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DA é depredado e roubado e estudantes são ameaçados após ocupações na UFMG

Uma estudante da UFMG sofreu ameaças pessoais e perseguição por motivos políticos e ideológicos após participar ativamente das ocupações em protesto contra a PEC 55, ocorridas entre outubro e dezembro do ano passado no Campus Pampulha.

A estudante Pamela Teixeira, 26, é coordenadora geral do Diretório Acadêmico (DA) de Ciências Biológicas. No último dia 5, a sede física do DA foi invadida e o cofre que guardava o dinheiro arrecadado pela entidade foi arrombado.

Foram roubados R$ 1.790 do diretório e, dentro do cofre, colocaram uma foto do deputado federal de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Junto à fotografia, havia um texto com dizeres contrários às ocupações e um trecho em que o autor alega ter pegado o dinheiro “como indenização”.

Após tal ocorrido, Pamela e os demais membros do DA tomaram providências, como trocar a fechadura do diretório e realizar o boletim de ocorrência interno da UFMG.

Reprodução/D.A. Bio UFMG Gestão Jana Moroni

Dias depois, Pamela ainda encontrou outro “recado de ódio” – desta vez, em seu armário individual dentro da universidade. Segundo a estudante, o bilhete contava com ataques pessoais e xingamentos machistas direto a ela.

“Eu me preocupei. Foram pessoas que me atacaram diretamente, que me conhecem. Eu tô com bastante medo de andar sozinha na rua”, contou Pamela à equipe do Bhaz.

A estudante ainda contou que não foi a primeira vez que alunos da UFMG, sobretudo os que participaram das ocupações, foram alvos de ataques. “A gente fez as denúncias para que não aconteça mais, além de resolver outros casos. Essa não foi a primeira vez que aconteceu”, completa.

Pamela afirmou ter encaminhado ofício à diretoria acadêmica da universidade, com cópia de Boletim de Ocorrência e ainda não obteve retorno. O Centro de Atividades Didáticas 1 (CAD1), prédio em que o curso de Ciências Biológicas da UFMG realiza suas atividades acadêmicas, foi um dos primeiros a ser ocupado.

A UFMG informou que foi aberto um processo administrativo para apurar o caso. A reitoria ainda informou que “repudia atos de violência” e reforçou que a universidade é um “espaço democrático, no qual deve prevalecer o convívio saudável entre as diferentes opiniões e garantida a livre circulação de ideais e de pessoas”.

Pamela procurou a Comissão de Direitos Humanos da CMBH para apurar a denúncia (Reprodução/CMBH)

Participação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara da capital – formada pelos vereadores Áurea Carolina (PSOL), Gabriel (PHS), Juninho Los Hermanos (PSDB), Mateus Simões (NOVO) e Pedro Patrus (PT) – vai apurar a denúncia.

A estudante relatou aos vereadores os episódios ocorridos, tanto contra ela como contra outros estudantes que estiveram na ocupação. Durante reunião, a Comissão aprovou pedido de informação à universidade sobre a condução administrativa do caso e indicação à Assembleia Legislativa de Minas Gerais sugerindo audiência pública conjunta sobre o assunto. Os requerimentos foram feitos pela vereadora Áurea Carolina.

Com CMBH

Atualizada às 13h30 do dia 17/02/2017

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Rodrigo Salgado

Rodrigo Salgado é jornalista e redator no Portal Bhaz.

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