Home Carnaval 2018 Havayanas arrasta 70 mil; tem gaúcho, capixaba, paulista e muito mais; ambulantes comemoram

Havayanas arrasta 70 mil; tem gaúcho, capixaba, paulista e muito mais; ambulantes comemoram

Debaixo um calor de 32°C, mas com sensação térmica de 35°C, o bloco Havayanas Usadas arrastou uma multidão no final da manhã desta segunda-feira (12) no bairro Santa Efigênia. Concentrado às 11h na avenida dos Andradas, o Havayanas Usadas trouxe para o desfile muito laranja e azul com roupas de astronautas, guerreiros espaciais, bambolês e balões coloridos. Tudo para levar os foliões  a uma “viagem intergalática”, com pretendia o tema Chinelactéa, deste ano.

A integrante do bloco Cris Gil,  47 anos, explica que o tema é uma alusão a um mundo apocalíptico. “A música Eva fala do apocalipse e do renascimento da humanidade. Foi uma maneira divertida que encontramos de chamar atenção para o momento que estamos vivendo”, disse. A  abertura do desfile foi ao som de um hino do axé: Eva. A canção conta a história de Eva em busca de um novo mundo no espaço sideral. No estandarte do bloco teve até espaço para o “fora, Temer”.

Segundo uma das organizadoras do bloco, Débora Medeiros, o cortejo atraiu cerca de 70 mil pessoas. Foliões de todas as partes de Belo Horizonte e do Brasil. Pessoas como o gaúcho Francisco Henckes Simonis, 31 anos. Na cidade desde a última sexta-feira (9), ele está apaixonado pela folia na capital. “É meu primeiro Carnaval e estou achando demais. Muito melhor que o de Porto Alegre: as pessoas são animadas, os blocos estão muito animados, é um conjunto de fatores”, explica ele, fantasiado de Havaiana do Tchan e prometendo voltar em 2019.

O mineiro de Ipatinga, mas que mora também em Porto Alegre, Emerson Brito, 31 anos,  veio curtir a folia em BH pelo segundo ano. “Aqui a gente beija muita gente. É muito divertido. Os mineiros são as melhores pessoas, vale a pena”, comenta. No trio, ainda está Giann Carlos Medeiros, 31 anos, que está no repeteco da folia em BH, cidade que, para ele, tem um Carnaval incrível. “Minas é tudo de bom neste Brasil: tem gente boa, comida boa, gente bonita, beijam bem. É bom demais está aqui”.

Os mineiros que moram em Porto Alegre trouxeram o gaúcho para conhecer a festa na capital.

A folia em BH vai  atraindo gente do país inteiro, como a capixaba que mora em São Paulo, mas adora passar o carnaval na cidade, Ludmilla Alves, 26 anos. “O Carnaval daqui é apaixonante. Meu terceiro Carnaval aqui e não troco por outros lugares”, conta a designer, fantasiada de satanás. O bancário Cláudio Duarte Fontaniello, 32 anos, vestido de árabe, é outro folião apaixonado por BH, pois não abre mão de passar o Carnaval na cidade. “É  muito legal ver as pessoas ocupando as ruas. É uma festa linda”, comemora ele, que é natural do sul de Minas e mora em BH há cinco anos.

O paulista Daniel Reigaba está no Carnaval de BH pela primeira vez, ao lado do amigo Márcio Pessoa, que é mineiro, mas mora em São Paulo. “O Carnaval está maravilhoso. Comecei com o ‘Então, Brilha!” e estou aqui, me acabando. Gente é para brilhar”, afirma. Já Reigaba está encantado com a folia. “Eu estou achando bem animado e divertido. Gostando demais”, afirma ele, caminhando ao lado do trio.

Apaixonados pelo Carnaval de BH, foliões vêm de todo Brasil.

O casal Sibele Faria e Daniel Alves estão preste a casar. Por conta do casório e também para economizar, eles decidiram que iam ficar em BH para o curtir o Carnaval este ano. “Ano passado, fomos para Salvador. Foi bom, não posso negar. Mas o Carnaval daqui está muito melhor. A festa de BH não deixa nada a desejar. É maravilhoso. Uma delícia”, afirma a empresária ao lado do futuro marido.

Outro casal que se jogou na folia foi a maquiadora Érika Campolina e o engenheiro eletricista Gustavo Campolina, hoje encarnados de Malévola e Pirata. Antes, ele corriam para folia em cidades da região, como Itabirito, mas agora não arredam o pé da capital. “Aqui está o melhor. Está muita alegria, está tudo lindo”, diz ela. “BH está de parabéns. Está excelente”, completa ele.

Atenta ao deslocamento do bloco pela avenida, Débora Mendes afirma que o Havayanas Usadas está mais bonito que no ano passado. “O desfile está incrível”.  Este é o segundo ano em que o bloco participa do Carnaval da capital. A atração nasceu após uma dissidência do tradicional Baianas Ozadas, que desfilou também na manhã dessa segunda-feira.

Casais noivos e casados felizes dizem que BH não deve nada a outras cidades, como Salvador.

Movimento de foliões faz a alegria dos ambulantes

O dono do food truck Thiago Miranda Coelho está satisfeito com o movimento. “Estamos vendendo bastante. Este é o nosso quarto ano. Estou achando que neste ano está melhor que os outros. A animação está grande e as vendas estão ótimas”,  comemora ele entre um pedido e outro, enquanto o Havayanas vai passando.

Já sem voz, o ambulante Wanderson Martins Ferreira, 32 anos, arrasta seu carrinho de bebidas pelo trajeto do bloco, ou melhor dos blocos. Ele está na rua desde quarta-feira (7) quando foi ao Bloco Chama o Síndico, e faltando dois dias para o final da festa, ele comemora o aumento do volume de vendas. Sem revelar valores, afirma categoricamente que está vendendo muita cerveja e catuaba. “Graças a Deus, está maravilhoso! Deu mais público do que esperávamos. Todo dia tem que comprar mais bebida”, conta ele, que está no quarto carnaval. “BH está de parabéns. Agora somos destino da folia também”, comemora.

Feliz com o movimento de venda no Food Truck, Thiago é só alegria

Caiu no Arrudas

Sem registrar problemas, o bloco desfilou às margens do ribeirão Arrudas, na Avenida dos Andradas, até a estação Horto. Ao público, os cantores do Havayanas Usadas pediram que os foliões não ultrapassassem a grade de proteção colocada por todo o trajeto. Mas, do outro lado da avenida dos Andradas, na altura do bairro Pompéia, sentido centro, um homem caiu no leito do Arrudas, enquanto o bloco passava. O Corpo de Bombeiros agiu rápido para retirar Bruno dos Santos, 40 anos. Segundo informou a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, ele mora na rua e estava com sinais de embriaguez. Devido à queda, ele teve um corte na cabeça, com suspeita de fratura na perna, e foi encaminhado ao Hospital João XXIII. Assista ao vídeo no final.

Preocupados com a segurança dos foliões o  Corpo de Bombeiros vetou o trajeto de vários blocos por passarem por locais considerados arriscados e estarem próximos a rios e ribeirões. O cortejo  do Havayanas, porém, foi previamente acordado com os bombeiros e a Belotur.  No quesito “segurança”, o bloco ainda separou  um espaço para foliões com crianças e pessoas com mobilidade reduzida, batizado de “cometinha” .

Veja a galeria de fotos de Maick Hannder/Bhaz

Jefferson Lorentz

Jefferson Lorentz

Jeff Lorentz é jornalista e trabalhou como repórter de pautas especiais para o portal Bhaz.

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