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Pablito, o neo-tucano

Fui surpreendido ontem por uma coluna de um vereador no jornal Estado de Minas defendendo “o valor dos partidos”. Até aí tudo bem, afinal de contas, o papel de um político profissional é mesmo defender o valor dos partidos. O curioso é ver esta defesa tão calorosa da fidelidade partidária ser assinada por Pablo César, o Pablito, um vereador que já esteve em pelo menos três partidos, e que  chegou a usar um subterfúgio para evitar a perda de mandato e dobrar a regra da fidelidade partidária.

Pablito parece conhecer bem das regras e, principalmente, das brechas da nossa política partidária. Assim, mesmo tendo sido da juventude do PMDB, um partido grande, resolveu se candidatar pela primeira vez através do PTC, um partido “nanico” onde tinha mais chance de ser eleito mesmo com menos votos. Segundo o mesmo Estado de Minas, depois de eleito pela primeira vez Pablito cancelou sua filiação e fez um acordo de cavalheiros para evitar que o PTC reivindicasse sua vaga. Tanto o partido quando seu vice inexplicavelmente “perderam” a data para reivindicar a vaga. Pablito não se fez de rogado: mesmo depois de sair do partido continuou a usar do “tempo de liderança partidária” em seus discursos. Hoje Pablito está no PSDB, um partido maior e com mais legitimidade, mas até quando?

O vereador ainda termina sua coluna louvando, na maior desfaçatez, a participação popular e concluindo com “todo poder emana do povo”. Chega a ser intrigante ver um vereador que já usou seu segurança particular para intimidar uma cidadã que assistia indignada a uma reunião da Câmara, e que depois ainda ousou ligar para a vítima para dizer que “seria melhor” que ela parasse de denunciar o abuso na internet, louvar a participação popular. E mais intrigante ainda ver um vereador que abusou da farra das notas fiscais para receber reembolsos até doze vezes maiores da Câmara Municipal, escrever uma longa coluna tratando de ética e de interesses coletivos.

A verdade é que a coluna de Pablito não é movida pela coerência ou pela ética, mas pelo ressentimento dos perdedores. Pablito era o pré-candidato de Aécio Neves para a presidência da Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte, mas seus planos foram frustrados pela completa falta de legitimidade do vereador entre seus pares e pela incompetência política para costurar consensos. O vereador ignorou a costura entre seus colegas se agarrando ao ditado “quem tem padrinho não morre pagão” como se fosse a última tábua de salvação. Pablito acabou por ser duplamente rejeitado: não teve lugar nem na candidatura oficial do PSDB apoiada pelo prefeito Marcio Lacerda, concedida ao pastor Henrique Braga, nem na candidatura alternativa de Léo Burguês, também do PSDB mas correndo por fora e sem nenhum apoio da prefeitura. Restou ao neo-tucano, portanto, o choro e o ressentimento dos incompetentes.

Mas nem tudo são tristezas e, quem sabe, talvez Pablito tenha aprendido uma grande lição nesse início de 2013: que o mérito nem sempre pode ser substituído pela habilidade de cair no gosto dos poderosos.

* Pedro Guadalupe é editor de política do portal BHAZ.

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