Home Colunas Orion Teixeira [Coluna do Orion] Temer e aliados são alvos de protestos na Assembleia

[Coluna do Orion] Temer e aliados são alvos de protestos na Assembleia

Causaram mal-estar e constrangimentos para alguns deputados estaduais e federais as manifestações ocorridas durante o evento de inauguração, na Assembleia Legislativa de Minas, do auditório José Alencar Gomes da Silva e de lançamento da Frente Parlamentar Mista da Soberania Nacional, na segunda-feira (28). Gritos de ‘fora Temer’, ‘fora golpistas’, vaias e discursos contundentes contra as propostas de privatização do governo federal deixaram alguns parlamentares numa saia justa.

As vaias foram manifestadas quando foram citados nomes do vice-presidente da Câmara dos Deputados, Fábio Ramalho (PMDB), aliado do governo peemedebista de Michel Temer, e do ex-governador Newton Cardoso, também do PMDB, porém, menos alinhado com o governo federal. Os protestos não tiraram o brilho da inauguração do novo espaço de participação popular, ao contrário, reafirmaram sua vocação.

Comandado pelo presidente da Assembleia, Adalclever Lopes (PMDB), hoje, franco aliado do PT, o evento reuniu grande parte da bancada federal mineira, a maioria de petistas e de peemedebistas.

Localizado no térreo, o auditório é um espaço aberto à participação popular e homenageia o empresário mineiro e ex-vice-presidente da República José Alencar, falecido em 2011, por sua capacidade de articulação entre o segmento empresarial e os trabalhadores. O auditório José Alencar tem 168 assentos na plateia. Integrado com o Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira, que permite a transmissão em tempo real dos eventos pelo videowall, agrega mais 500 lugares.

O filho do homenageado, o empresário Josué Alencar (PMDB), representou a família. Seu nome tem sido defendido por Adalclever para ser o vice na chapa presidencial de Lula (PT) em 2018, repetindo a dobradinha vitoriosa de 2002, do petista com José Alencar.

Lançada nesse espaço, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional inclui 201 deputados federais e 18 senadores e tem os seguintes objetivos: a defesa do trabalhador, dos empresários brasileiros e do desenvolvimento do país, contrapondo-se a medidas como o desmonte da Petrobras e a venda do pré-sal; a privatização do setor elétrico; a alienação de terras para estrangeiros; e as reformas trabalhista e previdenciária.

Acordão para manter vetos do governador

Sem os grandes embates de antes, entre governistas e oposicionistas, a Assembleia Legislativa tenta votar dois polêmicos vetos do governador Fernando Pimentel. Um mexe com aliados, o outro, nem tanto. O primeiro deles refere-se à anistia a servidores da educação que participaram de greves no ano de 2015. O segundo, à anistia a policiais militares que participaram da histórica greve de 97.

Em ambos os casos, o governador alegou vício de iniciativa, ou seja, que seria competência dele para apresentar o projeto. No caso dos professores, que estão de bem com o governo, o veto deverá ser mantido em plenário, mas a anistia vai acontecer por meio de medidas administrativas.

De acordo com o líder do governo, Durval Ângelo (PT), Pimentel já mandou suspender o desconto dos dias de greve dos professores que participaram do movimento e repuseram as aulas. A medida teria sido aceita por 6 mil servidores, e outros 900 que não concordaram terão até 2018 para negociar a reposição dos dias cortados.

Já no caso dos policiais, que foram anistiados em 99, mas integrados apenas pelo Corpo de Bombeiros, também será mantido o veto para o retorno à Polícia Militar, porque, ali, o Alto Comando não aceita os grevistas. “A exclusão pela participação no movimento reivindicatório de 1997 não se coaduna com o regime democrático em que vivemos”, justificou o deputado Sargento Rodrigues (PDT).

Aeroportos de BH podem ser privatizados

A Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia de Minas aprovou, nessa terça-feira (29), a realização de audiência pública sobre a possível privatização dos aeroportos da Pampulha e Carlos Prates, em Belo Horizonte. De acordo com o deputado Fred Costa (PEN), as alterações podem afetar as operações do Aeroporto Internacional de Confins, privatizado em 2014.

Estado vai reduzir escala de salários

Com recursos extras da renegociação de dívidas (Refis), cuja adesão termina nesta quinta (31), o governo do Estado pretende reduzir de três para duas parcelas o pagamento dos salários dos servidores públicos. 75% dos servidores que ganham até R$ 3 mil recebem em parcela única. Acima disso, recebem em até três parcelas de igual valor. Pimentel garantiu, nesta terça (29), em entrevista ao MG no Ar, da Record Minas, que não haverá atraso nos pagamentos. A definição sobre a nova escala será feita no próximo mês. O governo tem alto volume de débitos, inscritos ou não em dívida ativa, no total de R$ 73 bilhões.

(*) Jornalista político; leia mais no www.blogdoorion.com.br

 

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Orion Teixeira

Orion Teixeira

*Jornalista político, Orion Teixeira recorre a sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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