Home Colunas Christian Catão [Na ponta da língua] O “mal” exemplo vem de cima. Aliás, de Brasília

[Na ponta da língua] O “mal” exemplo vem de cima. Aliás, de Brasília

Por Christian Catão

Nunca antes na história deste País tantos políticos estão utilizando as redes sociais, tais como o Facebook, Twitter, Instagram e até o WhatsApp para se comunicar com a população. Até aí, nada de mais ! Contudo, alguns são a prova viva de que a educação brasileira vai de mal a pior. É o caso do senador Pedro Chaves (PSC/MS), o hercúleo relator da Reforma do Ensino Médio, que, tudo indica, faltou às aulas de Língua Portuguesa na escola. Os deslizes em relação ao emprego do idioma são de toda ordem, e vão de colocação da vírgula até simples casos de acentuação, como mostra o post abaixo.

Reflexo da população brasileira?

Vamos aos números. Muito reclamam da má utilização do idioma por quem deveria dar exemplo: os políticos. Porém, não custa lembrar que a nossa taxa de analfabetismo é de 8,3% das pessoas com 15 anos ou mais, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São mais de 13 milhões de brasileiros que ainda não sabem ler ou escrever. Esse dado não leva em conta os analfabetos funcionais, aqueles que conseguem escrever seus nomes e frases simples, mas são incapazes de interpretar um texto com um pouco mais de complexidade.

Credibilidade

O parlamentar pode até não ser honesto (o que e inaceitável!), mas o fato de dominar bem a língua o faz conseguir transmitir credibilidade ao seu eleitor, visto que é capaz de defender com mais relevância suas ideias, agrega conteúdo e valores ao discurso. É evidente que  o português culto é dispensável em situações onde a simplicidade resolve. Poucos, por exemplo, entenderiam a frase: “Colóquio sonolento para gado bovino repousar”, mas saberiam perfeitamente meu intento se dissesse: “História pra boi dormir” ou quem sabe: “Impulsionar a extremidade do membro inferior contra a região glútea de alguém”, em vez de “Dar um pé na bunda”. Diante disso, é importante ressaltar que existem diferentes formas de fala, mas nenhuma apregoa que os parâmetros ortográficos e gramaticais não sejam respeitados. É fundamental também se abster de utilizar gírias ou expressões tipicamente regionais que possam dificultar a compreensão dos usuários que não utilizem a sua variante da Língua Portuguesa.

Memes constituem uma nova linguagem nas redes sociais

A novidade do Enem

Tudo indica que os famosos memes que circulam nas redes sociais devem aparecer, neste ano, pela primeira vez nas provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Trata-se de uma frase de efeito com conteúdo humorístico que se transmite rapidamente na internet – ou seja, que “viraliza” entre os usuários da rede. É importante lembrar os memes se encaixam muito bem na proposta da prova de Linguagens, que nos últimos anos trouxe os mais diversos tipos de texto: desde charges, propagandas e histórias em quadrinhos até poemas e textos de jornal. Para interpretá-los, é preciso muito senso crítico. Fica a dica !

O protagonista é o texto

Apesar de muitos olhares de desconfiança, principalmente por parte de alguns professores, é fato que, desde a década de 90, o ensino de Língua Portuguesa passou por mudanças. O ensino de gramática nas escolas, que acontecia de forma arcaica, repleto de nomenclaturas, devido à aplicação de métodos totalmente teóricos, sem nenhuma significação na vida dos alunos que, por sua vez, não conseguiam estabelecer relação entre a teoria gramatical e o cotidiano, agora deu lugar à interpretação e produção de texto por meio dos gêneros textuais.

Christian Catão

Jornalista e professor de Língua Portuguesa e Produção de Texto. Já escreveu nos jornais “Diário da Tarde”, “O Tempo” e “Diário do Comércio”. Trabalhou, também, como repórter e colunista da Revista “Encontro”.  Atualmente, leciona na rede particular de educação e é mestrando na Faculdade de Educação da UFMG.  É autor da apostila “De olho no Enem” (teoria e exercícios)e ganhador do Prêmio Sinparc/Usiminas (2005) como melhor matéria jornalística “Falta de público e a crise no teatro mineiro” -Jornal “Diário da Tarde – Estado de Minas”. E-mail: christiansouza@hotmail. com  (031) 99697-9405.

Obs. “Mal” escrito entre aspas no título  é uma pegadinha. Se você entendeu que o correto era “mau”, meus parabéns! Você conhece bem a Língua Portuguesa.

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Marcelo

Marcelo

Marcelo Freitas é redador-chefe do Bhaz

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