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Assuma seu papel

A estrutura necessária para realizar um show de comédia stand up é simples: palco, microfone, diferença de luz da plateia pro comediante e pronto. Ainda que precise de pouco, um show de comédia é influenciado por muitas coisas que não dependem do humorista.

A plateia pode estar mais ou menos disposta, o estilo do comediante pode não ser um que aquela plateia específica se identifique tanto, a apresentação anterior pode ter esfriado o público… muita coisa pode acontecer. Esses imprevistos fazem parte da apresentação e do cotidiano do comediante. O problema é quando elas parecem pesar mais para o humorista do que o que realmente deveria importar: a apresentação e o texto.

Já vi gente que se aventurou na comédia, fez por um tempo considerável e nunca realmente encaixou um texto ou apresentação boa. Já vi gente assim arrancando risadas do público no teatro – e só no teatro. Por quê? Porque o teatro é quase ideal, está tudo muito propício para as pessoas prestarem atenção e rirem. O problema surge aí: no conforto, no ideal.

No teatro – diferente do bar – as pessoas estão sentadas alinhadamente para o palco, que é grande e disposto em clara evidência. Elas saíram de casa exclusivamente para rir e estão praticamente só esperando uma deixa pra gargalhar.

Não pretendo desmerecer de forma alguma as apresentações em teatro. Só quero dizer que, se você perguntar para qualquer comediante, ele vai te afirmar categoricamente que fazer comédia no teatro é fácil (ou pelo menos mais fácil do que em outros lugares).

No bar o comediante está exposto a vários possíveis obstáculos, desde um bêbado que insiste em participar do show a uma mesa que não está vendo o comediante e conversando alto. A evolução surge aí: no conflito.

Muitos comediantes se perdem em desculpas sobre o porquê de um show não ter sido tão bom ou um texto não ter funcionado tão bem. “A plateia isso, a estrutura do bar aquilo, também teve aquela outra questão…”, sem notar que o que está sendo usado para desculpa poderia estar sendo usado para aprendizado.

Acredito que isso se aplique a tudo em nossas vidas. Não adianta querer ser o melhor nas melhores condições, isso não é ser bom de verdade. Bom é quem tem consistência no resultado, que supera as adversidades e busca usá-las a seu favor, como meios de se aprimorar.

O bom profissional da comédia faz aquilo que está ao seu alcance para o show, trabalha em seu texto e sua apresentação. Tudo aquilo que não pode controlar, e aceita e lida da melhor maneira possível.

Não espere as condições ideais. Ideal se refere a algo perfeito, e por isso está destinado ao mundo das ideias. O real nunca é ideal.

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