Home DestaqueXuxa responde deputado com gesto irônico após ser hostilizada por filme erótico

Xuxa responde deputado com gesto irônico após ser hostilizada por filme erótico

A apresentadora Xuxa, de 51 anos, foi hostilizada na Câmara dos Deputados, na manhã desta quarta-feira (21), enquanto acompanhava uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça. A artista estava com a ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, quando os parlamentares discutiam a redação final da chamada “Lei da Palmada”, que proíbe aplicação de castigos físicos a menores de idade. O texto propõe alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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Pastor Eurico hostilizou Xuxa durante sessão na Câmara dos Deputados.
Fotos: Divulgação/Câmara – Globo

Em determinado momento da reunião, o deputado pastor Eurico se irritou com a presença da apresentadora afirmando que a atitude dela era um “desrespeito às famílias do Brasil”. “A conhecida Rainha dos Baixinhos, que no ano de 1982 provocou a maior violência contra as crianças”, disse, lembrando o filme “Amor estranho amor”, no qual Xuxa contracena com um menino de 12 anos.

A postura do parlamentar, que integra a bancada evangélica, se transformou em alvo de críticas ao fim da sessão. Alguns deputados demonstraram repúdio e classificaram a fala como uma “violência inaceitável”. Já a Rainha dos Baixinhos não se alterou. Ela fez um sinal com às mãos para o deputado, em referência a um coração, e deixou a Casa quando a sessão terminou. Em 2013, uma produtora foi proibida pela Justiça de lançar o longa.

Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados

A votação da Lei da Palmada foi deixada para a próxima sessão. Ao ser informado da situação, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), sugeriu um acordo. A análise do texto deverá ser concluída o mais rápido possível. Além de proibir castigos físicos, a proposta ainda diz que o Conselho Tutelar, “sem prejuízo de outras providências legais”, deverá aplicar  medidas aos pais ou responsáveis por agressões a menores.  Entre as ações estão, “encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família, encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico encaminhamento a cursos ou programas de orientação, advertência ou obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado”. Assistentes sociais também são citados, já que devem informar casos suspeitos às autoridades.

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Amor estranho amor causa polêmica por cenas de nudez e sexo com menor de idade.
Foto: Reprodução/Blogdosfilmes

A medida, no entanto, sofre resistência de deputados que integram a chamada bancada evangélica, entre eles, pastor Eurico. No ano passado, parlamentares evangélicos conseguiram o projeto da pauta do colegiado várias vezes. “As denúncias que se trazem para convencer são de crime com tipificação no Código Penal. O Estado não consegue aplicar a política de combate ao crime e querem impor o rótulo (de violência) na família”, disse o deputado Marcos Rogério (PDT-RO).

Já o relator da proposta, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), afirma, por outro lado, que o objetivo é proteger as crianças e adolescentes contra graves tipos de violência. “O que quer se combater é o espancamento e a humilhação de crianças e adolescentes”, afirma. “Não posso acreditar que algum parlamentar acredite que a tortura é educativa”, completou.

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