Home Notícias BH Obra embaixo do viaduto de Santa Tereza levanta nova discussão sobre “política higienista” nas ruas de BH

Obra embaixo do viaduto de Santa Tereza levanta nova discussão sobre “política higienista” nas ruas de BH

Com Roberth Costa

Motoristas e pedestres que circulam pela região Centro-Sul de Belo Horizonte, nesta quinta-feira (30), já percebem mudanças realizadas embaixo do viaduto de Santa Tereza, na altura do bairro Floresta. Para transformar o local em uma área de convivência, nos próximos meses, a Prefeitura da Capital começou a demolir a arquibancada que fica sob a estrutura. Nessa quarta-feira (29), uma equipe deu início às obras que devem ser concluídas ainda este ano.

A medida faz parte das ações de implantação do Circuito de Esportes Radicais de Santa Tereza e Recuperação Estrutural do viaduto. Ao todo, a administração municipal planeja investir R$ 3,3 milhões na iniciativa, que contará com um espaço para skate e bicicletas e uma quadra de basquete, além de um palco com arquibancada. Enquanto as mudanças ocorrem, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) solicitou que integrantes de movimentos sociais e culturais que realizam encontros embaixo do viaduto, como do Duelo de MCs e a Assembleia Popular Horizontal de BH, suspendam suas atividades ou procurem outras áreas para realização das agendas.

viaduto sante
Espaço sob viaduto de Santa Tereza começou a ser revitalizado nessa quarta-feira (29).
Foto: Divulgação/PBH

Além das novas construções, algumas partes da estrutura devem receber melhorias no piso e nova pintura. No entanto, a revitalização causa polêmica, desde o ano passado, porque é considerada “higienista” por alguns grupos sociais. Segundo integrantes de movimentos que defendem os Direitos Humanos, moradores de rua e pessoas consideradas menos favorecidas podem ser impedidas de frequentar o espaço, principalmente na época em que a cidade irá receber os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Para o coordenador do Movimento Nacional de População de Rua em Belo Horizonte Samuel Rodrigues, a revitalização do viaduto pode ser considerada higienista ao passo em que desconsidera a situação atual dos moradores de rua. “A medida ocorre de forma isolada e não vai a fundo na questão dos moradores de rua, que também frequentam o espaço”, disse. “Além de obras e construções, a maior preocupação de qualquer governo deveria ser as pessoas, todas elas, sem distinção”, completou.

Apesar das críticas, a PBH afirma que o objetivo das obras embaixo do viaduto é ampliar a participação popular no local e não o contrario. Ainda segundo a administração municipal, a requalificação do espaço irá possibilitar que moradores da Capital se apropriem dele da melhor maneira possível.

A situação dos moradores de rua em BH ganhou maior visibilidade em julho de 2013, às vésperas da Copa das Confederações. Na época, o Ministério Público de Minas Gerais recebeu uma série de denúncias sobre a existência de uma “política de higienização” das ruas. Nos primeiros seis meses do ano, dezoito moradores de rua foram assassinados na cidade. Calcula-se que atualmente cerca de 2 mil pessoas vivam em praças e viadutos da Capital.

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