Home Notícias BH Onda de vandalismo em escolas da capital mineira preocupa PBH e Guarda Municipal

Onda de vandalismo em escolas da capital mineira preocupa PBH e Guarda Municipal

A Guarda Municipal de Belo Horizonte registrou quatro arrombamentos em instituições municipais de ensino no último final de semana. Entre os alvos dos criminosos estão, pelo menos, quatro escolas municipais e uma Umei (Unidade Municipal de Ensino Infantil), que foi invadida anteriormente, na terça-feira (11). Todas unidades estão localizadas na Zona Oeste da capital.

Além de terem sido alvo de vandalismo, como pichação e depredação, os estabelecimentos de ensino tiveram várias equipamentos furtados. Notebooks, datashows e câmaras fotográficas estão entre os itens levados pelos criminosos.

Segundo informou a Secretaria Municipal de Educação, em nota, uma reunião com a Guarda Municipal foi convocada para os próximos dias. O objetivo do encontro é avaliar a segurança das escolas e coibir novas depredações. Ainda conforme a pasta, os diretores das instituições invadidas foram autorizados a substituir as prestadoras de segurança eletrônica, caso avaliem necessária a medida.

“Os sistemas de segurança eletrônica que funcionam na rede municipal de educação são contratados diretamente pelas escolas. A secretaria já autorizou que todas as diretoras de escolas fizessem uma análise dos seus sistemas e contratassem outras empresas caso julguem necessário”, diz um trecho do texto divulgado.

Conforme a nota, os sistemas eletrônicos funcionam em conjunto com alarmes sonoros: quando acionados, a empresa de segurança contratada despacha uma unidade para o local e entra em contato com a Guarda Municipal.

(Reprodução/Arquivo Pessoal)

Onda de arrombamentos

Os arrombamentos em série das unidades de ensino da Zona Oeste da capital começou na terça-feira (11) — às vésperas de feriado. Segundo informações da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial, por volta das 10h30 uma viatura da Guarda Municipal se deslocou para a Umei Santa Maria, localizada na rua João Batista Vieira, que teve o alarme disparado.

No local, agentes de segurança constataram o arrombamento de duas portas, além de armários. As salas da secretaria e da coordenação também foram invadidas. Posteriormente, a diretora da instituição registrou que um aparelho micro system e duas câmeras fotográficas haviam sido levadas.

As outras quatro invasões foram registradas entre sábado (15) e domingo (16). Por volta das 10h, guardas municipais foram encaminhados à Escola Municipal Professora Efigênia Vidigal (bairro Palmeiras). Segundo a secretaria de Segurança Urbana, a ação dos criminosos ocorreu na sexta-feira (14), quando foram levados sete notebooks, um datashow e uma filmadora portátil.

Reprodução/Arquivo Pessoal

Os objetos estavam guardados na sala da direção, que foi arrombada. Duas latas de spray foram abandonadas no local. O alarme foi acionado às 17h30, segundo a empresa de segurança contratada pela administração.

Ainda no sábado, a Guarda Municipal foi empenhada em outra ocorrência: a Escola Municipal Meste Ataíde (bairro Betânia) também havia sido invadida. Conforme a secretaria de Segurança Urbana, não houve furto. Porém, parte das paredes e do piso do local foram pichados. Houve tentativa de arrombamento de uma das salas, ação que danificou maçanetas e fechaduras de portas.

No domingo, outras duas ocorrências: também no bairro Betânia, a Escola Municipal Tenente Manoel Magalhães Penido foi alvo de invasão. Não houve furto de equipamentos. Mais tarde, foi constatado o arrombamento da Escola Municipal Francisca de Paula (bairro Cinquentenário). Houve danos em pelo menos seis salas da instituição e diversos objetos foram espalhados pelo chão.

Agentes de segurança conseguiram recuperar um notebook. Os criminosos tentaram levá-lo, mas acabaram abandonando-o em uma bolsa, deixada no chão da quadra.

Reprodução/Arquivo Pessoal

Cadê os vigias?

Foram demitidos pelo então prefeito Marcio Lacerda (PSB) ao final da administração passada. A justificativa, segundo o gestor à época, era cortar gastos. Com isso, a maior parte dos vigilantes (500, no total) foi substituída por sistema de segurança eletrônica.

Essa medida, aliás, é alvo de questionamento por parte do vereador Irlan Melo (PR). Ao Bhaz, o parlamentar informou que foi encaminhado um ofício à Secretaria Municipal de Governo pedindo a contratação imediata de vigias terceirizados para fazer a segurança noturna nas escolas.

