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[Na ponta da língua] Os sete pecados capitais da língua portuguesa

Por Christian Catão

Os sete pecados capitais

Não são poucas as pessoas que comentem desvios ao escreverem e-mails para interlocutores desconhecidos. Alguns podem ter sido provocados pela falta de atenção ou pela rapidez demandada, mas é sempre bom reler o texto antes de publicar. E para você que não quer pagar mico, seguem os 7 erros mais encontrados em textos enviados por e-mail.

1) Emprego incorreto do infinitivo impessoal:

Boa noite, dormi ali e amanhã trabalhar cedo.

O infinitivo não deve ser flexionado quando apresentar uma ideia vaga, sem se referir a sujeito determinado.

2) Utilizar mais, advérbio de intensidade ou pronome indefinido, ao invés de mas, conjunção adversativa, e vice-versa:

Diz que me quer, mais não demonstra nada.

A palavra “mas” atua como uma conjunção coordenada adversativa, devendo ser utilizada em situações que indicam oposição, sentido contrário. Já o vocábulo “mais” se classifica como pronome indefinido ou advérbio de intensidade, opondo-se, geralmente, a “menos”.

3) Usar de mais em substituição a demais e vice-versa:

Amo você de mais.

O verbete demais se trata de um sinônimo de “excessivamente” ou simplesmente de “muito”. Com o sentido de “os outros”, “os restantes”, portanto com valor de substantivo, usa-se também a grafia “demais”. Já a locução de mais pode aparecer com o valor aproximado de “a mais”. Note-se que, nesse caso, “de mais” tem o valor de “demasiado”, “excessivo” e, portanto, tem valor de adjetivo (não de advérbio).

4) Empregar derrepente em substituição a de repente.

O verbete derrepente não existe.

5) Confundir-se no emprego de mau e mal.

Até que não fui mau na prova passada.

Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Utilize essa regrinha básica e jamais cometerá esse erro. Simples assim.

6) Utilizar mim e eu nos lugares incorretos.

Para mim fazer.

Mim não faz nada, porque jamais será sujeito.

7) Grafia incorreta de várias palavras corriqueiras.

Não há regra sem excessão.

O certo é exceção.

Outros erros crassos e, entre parênteses, a grafia correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio), “cincoenta” (cinqüenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro).

Alerta ligado

O Jornal da Alterosa desta semana mostrou que muitas pessoas perdem a chance de entrar no mercado de trabalho por causa do usa inadequado da Língua Portuguesa. Em uma pesquisa elaborada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), candidatos participaram de um ditado com 30 palavras de uso comum no mundo do trabalho como “exceção”, “textura”, “artificial”, “autorizar”, “licença”, “desperdício” e “sucesso”. Quando cometiam mais de sete erros, os participantes eram eliminados. Os resultados assustam: 37,9% dos candidatos foram reprovados. O fato é que as abreviações e expressões coloquiais acabaram se impondo ao padrão culto da língua, inclusive no ambiente de trabalho. Contudo, o uso adequado do português ao contexto socio-comunicativo, tão banalizado atualmente, ainda é importante na vida profissional. E isso começa cedo, já no estágio.

Cuidado Leilane

Na estreia da nossa coluna vamos falar dos “deslizes” que nossos amigos jornalistas cometem por aí. A apresentadora da Globo News, Leilane Neubarth, disse a um dos entrevistados do jornal das 19 horas que concordava com ele em GÊNERO, NÚMERO e GRAU. Essa expressão é inadequada. Apenas concordância de gênero e de número são obrigatórias em nossa língua. Mas isso não vale para o grau. Por exemplo: na expressão “moça sapientíssima”, o substantivo está no grau normal e o adjetivo no superlativo absoluto, que é outro grau. Logo, os graus não concordam obrigatoriamente.

CHRISTIAN CATÃO
Jornalista e professor de Língua Portuguesa com pós-graduação na àrea de produção e revisão de texto. Atualmente, é mestrando na FAE-UFMG e trabalha na rede particular de educação e curso preparatório para concurso público e o Enem. Dúvidas e sugestões envie para: christiansouza@hotmail.com

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