Home Colunas Christian Catão [Na ponta da língua] Placas maltratam, diariamente, a Língua Pátria. E como!

[Na ponta da língua] Placas maltratam, diariamente, a Língua Pátria. E como!

Por Christian Catão

Bom exemplo

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) bem que poderia copiar o exemplo de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais. Em 1997, o então prefeito daquela cidade sancionou uma lei municipal que previa multa de R$ 500 para quem escreve errado (erros em outdoor) ou R$ 100,00 (erros em outros meios de divulgação), tais como faixas, cartazes e placas de publicidade espalhadas na cidade. Para que tal lei fosse realmente cumprida, a população foi incentivada a denunciar as “aberrações gramaticais”, tais como mostradas abaixo.

Veja o certo e o errado em algumas placas e cartazes de lojas

ADEQUADO INADEQUADO
À la carte A la carte
À moda de A moda de
A prazo À prazo
À vista A vista, ávista ou àvista
Água de coco Água de côco
Alugam-se vagas Aluga-se vagas
Artesanato Artezanato
Comida por quilo Comida à kilo
Conserto (reparar alguma coisa) Concerto (espetáculo musical)
Das 9h às 11h Das 9h as 11h
Entrega a domicílio ou entregas em domicílio Entrega à domicílio
Misto – quente Mixto – quente
Segunda a sexta-feira Segunda à sexta-feira
TV em cores TV a cores
Vendem-se casas Vende-se casas

O dito pelo não dito

O fato é tão sério que, em 2015, um erro de português virou caso de polícia na cidade de Guarabira, no interior da Paraíba. Tudo começou quando uma loja de eletrodomésticos escreveu um cartaz para anunciar uma promoção. No cartaz estava escrito “Oferta imperdível. Chip Vivo. R$ 1 com aparelho”. Ao se depararem com a oferta, os moradores da pequena cidade consideraram a proposta irrecusável. O que o setor responsável pelo marketing da loja não esperava é que a tal oferta fosse parar na delegacia. Com R$ 4 no bolso, o professor Damião entrou na loja e pediu chips – com os quatro aparelhos celulares correspondentes. Ele havia registrado a oferta com uma foto antes de ir ao trabalho e decidiu fazer a compra no final do expediente.

Frase em faixa de protesto contém dois erros de português (Reprodução/Facebook)

Caso de polícia

O atendente da loja até tentou explicar que o anúncio queria dizer que os chips da operadora em questão sairiam por R$ 1 no caso da compra de qualquer celular adquirido pelo preço normal de tabela. Porém, o professor foi irredutível e acionou uma viatura da polícia militar, que chegou ao local e convidou os dois — o professor e o gerente da loja — até a delegacia. Aurélio alegou que a loja estava fazendo propaganda enganosa e que tinha por direito, como consumidor, a receber o que estava escrito no cartaz. Na delegacia, as partes chegaram a um acordo. Damião recebeu a doação de um vale de R$ 100 para aquisição de um aparelho. Detalhe: com chip !

Respeito e credibilidade

Erros de concordância, acentuação e ortografias são os mais frequentes em cartazes, faixas, folhetos e cardápios. Especialistas da área de marketing alertam que o respeito pelo consumidor começa na divulgação de informações corretas. Os erros, além de colocarem em xeque a credibilidade do negócio, podem não afastar os consumidores temporários, mas, certamente, farão com que os possíveis clientes com melhor nível de informação não voltem ao estabelecimento. Por isso, é interessante que o lojista verifique a eficiência das empresas que elaboram trabalhos de comunicação externa.

Coco ou côco?

As mudanças do Novo Acordo Ortográfico começaram em 2008, mas só em janeiro do ano passado se tornaram obrigatórias. Apesar disso, tem muita gente por aí que comete pequenos deslizes na hora de acentuar ou não a palavra. O exemplo mais clássico é a palavra “coco” –fruto do coqueiro – que deixou de receber o acento circunflexo. Entretanto, muitas pessoas insistem em colocar o acento: “Quero beber água de côco”. Quem recebe acento é “cocô” – palavra popularmente usada para se referir a fezes, excremento. Então, a menos se que queira beber água de fezes, é melhor parar de colocar acento em coco.

Medo do hífen

Outro sinal gráfico que também deixa muita gente de “cabelo em pé” é o hífen.  A regra é clara: em qualquer tipo de locução o hífen deixou de ser empregado.

Antes Agora
Cão-de-guarda Cão de Guarda
Cor-de-vinho Cor de vinho
Dia-a-dia Dia a dia
Fim-de-semana Fim de semana

 

CHRISTIAN CATÃO

Jornalista e Professor de Língua Portuguesa e Produção de Texto. Já escreveu nos jornais “Diário da Tarde”, “O Tempo” e “Diário do Comércio”. Trabalhou, também, como repórter e colunista da Revista “Encontro”. Atualmente, leciona na rede particular de educação e é mestrando na Faculdade de Educação da UFMG. É autor da apostila “De olho no Enem” (teoria e exercícios) e ganhador do Prêmio Sinparc /Usiminas (2005) como melhor matéria jornalística “Falta de público e a crise no teatro mineiro” – Jornais “Diário da Tarde/Estado de Minas”. E-mail: christiansouza@hotmail.com  (031) 99697-9405

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Marcelo

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Marcelo Freitas é redador-chefe do Bhaz

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