Home Notícias BH Debate na UFMG acaba em confusão após estudante exibir camisa do Bolsonaro e saudar o Exército

Debate na UFMG acaba em confusão após estudante exibir camisa do Bolsonaro e saudar o Exército

Um debate realizado durante a última segunda-feira (6), no auditório do Centro Cultural da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), terminou em confusão após o discurso de um estudante gaúcho que apoia a candidatura de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) à Presidência da República. Um vídeo que mostra o rapaz sendo expulso do local já alcançou mais de 2 milhões de visualizações no Facebook. Ele solicitou o direito de fala em uma palestra de Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, que discutia saídas para superar a crise brasileira. Em determinado momento, do púlpito onde estava, o jovem exibiu uma camisa com a foto de seu ídolo político. Pessoas que estavam na plateia interpretaram o ato como uma provocação.

O evento foi organizado pela Fundação Mauricio Grabois (FMG), entidade civil criada pelo PCdoB que promove estudos em diversas áreas e defende pautas progressistas. No vídeo postado no Facebook, é possível ver Felipe Diehl, de 30 anos, sendo empurrado para fora do auditório após exaltar a importância dos militares do Exército na sociedade e tentar levantar uma questão sobre um projeto de lei de Bolsonaro. Durante a confusão, o estudante teve a camisa que usava rasgada.

Outros integrantes de movimentos de direita utilizaram as redes sociais para afirmar que também foram agredidos na saída do evento. Por outro lado, representantes do PCdoB que estavam no local alegam que houve provocação por parte dos autores da denúncia, que apenas teriam sido retirados à força do auditório após se negarem a deixar o espaço.

Em entrevista ao Bhaz, Felipe Diehl, que é um dos fundadores do grupo Direita Gaúcha, afirmou que decidiu ir ao evento apenas por se interessar pelo tema. “Fui até lá para debater e acabei sendo agredido por não concordarem com meu posicionamento. Muitas pessoas usam camisas do Lula e da Dilma, por exemplo. Por que usar camisa do Bolsonaro é uma provocação? Ali não é um espaço de esquerda, é um local do público e, além disso, estava havendo um debate de opiniões”, alegou o estudante.

O presidente da FMG-MG, Edson de Paula, estava mediando a mesa de debate no momento da confusão. Ele explica que, no auditório, a maioria dos participantes era contrária ao posicionamento de Diehl. “Além de demonstrar apoio ao deputado, ele defendeu o regime militar, sabendo que ali haviam pessoas que lutaram contra a ditadura e foram torturados na época. Claramente uma provocação”, diz.

“Após ele tomar aquela atitude, eu tentei acalmar os ânimos, mas as pessoas expulsaram os estudantes do auditório. Fora do espaço, já na rua, eles chegaram às vias de fato. Na verdade, não foi agressão. Foi uma reação ao fato deles entrarem em um espaço de debate e provocarem os presentes”, acrescenta o presidente da FMG-MG.

Apesar do ocorrido, Diehl diz que continuará frequentado palestras e debatendo com a oposição. “Não vamos parar. A direita vai se infiltrar em vários eventos. Até agora, estávamos infiltrados sem se declarar e isso vai ser diferente. Acabou essa história de hegemonia da esquerda. O que aconteceu é só o começo”, afirma.

Essa não é a primeira vez que Felipe se envolve em uma confusão com defensores de pautas progressistas. O estudante já foi expulso do Diretório Acadêmico de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ao usar uma camisa com rosto de Bolsonaro. “É claramente uma perseguição. Basta entrar na página oficial da UFRGS e ver os repúdios que a direita anda sofrendo nas universidades. O reitor é petista e, além disso, professores e acadêmicos ficam difamando e caluniando estudantes de direita”, conta.

Outras agressões

A jornalista Fernanda Salles também relatou ter sido agredida ao sair do evento no Centro Cultural da UFMG. “Algumas pessoas que estavam lá, pediram a nossa saída, mas não estavam deixando a gente sair. Dentro do auditório eu fui agredida e, na saída, foi ainda pior, me jogaram no chão”.

Nas redes sociais, a jornalista publicou fotos de hematomas causados pelas agressões.

A deputada federal Jô Moraes (PCdoB/MG) também estava presente no evento. Pelo Facebook, ela criticou a postura dos integrantes de grupos de direita. “Evidente que criaram um certo tumulto. Essa é a demonstração de que cresce o pensamento fascista na sociedade. Mais de 150 pessoas presentes, três provocadores criam esse clima. Por isso, eu acho que temos que nós temos que ter muita consciência da defesa da democracia e de não entrarmos nessa onda que os fascistas querem”, disse.

A assessoria de imprensa da UFMG informou que a instituição lamenta o ocorrido por entender que a universidade é o espaço de diálogo e debate de ideias.

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