Home Colunas Orion Teixeira [Coluna do Orion] Divulgação de lista faz deputado sumir da Assembleia

[Coluna do Orion] Divulgação de lista faz deputado sumir da Assembleia

Orion Teixeira*

A divulgação de uma lista do delator e ex-diretor da Odebrecht, Benedicto Júnior, com nomes de deputados mineiros fez com que eles sumissem da Assembleia Legislativa nesta terça (18). Até a TV Globo Minas queixou-se da ausência deles na reportagem que fez sobre o assunto. A maioria dos citados era do PSDB, DEM, PP, entre outros de oposição ao PT de Lula e Dilma.

Os que lá estiveram passaram o dia rindo dos apelidos dados aos citados, como ‘Wanda” para o vice-governador Antônio Andrade (PMDB); ‘Dengo” para o senador Antonio Anastasia (PSDB), ‘Asfalto” para o deputado federal Jayme Martins (PSD), entre outros.

Tudo somado, o clima acabou sendo de trégua no plenário do Legislativo, já que boa parte dos adversários permanentes aparece em alguma lista. Como observou um parlamentar, na dúvida, recolheram as armas sob a suspeita de “que eu sou você amanhã”, com receio de novas listas. Como disse outro, “quem tem orifício na extremidade terminal do intestino” tem medo”. Enquanto não ficar definido juridicamente o que é caixa 1, caixa 2 e propina, a solução encontrada foi sumir até baixar a poeira.

Delação contra tucanos tira Dória das redes sociais

A alta exposição da cúpula tucana paulista e nacional nas delações da Odebrecht levou o prefeito paulistano, o marqueteiro João Dória (PSDB), a “desaparecer” das redes sociais por quase três dias e algumas horas. Após as delações dos 77 executivos e ex da Odebrecht que deixaram chamuscadas as reputações do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, do senador José Serra e do governador Geraldo Alckmin, Dória busca se desintoxicar e até se distanciar dos padrinhos e aliados tucanos. Se a coisa piorar, poderá até mudar de partido para não afetar seu status de presidenciável.

Estado aposenta mais 261 da Lei 100

Nesta quarta-feira (19), o governo mineiro publica mais 1.040 novas aposentadorias, das quais 261 são da ex-lei 100, que contratou sem concurso, nos governos tucanos (2003-2014|), mais de 100 mil servidores da Educação, a maioria de professores. Com esse lote, soma 33.035 novos aposentados, durante o governo do petista Fernando Pimentel, sendo 9.067 servidores da dita lei que foi extinta no ano passado.

Noutra frente, foram contratados/nomeados outros 43,5 mil servidores na Educação nos últimos dois anos. De acordo com o estado, neste ano, serão nomeados até 17.500 educadores.

Fim da greve

Desde segunda-feira (17), os servidores da Educação estadual suspenderam a greve, mas mantiveram o estado de greve. Iniciada no dia 15 de março, a paralisação teve caráter nacional contra a reforma da Previdência e, regionalmente, em cobrança do cumprimento de acordos assinados pelo governo com a categoria.

No primeiro caso, o movimento obteve êxito, quando levou o governo federal a excluir os servidores estaduais e municipais da reforma da Previdência. O governo temia que o poder de mobilização de categorias numerosas como a do professorado e de policiais civis constrangesse deputados federais e senadores na hora da votação.

No próximo dia 28 de abril, haverá tentativa de nova de greve geral, que está sendo convocada por todas as centrais sindicais contra as reformas previdenciária e trabalhista. Em relação ao estado, os servidores estaduais rejeitaram a proposta de parcelamento, em até 12 vezes, a partir de janeiro de 2018, dos retroativos dos reajustes e da carreira.

Placar contra a reforma

Até o momento, 65 Câmaras municipais dos 853 municípios mineiros aprovaram moção de repúdio à reforma da Previdência (PEC 287). Desde cidades polo, como Juiz de Fora, Uberaba, Divinópolis, Téofilo Otoni e Governador Valadares, até de pequenas cidades, como Dores do Turvo, Carbonita e Visconde do Rio Branco assinaram o manifesto.

Até o papa reprova a reforma da Previdência

Até o papa Francisco está contra as reformas de Temer. Em carta ao brasileiro, recusando convite para visitar o Brasil, o líder católico citou a crise nacional e advertiu-o de que são “os mais pobres” que pagam “o preço mais amargo” por “soluções fáceis e superficiais para crises”.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já havia criticado abertamente a reforma da Previdência. “Os direitos sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”, pontuou nota da instituição enviada, em março, aos parlamentares. Durante as celebrações da Semana Santa, padres foram orientados a criticar a medida durante os sermões.

O convite ao sumo pontífice teria como motivo o aniversário de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida – o encontro da imagem da santa por pescadores ocorreu em 1717, no rio Paraíba do Sul.


*Jornalista político, Orion Teixeira recorre a sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Comentários

Carregar mais em Orion Teixeira