X
    Categorias: Política

Carlos Araújo, ativista e ex-marido de Dilma Rousseff, morre em Porto Alegre

Carlos Araújo morreu na madrugada deste sábado; seu corpo será cremado ainda hoje

Morreu na madrugada deste sábado, em Porto Alegre, aos 79 anos, o advogado e ativista político Carlos Franklin Paixão Araújo, ex-marido da ex-presidente Dilma Rousseff. Carlos Araújo estava internado desde o dia 25, com problemas pulmonares crônicos e uma infecção das vias aéreas, na unidade de terapia intensiva do Pavilhão Pereira Filho, uma das unidades da Santa Casa especializada em tratamentos respiratórios.

“Aos 79 anos, era portador de doença pulmonar obstrutiva crônica, complicada por quadro de miocardiopatia dilatada isquêmica”, informou o médico Sadi Marcelo Schio, por meio de nota. Ainda de acordo com o médico e a Santa Casa, o quadro do ex-deputado se agravou e ele precisou passar a necessitar de aparelhos para respiração. O quadro evoluiu com infecção generalizada, determinando colapso circulatório e, finalmente, óbito, conclui a nota.

Carlos Araújo foi um dos fundadores do PDT, partido no qual foi ligado a Leonel Brizola e pelo qual se elegeu deputado estadual por três vezes. Em 2000, Carlos Araújo decidiu abandonar a carreira política, passando a atuar somente como advogado. Em 2014, era um dos advogados trabalhistas mais atuantes no Brasil.Ele deixa uma única filha, com a ex-presidente, Paula Rousseff de Araújo.

A bancada do PT na Câmara dos Deputados divulgou nota de pesar pelo falecimento do ex-deputado. “A combatividade de Carlos Araújo e a defesa de ideais para a construção de um Brasil desenvolvido, justo, solidário e democrático ficam como exemplo para todos”, diz a nota.

O corpo de Carlos Araújo será velado a partir de 15h, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O velório irá durar até 19h. Depois, o corpo será cremado, em cerimônia restrita aos familiares.

Carlos Araújo

Carlos Franklin Paixão Araújo era advogado, ativista e político. Nasceu em São Francisco de Paulo, interior do Rio Grande do Sul, em 1938. Integrou a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), da qual Dilma também fazia parte. Eles se conheceram pouco depois do Carnaval de 1969, no Rio de Janeiro, em uma das reuniões preparatórias para a formação da organização.

Devido à militância, ambos acabaram sendo presos. Dilma foi presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo; Carlos, em 12 de agosto daquele mesmo ano, em frente ao estádio do Palmeiras, em São Paulo. Nesse intervalo de sete meses, Carlos chegou a ter um caso com a atriz Bete Mendes, que, na época, estava no auge da fama e havia decidido entrar para a VAP-Palmares.

Na prisão, ambos foram torturados e chegaram a cumprir parte da pena no mesmo local, o Presídio Tiradentes, em São Paulo, onde tinham direito a visitas íntimas e se reconciliaram, decidindo restabelecer a vida conjugal quando saíssem da prisão. Dilma saiu do Presídio Tiradentes no fim de 1972, dez quilos mais magra e com uma disfunção na tireoide. Iniciou a recuperação da sua saúde no lar, com sua família, em  Belo Horizonte.

Algum tempo depois morou com sua tia em São Paulo e depois mudou-se para Porto Alegre, onde Carlos Araújo cumpria os últimos meses de detenção. Hospedou-se na casa do pai e mãe dele, cuja localização lhe permitia avistar o presídio em que Araújo estava detido. Dilma visitava-o com frequência, levando jornais e até livros políticos, disfarçados de romances. Em 1975, Dilma ficou grávida de Paula Rousseff Araújo, sua única filha, que nasceu em março de 1976.

Em 1980, os dois se casaram e viveram juntos por 20 anos. O relacionamento entre ambos terminou em 2000 e, mesmo assim, continuaram amigos.