Home Colunas [Coluna do Orion] Polarização entre PT e PSDB deverá travar a 3ª via na sucessão mineira

[Coluna do Orion] Polarização entre PT e PSDB deverá travar a 3ª via na sucessão mineira

A decisão do senador tucano Antonio Anastasia de aceitar disputar o governo mineiro novamente provocou uma reviravolta no quadro sucessório eleitoral. Com isso, há uma forte tendência de reedição da polarização dos últimos 16 anos em Minas, e dos últimos 24 anos no país, entre, de um lado, o PT e aliados e, do outro, o PSDB e aliados.

E o tom do confronto já começou. Antes mesmo do anúncio oficial do PSDB, o secretário de Governo, Odair Cunha (PT), que cuida da articulação política da administração estadual, já lançou um desafio ao tucano, cobrando-lhe explicações pelo alto déficit de R$ 8 bilhões deixado no Estado após 11 anos de tucanato. De acordo com Cunha, essa “herança maldita” teria sido resultado das “escolhas equivocadas dos governos tucanos”. E apontou, como exemplo, a construção da Cidade Administrativa, a nova sede do governo estadual, ao custo de R$ 2 bilhões, em vez de priorizar o reajuste dos professores, e a concessão de reajustes, como o das polícias Militar e Civil sem previsão orçamentária.

O ex-governador Alberto Pinto Coelho, que foi vice de Anastasia e assumiu o governo durante oito meses, em 2014, rebateu a crítica e disse que as contas do governo foram aprovadas pelo Banco Central, que, à época, era chefiado pelo governo petista de Dilma Rousseff, e pelo Tribunal de Contas do Estado. “Falta só o plenário da Assembleia Legislativa”.

A polarização chega exatamente no momento em que integrantes da terceira via, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB), começava a capitalizar os consecutivos rachas no campo da oposição por falta de uma liderança forte. A novidade (Anastasia) tende a reaglutinar esse campo e a dificultar o crescimento da terceira via. Outro nome que poderá ficar afetado é o do deputado federal Rodrigo Pacheco, que, ontem, deixou o MDB e se filiou ao DEM para ser candidato a governador. Como os dois, Dinis Pinheiro, que se filia ao Solidariedade nesta semana, deverá repensar as estratégias ou até mesmo a candidatura. Há uma possibilidade de esvaziamento das três pré-candidaturas, caso não consigam segurar os apoios políticos.

Anastasia deverá reagregar a oposição, e outra parte manterá o apoio ao PT do governador Fernando Pimentel. O PP, por exemplo que traiu Dinis Pinheiro, que era pré-candidato, para apoiar Rodrigo Pacheco, já avisou que, agora, irá de Anastasia. Hoje, há sete pré-candidatos a governador, contabilizando ainda as pré-candidaturas do empresário Romeu Zema, do Partido Novo, e do sociólogo João Batista Mares Gia, do Rede, que não devem sofrer a influência direta da bipolarização.

A partir dessas novidades, o momento não é de novas definições. Após as filiações e mudanças de partidos (no dia 6 de abril), o quadro se acomoda até junho, quando então as conversas irão tomar o rumo das composições partidárias e políticas. Aí, nessa hora, quem era pré-candidato a governador poderá virar pré-candidato a vice ou a senador.

Anastasia quer desvincular-se de Aécio

Ao aceitar ser pré-candidato, o tucano Antonio Anastasia reviu sua posição por duas razões principais. Primeiro, para evitar o desmanche do PSDB, com a ameaça de debandada para outros partidos no próximo dia 6 de abril, prazo final de filiações e mudanças partidárias. Sem um candidato a governador forte, puxador de votos, e com os desgastes acumulados pelas acusações de corrupção que envolvem o senador e ex-líder tucano Aécio Neves, deputados buscavam alternativas para não perder o mandato. Outra razão é o contexto nacional, no qual surge a candidatura a presidente do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que esteve aqui há 15 dias e fez fortes apelos ao senador.

Tudo somado, o pré-candidato do PSDB impôs algumas condições. A de que terá autonomia para montar a equipe e a chapa com a qual disputará a eleição. Traduzindo, sem a interferência e imposições do senador Aécio Neves e sua irmã, Andrea. Ou seja, Aécio não deverá integrar chapa como candidato à reeleição ao Senado. Anastasia deixou essa bomba para os aliados e embarcou para o exterior, de onde voltará somente em abril. Ou seja, restará a Aécio disputar uma vaga para deputado federal ou dar um tempo na política, para se defender junto aos tribunais das graves acusações que pesam contra ele.

(*) Jornalista político; leia mais no www.blogdoorion.com.br

Orion Teixeira

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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