Home Carreiras SINE: Entenda as dificuldades de se conseguir emprego

SINE: Entenda as dificuldades de se conseguir emprego

Em dias de chuva, costumamos ouvir que Belo Horizonte não está preparada para receber nem uma gota dos céus. Tudo para. E é tudo mesmo. O trânsito, a internet e até o sinal de televisão. Enfrentei todas essas questões antes de chegar ao coração da cidade: a Praça Sete de Setembro.

Já no Centro, com passos apressados para fugir da chuva, bailei entre os vários comerciantes e pedestres que trafegavam por ali e cheguei ao Sine, no quarteirão entre a rua Carijós e a avenida Amazonas. Fui me candidatar a vagas de emprego e fiquei surpresa com o lugar vazio. Pensei que não fosse demorar, mas meu sorriso durou pouco. “O sistema está fora do ar”, ouvi. Isso explicava a meia dúzia de pessoas que ocupavam as cadeiras de espera.

Eliza Dinah/Bhaz

Retornei no dia seguinte, era sexta feira, 24 de novembro. Já sem chuva e ainda mais cedo: quase 11h apontava meu relógio logo quando cheguei. Em um relance, percebi como aquele prédio é bonito e retrô. E estava cheio, como esperado. Uma fila com 22 pessoas à minha esquerda. À minha direita, pelo menos outras 19. Fiquei por cerca de 20 minutos na menor delas até chegar minha vez. “Carteira de trabalho por favor”. Entreguei sem muita conversa. “Ok, pode se sentar ali”, apontou a moça ao me entregar meu documento. O espaço já não tinha mais cadeiras disponíveis. Me juntei ao grupo de quase 100 pessoas e aguardei por mais de 2 horas.

Quando o painel apitou pela primeira vez, eu estava tão atrás que não enxergava quase nada. Por alguns minutos pensei que logo logo seria minha vez, até que a ficha caiu: minha senha era a RF254 e haviam acabado de chamar pela RF160. Quase 100 pessoas haviam chegado antes de mim. Isso sem contar os prioritários. Com o tempo de sobra, li e reli naquele mesmo painel, várias vezes, quais eram os serviços disponibilizados: Atestado de antecedentes criminais, emissão de carteira de identidade, seguro desemprego e, claro, intermediação de emprego.

Eliza Dinah/Bhaz

Faltava 1 minuto para 12h30 quando minha senha foi chamada. Pouco antes percebi a existência de 35 guichês de atendimento no local, mas pelo menos 10 deles estavam parados. Ao ser atendida, a funcionária demonstrou bom-humor na condução da conversa. “Primeira vez aqui?”, quis saber. Respondi que sim com a cabeça. O silêncio se estendeu, até que o quebrei com uma pergunta. “Cheio aqui né?!”. “Aqui tá vazio hoje. Você não viu nada”, disse para minha surpresa. “Sério?”, questionei ainda sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.

“Você tem que ver quando aqui tá cheio de verdade. Em um dia ‘comum’, a senha 300 e alguma coisa é às 9h. São cerca de 700 pessoas somente na parte da manhã em um dia cheio. Passa dos mil em um dia desses”, explicou me deixando ainda mais impressionada. Ela muda de assunto.

Maria* me pede para citar seis campos que devem ser preenchidos como opções para pretensão de trabalho. Começo com minha área: Jornalismo e Publicidade. Preencho as outras quatro com vendedora, motorista, telemarketing e esteticista. Menos de 20 segundos se passaram até que eu ouvisse: “não há nenhuma vaga para você”. Diante do meu semblante de decepção, tentou me animar: “Não tem vaga moça. Nem para as coisas corriqueiras… Servente de obras, telemarketing, já não tem. Tem gente com bastante experiência como vendedora, mas não tem vaga”, disse.

Experiência, escolaridade, região onde mora e carteira de motorista são alguns dos itens levados em consideração durante o processo. E lá funciona assim: cada pessoa escolhe seis campos de atuação por conta própria. A atendente, então, preenche uma ficha de acordo com as pretensões de trabalho. O sistema confere se seu perfil se encaixa em alguma categoria. Caso role uma “combinação”, uma carta da empresa é entregue e a pessoa consegue uma entrevista. Parece fácil, mas não é.

Cada vaga disponível só pode receber um número máximo de cinco candidatos. Ou seja, os cinco primeiros candidatos que se encaixarem no perfil da vaga são encaminhados para a continuidade do processo. Já os outros não conseguem nem ter acesso à vaga em questão. Caso os primeiros candidatos não sejam aprovados, a vaga volta a ser aberta e o método de captação se repete.

Eliza Dinah/Bhaz

Não é atoa que muitos chegam, mas poucos conseguem. Na Central de Vagas SINE Praça 7, entre maio de 2017 e novembro deste ano, foram disponibilizadas cerca de 2 mil vagas de emprego. O número é considerado inexpressivo perto das 441 mil pessoas desempregadas em BH e região. Conclusão: as vagas do Sine existem, mas a procura é muito maior. Uma dica para tentar sair na frente da concorrência é chegar cedo, mas ainda assim não há garantias.

