Home Notícias Brasil Youtubers recebem dinheiro do Governo Federal para elogiar as mudanças do ensino médio

Youtubers recebem dinheiro do Governo Federal para elogiar as mudanças do ensino médio

Dois canais do YouTube estão no centro de uma polêmica envolvendo pagamentos feitos pelo Ministério da Educação (MEC) para disseminar mensagens publicitárias disfarçadas. O jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria nesta sexta-feira (17) revelando que a dupla Lukas Marques e Daniel Molo, que comanda o “Você Sabia”, recebeu R$ 65 mil para elogiar a reforma do ensino médio defendida pelo Governo Federal. Em um vídeo divulgado no último mês de outubro, que já acumula mais de 1,5 milhão de visualizações, os youtubers falaram bem da iniciativa utilizando uma linguagem bem jovem.

O canal mantido por Pyong Lee no YouTube também produziu um vídeo sobre o novo ensino médio. Na gravação, ele esclarece algumas das mudanças propostas pelo governo. O MEC não confirmou o valor pago por esse conteúdo especificamente.

A questão alvo de polêmica é o fato dos canais não terem informado com clareza que o conteúdo possuía cunho publicitário. Em entrevista à Folha, Daniel Molo, do “Você Sabia”, alegou que já pretendia produzir um vídeo sobre a reforma antes mesmo de surgir uma proposta comercial. “A gente já ia fazer um vídeo sobre o novo ensino médio. Como recebemos a proposta, decidimos aceitar”, disse Molo.

Os dois canais estão associados à produtora Digital Stars, que encomendou os vídeos após contratação do MEC. A empresa representa alguns dos youtubers mais famosos no Brasil, como Kéfera Buchmann, Christian Figueiredo e Felipe Castanhari.

À Folha, o CEO da companhia, Luiz Felipe Barros, explicou que existem critérios para veicular esse tipo de conteúdo. “Uma das condições incluídas pela Digital Stars foi dar os influenciadores total liberdade sobre o teor de suas opiniões sobre a reforma do ensino médio, sem a necessidade de seguir qualquer roteiro ou diretriz política”, afirmou.

Já o MEC informou que canais de influenciadores digitais complementam a estratégia de comunicação institucional e os pagamentos feitos seguiram todas normatizações existentes para contratação desse tipo de serviço.

O órgão reforçou o gasto com publicidade para rebater críticas à reforma. De outubro a janeiro, gastou R$ 13 milhões, valor 51% superior ao gasto no período anterior.

Repercussão

Nesta sexta-feira, diante da repercussão do caso, Daniel Molo divulgou uma nota pelo Facebook. “A reportagem que começou essa repercussão não foi correta em afirmar que ‘nada no vídeo diz que se trata de conteúdo pago’. O vídeo que publicamos tem, desde o dia do seu lançamento, a sinalização de que é um Publieditorial, tanto na descrição do vídeo quanto a marcação na ferramenta do YouTube que mostra que ele é uma ação publicitária”, justifica.

Pyong Lee também divulgou um comunicado contestando o conteúdo da reportagem da Folha de S. Paulo. “Desde que o vídeo foi publicado ele tem na primeira linha da descrição a indicação de que é um Publieditorial. Uma pena que a matéria que começou a polêmica não apurou da forma correta e fez um título que induz o público a achar o oposto”, explica.


Atualizado às 18:00 do dia 17/02/2017

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