Home Notícias BH Medida de segurança da PMMG pode levar manifestantes “perigosos” para trás das grades antes da Copa

Medida de segurança da PMMG pode levar manifestantes “perigosos” para trás das grades antes da Copa

Pessoas com histórico de participação em protestos, consideradas perigosas ou que já tenham passagem pela polícia por vandalismo e crimes relacionados, poderão ser detidas em Belo Horizonte antes da realização dos jogos da Copa do Mundo na cidade. A prisão provisória dos manifestantes está prevista no esquema de segurança que será montado pela Polícia Militar (PM), em conjunto com outras autoridades que atuarão na Capital mineira durante a competição. A medida foi confirmada, nessa terça-feira (11), por representantes da corporação, que estiveram presentes em uma reunião realizada na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL/BH).

De acordo com o assessor de Segurança e Inteligência da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), coronel Wilson Chagas, as estratégias de segurança da PM para o evento esportivo estarão focadas em diferentes áreas. Entre elas estão manifestações públicas, atendimento regular da população e ações para contenção de crises. Ao todo, mais de sete mil policiais irão trabalhar em conjunto, por meio do Centro Integrado de Comando e Controle. O espaço tem como objeto compartilhar informações das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, além de órgãos federais. Serão 32 instituições reunidas.

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Evento na CDL reuniu representantes das policias Civil e Militar, além de lojistas.
Foto: Reprodução/CDL-BH

Já o Gestor Estratégico da Copa pela PM, coronel Antônio Bettoni, explicou que as prisões preventivas serão baseadas nos artigos 311 e 312 do Código de Processo Penal. A partir disso, autoridades responsáveis serão acionadas para colocar em prática a retirada dos manifestantes “perigosos” das ruas antes dos jogos que serão realizados em Belo Horizonte. Os principais alvos são pessoas que respondem por crimes cometidos nos protestos de junho do ano passado. No período, quando aconteceu a Copa das Confederações, 176 manifestantes foram identificados e qualificadas pela Polícia Civil. A corporação chegou a indiciar 59 suspeitos por vandalismo, furto, formação de quadrilha e dano ao patrimônio.

A tática das autoridades, no entanto, já é contestada por representantes de órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Ministério Público mineiro (MPMG) e de movimentos ligados à defesa dos Direitos Humanos. As entidades devem argumentar contra a medida porque infratores só podem ser presos, de forma preventiva, diante de provas que confirmem que eles voltarão a cometer crimes.

Ainda durante a reunião, a Polícia Militar lembrou que contará com novos equipamentos nas intervenções durante as manifestações populares no período da Copa do Mundo. Serão utilizados helicópteros com câmeras, uma plataforma elevada capaz de registrar imagens em 360º, além de 150 viaturas com tecnologia móvel para registro de ocorrências nos locais de atuação. Equipamentos antibomba, balas de borracha e pistolas de emissão de impulso elétrico também foram compradas para o evento esportivo. Além disso, o estádio Mineirão, localizado na região da Pampulha, e as principais vias de acesso a ele contarão com mais de 100 câmeras de monitoramento.

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