“Estou solicitando à prefeitura a intervenção da Guarda Municipal para realizar rondas periódicas nesses locais, além da contratação de vigias. Do que adianta instalar equipamentos eletrônicos se até as câmeras de segurança foram roubadas?”, indagou. “O que eu gostaria é que a população sentisse segura, os pais, os alunos e diretores pudessem ter o direito constitucional de estudar”.

Outro lado

A administração municipal, por sua vez, informou que, desde o início do ano, 50 instituições de ensino foram autorizadas a contratar vigilância humana. A lista das unidades, segundo informou a Secretaria Municipal de Educação, foi definida de acordo com ocorrências registradas anteriormente.

Além disso, a pasta esclareceu que uma nova estratégia de policiamento foi implantada para conter a invasões a escolas: “duplas de agentes da Guarda Municipal passaram a atuar presencialmente em 90 escolas, em dias alternados”, diz nota encaminhada à redação.

Confira a íntegra:

“Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o clima escolar, de forma geral, é muito bom nas unidades da Rede Municipal de Educação e que ações como essas invasões são reflexo de um cenário social que existe no entorno das escolas. Para tratar questões de segurança, a Secretaria Municipal de Educação atua tanto no intuito de firmar parcerias, quanto no investimento em estratégias de vigilância, mas, principalmente, promovendo ações que permitam que a comunidade do entorno crie bom relacionamento com as escolas, desenvolvendo projetos que enfatizem a sensação de pertencimento.

Uma das estratégias é a ação coordenada com a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial com objetivo de garantir presença efetiva da Guarda Municipal nas escolas. Desde o início do ano letivo de 2017, uma nova estratégia de policiamento foi implantada e duplas de agentes da Guarda Municipal passaram a atuar presencialmente em 90 escolas, em dias alternados. Além disso, a Guarda também atua em todas as demais unidades, nos demais dias, por meio de rondas motorizadas em viaturas do patrulhamento preventivo.

No caso específico de vigias noturnos, a decisão de retirá-los das escolas foi tomada pela gestão anterior e desde o início do ano a nova gestão da Secretaria autorizou que 50 escolas contratassem vigilância humana. A lista de unidades contempladas foi definida de acordo com o número de ocorrências registradas anteriormente e a atuação desses profissionais será avaliada ao longo do ano, de modo a verificar em que medida é possível otimizar os custos com a contratação desses profissionais e se outras unidades demandam esse tipo de serviço.

Vale ressaltar ainda que a presença dos vigias é uma estratégia a ser analisada de acordo com a realidade de cada escola, sempre em sintonia com outras ações de segurança desenvolvidas em torno da instituição.

Em relação às invasões ocorridas em escolas municipais ao longo do feriado, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) informa que solicitou uma reunião com a Guarda Municipal para avaliar a situação. Cinco escolas invadidas estão localizadas na mesma regional e o modus operandi utilizado nos arrombamentos foi semelhante, com pichações e vandalismo das instalações, o que sugere que um mesmo grupo possa ter sido responsável pelos atos. O serviço de inteligência da Guarda já está em articulação com demais órgãos de segurança para monitorar a situação e identificar os responsáveis. A Guarda também informou que vai estudar um aumento no contingente para monitoramento de unidades escolares.

Na maioria das escolas invadidas a ocorrência foi de vandalismo, sem observação de furto de qualquer material. O maior prejuízo foi verificado na Escola Municipal Professora Efigênia Vidigal, a primeira a ser invadida, da qual foram furtados equipamentos eletrônicos. Todas as unidades invadidas estão providenciando um levantamento do material furtado, uma vez que a empresa de segurança providencia a reposição por meio de seguro patrimonial.

Os sistemas de segurança eletrônica que funcionam na Rede Municipal de Educação (RME) são contratados diretamente pelas escolas. Na maioria das unidades, esse sistemas contam com alarmes sonoros, que são acionados a qualquer sinal de arrombamento. A empresa de segurança contratada, ao verificar que o alarme foi disparado, despacha uma unidade para o local e entra em contato com a Guarda Municipal. A Secretaria já autorizou que todas as diretoras de escolas fizessem uma análise dos seus sistemas e contratassem outras empresas caso julguem necessário”. 

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Guilherme Scarpellini

Guilherme Scarpellini é redator de política e cidades no Portal Bhaz.

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