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Advogado que tentou matar a ex no Buritis será levado a júri popular; homem tem histórico de agressões

Será levado a júri popular o advogado Demétrio Antônio Vargas de Mattos, que tentou matar a ex-companheira no bairro Buritis na região Oeste de Belo Horizonte, em abril deste ano. De acordo com o Ministério Público (MP), o que motivou a tentativa de homicídio foi o fato de o homem não aceitar o término do relacionamento entre eles.

A decisão de terminar a relação foi tomada, ainda segundo o MP, pelo contexto de violência doméstica que o acusado impunha à vítima, “com ameaças, agressões físicas e psicológicas”. A denúncia consta que a tentativa de homicídio aconteceu na portaria do prédio no qual a vítima morava. O advogado foi à casa da vítima para buscar alguns pertences. Quando eles se encontraram na portaria, o homem surpreendeu a ex com socos e chutes. Após derrubá-la com uma rasteira, pisou por todo o corpo da mulher, inclusive na cabeça dela.

Algumas pessoas testemunharam as agressões e socorreram a vítima, que estava desacordada. Na sequência ele fugiu do local.

A defesa do acusado pediu que o crime não fosse classificado como doloso contra a vida e o envio do processo para as varas criminais com competência para julgar os crimes previstos na Lei Maria da Penha. Alternativamente, pediu a exclusão das qualificadoras do meio cruel e do recurso que dificultou a defesa da vítima, incluídas na denúncia pelo MP.

O juiz Ricardo Sávio de Oliveira negou os pedidos da defesa e ainda destacou que o crime caracteriza feminicídio. “Ressalte-se que, durante o relacionamento amoroso, o réu impunha à vítima cenário de violência doméstica, com constantes ameaças e agressões”, afirmou.

Histórico de violência

Histórico de violência

O Bhaz obteve acesso a seis boletins de ocorrência registrados junto à Polícia Militar em que Demétrio aparece como autor de lesão corporal contra mulheres, a maioria delas ex-namoradas. O primeiro caso foi denunciado em 2005, quando ele agrediu a então companheira de 47 anos. Na época, a mulher e o advogado foram levados para uma delegacia. E nem mesmo a presença de policiais impediu que ele partisse para cima dela. No meio da confusão o homem ainda feriu um soldado, que sofreu cortes nas duas mãos e luxação na perna esquerda.

Já em 2007, Mattos quebrou o nariz da ex-namorada, que tinha 44 anos. A mulher levou vários socos no rosto e precisou fazer uma cirurgia de reparação. Os dois estavam dentro do carro dela, no bairro Santo Antônio, quando a agressão ocorreu. No ano seguinte, em 2008, a mesma vítima procurou as autoridades para contar ter sido novamente alvo dele. Da segunda vez, o homem correu atrás dela e, ao perceber que não a alcançaria, usou uma chave para riscar o veículo.

Arquivo pessoal

Demétrio ainda foi detido em 2007 por portar crack, segundo a PM. Câmeras do Olho Vivo o flagraram comprando a droga no aglomerado Pedreira Prado Lopes, na região Noroeste de BH. Ele tentou fugir, mas foi perseguido por policiais e tentou se livrar da abordagem justificando ser advogado. O homem prestou esclarecimentos em uma delegacia e foi liberado em seguida.

Durante uma viagem para o Rio de Janeiro, Mattos deu chutes e empurrões em outra mulher com quem se relacionava. Aos policiais, ela disse ter caído e se machucado após ser agredida por ele. O homem também quebrou a porta do quarto onde os dois estavam hospedados e a ameaçou de morte pelo telefone. O caso ocorreu em 2010. No ano seguinte, em 2011, foi a irmã de Demétrio quem procurou a PM para registrar boletim de ocorrência contra ele. A vítima explicou ter apanhado quando os dois se desentenderam. Ela levou puxões de cabelo, socos, chutes e joelhadas. Quatro anos depois, em 2015, ele descumpriu uma ordem judicial que o obrigava a ficar distante de outra ex-namorada e a mulher o denunciou à polícia.

Com  TJMG

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