Aplicativo

Coordenadora da central de vagas em BH e região, Viviane Alves explica que o processo para se candidatar  a um posto se tornou mais simples, sem a necessidade de ir todos os dias aos postos de atendimento. O site empregabrasil.mte.gov.br, acoplado com o aplicativo SINE Fácil, mostra aos interessados vagas de emprego compatíveis com o perfil de cada um. Funciona da seguinte maneira: cadastre no aplicativo ou no site, preencha os dados básicos no sistema, e depois vá ao posto sine para habilitar o cadastro. Depois disso, é só se candidatar ao encontrar vagas acessíveis para o seu perfil.

Elisa Dinah/Bhaz

Sine.com.br

O site sine.com.br confunde muita gente quando o assunto é buscar vagas de emprego. O nome é idêntico, a função é similar ao do Sine, mas as coincidências param por aí. O Sine.com.br já possui, inclusive, processos de investigação que questionam o uso da sigla, que na definição original é “Sistema Nacional de Emprego”, ao contrário “Site Nacional de Empregos” apresentado no endereço. “Infelizmente ainda não conseguimos tirar esse site do ar. Eles não podem usar essa sigla”, explica Viviane Alves.

Ou seja, o empregabrasil.mte.gov.br é o site oficial do Governo Federal e o sine.com.br (Site Nacional de Empregos) trata-se de uma iniciativa particular. O site foi criado em 2000 e busca contribuir socialmente com o mercado de trabalho, promovendo o contato direto entre pessoas que buscam uma vaga de emprego e empresas que precisam contratar.

“O site não possui nenhuma ligação com o Governo Federal. Essa informação está claramente divulgada na página. No entanto, possui parceria com inúmeros postos de atendimento do governo, pois em conjunto trabalhamos para ajudar os desempregados. Entendemos que o papel social das agências de emprego deve transpor qualquer discussão entre o serviço público e o privado” esclarece Elaine Wacheski, supervisora do site.

Reprodução/Sine

São mais de 3 mil novas vagas por dia publicadas no site. Entre elas, destacam-se companhias como a Allis, Ambev, a Samsung, a Rede Walmart, a Randstad e a Adecco. As inserções, atualizações e contratações são realizadas pelas próprias empresas por meio de seus recrutadores ou através de captação automática com sites parceiros.

A respeito da falta de retorno para as pessoas que se cadastram no site, Elaine explica: “gostaríamos de ter uma vaga disponível para todas as pessoas que cadastram o currículo em nosso site, porém são mais de 11 milhões de candidatos cadastrados para apenas 900 mil vagas. Com o cenário de desemprego, algumas vagas chegam a ter mais de 1.000 candidaturas para um único posto de trabalho.  Infelizmente muitos ficarão sem retorno”.

Brasil perde 12 mil vagas de emprego em novembro

O saldo de empregos formais no Brasil em novembro ficou negativo, com redução de 12.292 vagas. Em relação a outubro, houve redução de 0,03%, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho. Os dados já consideram as novas formas de contratação estabelecidas na reforma trabalhista.

Segundo o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, em novembro há uma tendência de saldo negativo do emprego. Ele argumentou, entretanto, que esse resultado não indica interrupção no processo de retomada do crescimento econômico, com criação de postos de trabalho. “Nos 11 meses do ano, oito foram positivos [com geração de emprego]”, disse Nogueira.

O resultado de novembro considera 1.111.798 de admissões contra 1.124.090 de desligamentos. No acumulado do ano, o saldo é de 299.635 empregos, com expansão de 0,78% em relação a dezembro de 2016.

Nos últimos 12 meses, o saldo é negativo, com redução de 178.528 postos de trabalho, uma retração de 0,46%.

Em novembro, o comércio foi o único setor que registrou saldo positivo (tanto atacadista quanto varejista), com a criação de mais de 68 mil vagas. Segundo o Minstério do Trabalho, as festas de fim de ano, que aqueceram as vendas, foram o motivo desse resultado.

A indústria de transformação registrou saldo negativo de 29.006 empregos. A construção civil reduziu 22.826 vagas. O setor agropecuária gerou saldo negativo de 21.761 vagas. O setor de serviços também apresentou saldo negativo de 2.972 vagas.

Regiões

A região que mais criou vagas formais em novembro foi a Sul, com 15.181 postos. A Região Nordeste abriu 3.758 vagas. As demais regiões registraram saldo negativo: Sudeste (-16.421), Centro Oeste (-14.412) e Norte (-398).

Salários

Em novembro, o salário médio de admissão no país ficou em R$ 1.470,08, enquanto o de demissão foi de R$ 1.675,58. Na comparação com outubro, houve aumento de 0,39% no salário de contratação e de 0,02% no de demissão.

Projeção

A projeção do Ministério do Trabalho é que em 2018, com o crescimento da economia (o Produto Interno Bruto – PIB) em 3%, devem ser criados 1.781.930 empregos formais até o fim do ano, na comparação com o mesmo período de 2017.

O ministério também divulgou uma estimativa mais otimista considerando o crescimento do PIB de 3,5%, com a criação, no próximo ano, de 2.002.945 vagas.

Com Agência Brasil

Comentários

Eliza Dinah

Jornalista e redatora do portal Bhaz

Carregar mais em Carreiras