Home Notícias Política Kalil promete ressarcir população de BH caso aumento de passagem de ônibus seja constatado abusivo

Kalil promete ressarcir população de BH caso aumento de passagem de ônibus seja constatado abusivo

Mesmo com o pedido encaminhado pelos vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) descartou revogar o aumento das passagens de ônibus antes da conclusão das auditorias nas prestadores do transporte municipal. O administrador municipal, no entanto, afirmou que, se for constatado aumento abusivo do bilhete, esse valor “será retroagido, será descontado e devolvido para a população”.

“Esse aumento é simples: na hora que essa auditoria estiver pronta, se ele [aumento] for abusivo, ele será retroagido, será descontado e nós vamos devolver isso para a população.”, afirmou o chefe do Executivo municipal durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (8) na sede da Prefeitura de BH. Kalil afirmou ainda não ter recebido o ofício assinado por 35 parlamentares e que não irá “rasgar contratos”, bem como não irá “intervir em decisões da administração passada”.

O reajuste tarifário em 9%, que elevou o preço das passagens para R$ 4,05, foi decretado pelo então prefeito Marcio Lacerda (PSB) em dezembro último. Na semana passada, Alexandre Kalil chegou a anunciar que a prefeitura irá contratar empresa de auditoria para “abrir a caixa-preta do transporte municipal”.

“Eu não recebi esse documento [o ofício encaminhado pelos vereadores]. Só para esclarecer a todos, esse documento não foi protocolado em nenhum lugar da Prefeitura de Belo Horizonte, porque já mandei procurar e não achei. E se fosse para rasgar contratos, nós temos contratos para rasgar mais importantes aqui dentro. Que dão muito mais prejuízo ao povo de Belo Horizonte do que o aumento”, disse o chefe do Executivo.

Como exemplo disso, o prefeito citou o Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro — popularmente conhecido como Hospital do Barreiro —, que é mantido por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada). Segundo ele, atualmente a unidade custa R$ 7 milhões mensais aos cofres do município, o que, na avaliação do gestor, é uma despesa elevada.

Ofício assinado por 35 vereadores pede pela revogação do aumento das passagens de ônibus em Belo Horizonte (Reprodução/Facebook)

“Mais importante do que o aumento, é a PPP de um hospital do barreiro que está com 80 leitos em funcionamento e nos custa R$ 7 milhões por mês sem o serviço médico, apenas com aluguel de equipamentos, faxina, varrição e outras coisas”, disse.

Ao Bhaz, o vereador Rafael Martins (PMDB) — responsável por coletar assinatura dos 35 vereadores — adiantou que irá reunir os colegas de parlamento para discutir quais serão os próximos passos para convencer o prefeito da revogação.

“Ele [o prefeito] disse que nossa iniciativa foi demagoga, mas pergunto: demagogia não é criticar o preço das passagens na campanha, como o fez, e agora eleito ir contra a redução da passagem?”, questionou Martins. “Recebi com muita chateação as palavras dele. Não existe demagogia, queremos ajudar realmente a cidade governar para que precisa. Por isso vamos reunir os vereadores que assinaram o documento para pensarmos em um segundo passo”.

 

 Cadê o documento?  

Martins esclareceu que o ofício pedindo pela revogação do aumento da passagem não chegou às mãos do prefeito Kalil devido à “burocracia” do processo Legislativo. “Existe uma burocracia incompreensível no regimento da Câmara o qual diz que, quando você protocola esse ofício, ele fica parado por cinco dias aguardando um vereador que possa impugnar o pedido. Não fosse isso, esse documento já estaria nas mãos dele”, diz o parlamentar.

O vereador garante, entretanto, que o ofício, que foi protocolado na última segunda-feira, chegará à Prefeitura de Belo Horizonte na próxima semana.

Comentários

Guilherme Scarpellini

Guilherme Scarpellini é redator de política e cidades no Portal Bhaz.

Carregar mais em Política