Home Notícias Política Sem interlocutor, Kalil acumula média de uma derrota a cada dois dias na Câmara

Sem interlocutor, Kalil acumula média de uma derrota a cada dois dias na Câmara

A ausência de um interlocutor na Câmara Municipal de Belo Horizonte vem se traduzindo em derrotas para o prefeito Alexandre Kalil (PHS). Nos últimos dez dias, o chefe do Executivo teve cinco vetos rejeitados na Casa— uma média de uma derrubada a cada dois dias.

Um desses projetos barrados, aliás, precisou ser transformado em lei pelo próprio presidente do Legislativo, vereador Henrique Braga (PSDB). Por outro lado, outros oito vetos do prefeito Kalil foram mantidos nesse mesmo período.

Para o ex-líder de governo, Gilson Reis (PCdoB), que há pouco menos de um mês deixou o cargo de interlocutor alegando ser contra a existência de clientelismo na relação entre poderes, a dificuldade do prefeito na comunicação com os vereadores pode gerar “maiores problemas” no futuro.

“Quanto mais tempo passa sem um líder de governo isso pode gerar uma dificuldade maior”, disse ao Bhaz. “Mas existem muitos projetos que são aprovados com vícios de origem e realmente precisam ser vetados”, atenua.

Recentemente, Reis experimentou na pele ter um próprio projeto embargado pelo Kalil. Após o veto, entretanto, ele espera viabilizar a proposta — que libera o uso de amplificadores de som em apresentações artísticas em vias e praças públicas da cidade — trabalhando por uma nova derrota do Executivo.

“Nesse caso houve um falta de interlocução com o prefeito. Porque é uma necessidade forte do setor cultural da cidade e esperamos que esse veto seja derrubado”.

Se comparado ao primeiro mandato do ex-prefeito Marcio Lacerda (PSB), a Câmara Municipal manteve todos os vetos apreciados entre 1° e 10 de março de 2009 — foram seis vetos chancelados pelos vereadores.

Procura-se um líder

De acordo com vereador Jair de Gregório (PP), que votou os cinco vetos apreciados pela Câmara nessa quinta-feira (9), seus colegas de plenário vêm apresentado certa resistência em aceitar um eventual convite de líder de governo.

“O prefeito vai encontrar muita dificuldade para alguém aceitar [o cargo de interlocução]”, avalia. “Pois esse modelo de conversa dele [Kalil] não funciona. Um modelo de general, como se não precisasse de vereador. Dessa forma, qualquer líder que for escolhido, seja pelo prefeito ou em conjunto com os vereadores, não vai ter êxito”.

Ainda segundo a avaliação do vereador, o número de derrotas até o momento é “enorme”. “Percebo que alguns vetos ocorrem em relação com a autoria de um determinado projeto. Mas o que estamos percebendo é um número enorme de vetos sendo derrubados”, declara.

A Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada para se manifestar, mas até o momento da publicação não havia respondido aos questionamentos da reportagem.

 

 

Acompanhe o Bhaz também no Youtube assinando nosso canal.

Comentários

Guilherme Scarpellini

Guilherme Scarpellini é redator de política e cidades no Portal Bhaz.

Carregar mais em Política