, postos de saúde em decadência, farmácias sem medicamentos, e que transporte do Barreiro é pior, com assaltos a ônibus. Quais suas propostas para melhorar a situação?”

M.A.A. – Claudia, obrigado pela pergunta. O hospital é tripartite, 50% do governo federal, 25% do estadual e 25% municipal. O que acontece é que a atual gestão não se mobilizou para garantir o custeio do governo federal e estadual. Foi preciso eu, como deputado federal, marcar uma reunião, uma audiência com o ministro Ricardo Barros, levei alguns parlamentares estaduais, onde foram liberados mais R$ 15 milhões, o que proporcionou o atual candidato do prefeito anunciar na propaganda eleitoral dele, que é abertura mais 48 leitos. Hoje, de 10%, o hospital passa a 20% de sua capacidade. Mas por uma articulação nossa, e não da atual gestão. Disse aqui no início, os centros de saúde estão em péssimo estado de conservação, precisamos humanizar, dar mais dignidade no atendimento das pessoas, e também essa superlotação das UPAs. Mas o prefeito também, rapidamente, precisa liderar uma agenda metropolitana. Temos seis hospitais na região metropolitana fechados, o que traz uma sobrecarga para o sistema de saúde da capital. Precisamos chamar o governo federal e o estadual para sensibilizar que esses seis hospitais na região metropolitana possam ser reabertos e, assim, aliviando o sistema de saúde da capital.

LUCIANO CAFA – Qual a sua opinião sobre a substituição de vigias nas escolas por câmeras de segurança, já que o senhor, enquanto vereador, foi autor de um projeto de lei que previa a instalação de câmeras de segurança, detectores de metal e catracas eletrônicas nas 186 escolas municipais da capital?

M.A.A – Sim, eu fui autor desse projeto, mas sem mandar os vigias embora. Eu, classificando com uma palavra, acho covarde esse tipo de postura por parte da prefeitura. Momento que o país passa por uma crise econômica gigantesca, 12 milhões de desempregados e a prefeitura contribuindo ainda com, alimentando ainda com o percentual de desempregados na cidade. Acho isso uma covardia para quem gasta mais de R$ 80 milhões em publicidade, por exemplo.

THIAGO RICCI – O seu partido não fechou questão quanto ao impeachment. Dos 26 parlamentares na Câmara, 10 votaram contra (o senhor a favor). Como fica a relação do seu partido com o Governo Federal, e em especial, como fica a sua relação com o governador Fernando Pimentel (PT).

M.A.A – Na verdade, eu votei a favor da abertura do processo para que se fosse investigado. Quem votou pelo impeachment foram os senadores. Agora, toda e qualquer investigação e qualquer dúvida precisa ser esclarecida. E o governador Fernando Pimentel é uma pessoa madura e vai entender isso. Não vejo problema em continuar relacionando com o governo estadual para trazer os benefícios para a nossa população.

MAIRA MONTEIRO – O leitor João Carlos fez a seguinte pergunta: “Quero saber sobre a falta de segurança nas estações Barreiro, Diamante, Vilarinho e São Gabriele, que nos finais de semana são terríveis cheios de menores fumando, bebendo e fazendo a maior baderna”.

M.A.A – São adolescentes fumando, bebendo… São pessoas que estão ali que podem ser perfeitamente, com essa ampliação da Guarda Municipal que a gente propõe… É isso que estou dizendo. É aumentar esse efetivo, a presença da Guarda Municipal nessas regiões, nas estações de ônibus. A presença de dois, três guardas municipais ali inibe esse tipo de pequenos crimes. Acho que a guarda é pra isso.

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