Home Notícias BH Após confusão entre fiéis na Igreja do Carmo, frei divulga texto e nega ter organizado protesto

Após confusão entre fiéis na Igreja do Carmo, frei divulga texto e nega ter organizado protesto

Diante da repercussão do protesto que marcou a manhã do último domingo (26) na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte, frei Cláudio van Balen decidiu quebrar o silêncio e divulgou um texto no qual nega ter orquestrado a confusão entre fiéis. Ele se tornou pivô da polêmica após a divulgação de um vídeo do bate-boca que aconteceu logo no início da missa das 11 horas, tradicionalmente celebrada pelo religioso. No último fim de semana, o sacerdote não estava em Belo Horizonte e, em caráter especial, o pároco frei Evaldo Xavier Gomes, recém-eleito prior provincial (superior) da Ordem dos Carmelitas no Brasil para as regiões Sul e Sudeste, assumiu o comando do culto católico.

A mudança revoltou um grupo de devotos, que estão sendo chamados “claudianos”. Eles tentaram impedir a realização da missa de ação de graças, que acabou sendo suspensa pela Arquidiocese de Belo Horizonte e pela Ordem dos Carmelitas por tempo indeterminado após a confusão. Apontado por alguns como responsável pelo protesto, frei Cláudio, de 80 anos, explicou no texto que no último domingo estava acompanhando um casal amigo em uma visita à sua residência fora de BH.

“Nada disso foi planejado. O que houve foi uma explosão emocional por parte de fiéis, que estranharam a presença, previamente não anunciada, do pároco frei Evaldo. Fui informado por terceiros de que estaria liberado da celebração”, escreveu.

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A paróquia, localizada no bairro do Carmo, na região Centro-Sul da Capital mineira, informou que o frei não participaria apenas da missa dominical no último fim de semana. A celebração especial teria sido organizada para comunicar o nome do novo pároco, padre Wilson da Mota Fernandes, de 31 anos, e a eleição de frei Evaldo para prior provincial (superior) da Ordem dos Carmelitas no Brasil para as regiões Sul e Sudeste.

Diante da suspensão da missa, frei Cláudio informou que pretende se dedicar, por enquanto, a escrever livros e atuar como psicólogo. O religioso não aceitou a proposta de celebrar o culto das 8 horas. Após um encontro realizado na tarde de quarta-feira (29), frei Evaldo explicou que a suspensão foi uma resposta natural à confusão ocorrida no último fim de semana.

As imagens que mostram alguns fiéis vaiando os padres que tentavam celebrar a missa já foram visualizadas mais de 10 mil vezes no YouTube. No Facebook, devotos de outros estados abriram uma página de evento pedindo frei Cláudio seja excomungado, com base na alegação de que ele representa uma “ameaça à fé católica” por supostamente pregar contra a Igreja. Uma petição com o mesmo objetivo também ganhou força nas redes sociais.

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

O religioso é conhecido por ser partidário da teologia da libertação e ter lutado para ampliar a oferta de serviços de assistência social na Igreja do Carmo. Em 2010, diante de boatos de uma possível transferência, um grupo de fiéis chegou a fazer um abaixo-assinado para que frei Cláudio fosse mantido na paróquia. Divergências sobre como liderar as iniciativas teriam complicado a relação do sacerdote com colegas.

“Desde longa data, nota-se, em boa parte da comunidade, alguma insatisfação. Se antes, durante décadas, os fiéis se acostumaram com uma participação ativa nos trabalhos paroquiais, sempre de comum acordo, hoje se observa certo distanciamento dessa prática. (…) Esse pano de fundo não justifica, mas pode explicar a espontaneidade de uma reação um tanto estranha e, quem sabe, inoportuna, durante a missa”, resumiu frei Cláudio no texto divulgado nesta quarta-feira.

O religioso ainda pediu que os fiéis não façam novas manifestações. Mesmo questionando a falta de diálogo ao se determinar a suspensão a missa dominical das 11 horas, frei Cláudio ressaltou que é preciso respeitar as hierarquias.

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