Home Colunas Orion Teixeira [Coluna do Orion] Após conto de fadas, Huck cai na real e desiste da disputa presidencial

[Coluna do Orion] Após conto de fadas, Huck cai na real e desiste da disputa presidencial

É isso que dá quando um conto de fadas dá de cara com a realidade, no caso a brasileira. Disputar eleição presidencial não é como produzir um programa de televisão, com contratos fantásticos, em que tudo é ensaiado para dar certo. A realidade é diferente. Não basta querer para ser presidente da República, razão pela qual o apresentador Luciano Huck, da Rede Globo, caiu na real. Pode até mudar de ideia, mas, se o fizer, estará apenas confirmando aquilo que falta à maioria dos políticos, ou seja coerência e compromisso, e que fazem da própria palavra estratégia ou negócio para ganhar projeção.

Esse é o fato do dia que, na verdade, é um não-fato-político. Afinal, ele nunca tinha admitido que era e, agora, vem a público dizer que não é. Então, perdemos tempo com esse balão de ensaio, em expectativas, especulações e em análises de algo que não irá acontecer. Seus fãs e seguidores foram enganados por essa possibilidade, que, de acordo com o próprio Huck, podem contar com ele, “mas não como candidato a presidente”. Era tudo brincadeira, um joguinho que se acha inocente. Francamente, todos querem, até mesmo quem nunca foi, jogar e abusar da ingenuidade e boa-fé dos brasileiros.

A gente que acompanha esse mundo das vaidades políticas sabe que, daqui pra frente, será assim mesmo. Todos se arvoram de que podem fazer alguma coisa e que farão, mas, depois, mudam de ideia. Por isso, não conseguiremos fazer uma análise completa e precisa do que vai acontecer nas eleições presidenciais e estaduais do ano que vem, porque, até 31 de março (data de tristes lembranças), os políticos terão que definir a filiação partidária, o domicílio eleitoral e até as saídas de cargos de secretários e ministros, de acordo com a chamada desincompatibilização, para quem deseja disputar as eleições do ano que vem. Essas definições ajudarão a enxergar os possíveis candidatos e possíveis alianças, mesmo assim, sujeitas a mudanças até o prazo final de registro de candidaturas (junho do ano que vem).

Até lá, muita gente vai vender uma coisa e entregar outra, jogar pra cima e ver se cola. No caso do Huck, provavelmente irá sair ganhando após tanta repercussão e projeção. Na hora de refazer seus contratos com patrocinadores e a rede de televisão deverá valorizar a permanência e multiplicar seus ganhos.

Contagem regressiva para nova Previdência

O governo Temer tem apenas 20 dias para fazer aquilo que não conseguiu fazer em um ano e meio de gestão. No dia 22 de dezembro, o Congresso Nacional vai parar, entrar em recesso, com retorno para depois do carnaval, já pensando nas eleições do ano que vem. Aí, pode jogar a tolha. Vai ficar difícil encontrar deputado federal e senador em Brasília para votar algo que a população não quer, não deseja e não foi consultada nas urnas de 2014.

O presidente Temer deixou o hospital, agora desobstruído nas artérias, mas vai encontrar muitas obstruções no Congresso. Ele tenta o impossível que é conseguir os votos necessários (no mínimo, 308 deputados federais) para tentar aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano.

O clima político até melhorou depois que parou de brigar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), mas ainda não trouxe resultados práticos. O centrão, que é o conjunto dos partidos pequenos e médios da Câmara, está cobrando um preço muito alto para aprovar contra os riscos de reprovação popular.

Antes disso, O governo precisa aprovar nesta semana uma série de medidas provisórias para o ajuste das contas públicas ajustadas. Nesta terça (28), vence o prazo de validade de 7 delas. Se a coisa continuar obstruída, melhor Temer voltar para o Sírio-Libanês e tentar uma angioplastia política de emergência.

Escolas especiais não serão fechadas em Minas

Com cartazes em punho, dezenas de professores e pais de alunos com deficiência protestaram, no Auditório da Assembleia Legislativa, contra a política de inclusão desses estudantes em escolas da rede regular de ensino no Estado, durante audiência pública, na sexta (24).

Presente à audiência da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a subsecretária de Estado de Educação Básica, Augusta Mendonça, afirmou que as escolas especiais não serão fechadas.

Os pais não ficaram convencidos. Uma mãe disse que foi impedida de matricular seu filho na Escola Estadual de Educação Especial Francisco Sales, em Belo Horizonte. Como ela, outros narraram desfecho semelhante, sendo orientados a inscrever o filho em uma unidade da rede regular.

“Quem do governo foi às escolas regulares averiguar a quantidade de alunos incluídos que já abandonaram os estudos?”, questionou Maria José Neves, que atuou por mais de 20 anos na Escola Estadual Padre Pascoal Berardo, em Monte Santo de Minas (Sul de Minas). Segundo ela, há escolas doando materiais, em vista do iminente fechamento, e que representantes das instituições de ensino foram pressionados a não comparecer à audiência.

O deputado Duarte Bechir (PSD), presidente da comissão, informou que, em visita à secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, ela lhe assegurou a disposição do Executivo em valorizar essas escolas.

Oficiais da PM são reconvocados na Assembleia

A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa reconvocou oficiais da Polícia Militar para prestar esclarecimentos, nesta terça-feira (28), em audiência pública, sobre irregularidades ocorridas na 6ª Companhia do 1º Batalhão da PM, em BH. O comandante da companhia, major Renato Salgado Cintra Gil, e o comandante do batalhão, tenente-coronel Eduardo Felisberto Alves, não compareceram às anteriores, por isso, estão sendo convocados pela quarta vez.

As irregularidades seriam o desvio de funções, o descumprimento da escala de serviço, além de condições insalubres. Durante visita ao local, a Comissão constatou que três sargentos e dois cabos trabalhavam como serventes de pedreiro em uma obra dentro da companhia. “Eles deveriam estar na rua, prestando serviço de segurança para a população”, afirmou Sargento Rodrigues.

 

(*) Jornalista político; leia mais no www.blogdoorion.com.br

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Orion Teixeira

Orion Teixeira

*Jornalista político, Orion Teixeira recorre a sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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