Home Notícias Brasil Estudantes de medicina e residentes poderão ter apoio psiquiátrico gratuito

Estudantes de medicina e residentes poderão ter apoio psiquiátrico gratuito

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, na última quarta-feira (11), projeto da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE) que dá a médicos residentes e a alunos de Medicina direito a assistência psiquiátrica e psicológica gratuita por parte das instituições a que estejam vinculados. A decisão foi terminativa e, por isso, a proposta (PLS 157/2017) pode seguir à Câmara dos Deputados se não houver recurso para análise pelo Plenário.

Em Belo Horizonte, o Bhaz divulgou, em novembro do ano passado, dois casos de suicídio na Faminas. Depois, um novo caso em fevereiro e outro em março, na mesma instituição. Os alunos reclamam da pressão sofrida durante o curso, a rotina estressante e o descaso da universidade em relação a saúde mental.

A relatora do projeto, senadora Lídice da Mata (PSB-BA), lembrou que questões relacionadas à depressão e ao suicídio entre estudantes de Medicina foi tema do 2º Encontro Nacional de Conselhos de Medicina, em 2016.

Lídice citou a psiquiatra Alexandrina Meleiro, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que apontou durante o encontro estudos internacionais indicando que a proporção de médicos que se suicidam é cinco vezes superior que a proporção média de suicídios da população em geral.

A senadora também mencionou um estudo da psicóloga Fernanda Brenneisen Mayer, da Universidade de São Paulo (USP), que envolveu 1.350 estudantes de Medicina de 22 escolas médicas do país. Esse levantamento demonstrou que 41% dos estudantes apresentavam sintomas depressivos e 81,7%, estado de ansiedade. Outros sintomas frequentemente relatados foram distúrbios do sono, irritabilidade, cansaço e elevada autocobrança.

A proposta da senadora Maria do Carmo foi apresentada em abril do ano passado. Na ocasião, ela citou reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” relatando seis tentativas de suicídio num espaço de quatro meses entre estudantes de Medicina da USP.

“Reportagens sobre o tema têm demonstrado que os estudantes, muitas vezes, sentem-se frustrados por não terem a quem recorrer. O sentimento de desamparo favorece o aprofundamento da ansiedade e da depressão, cuja gravidade pode motivar o suicídio”, escreveu Maria do Carmo na justificação da proposta.

Suicídios em outros cursos de BH

Através das redes sociais, estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) demostram preocupação com os casos de suicídio na universidade. Em maio do ano passado, foram duas mortes por esta causa e uma tentativa.

Na semana passada, no domingo (8), um aluno de engenharia civil tirou a própria vida. Ainda na mesma semana, um aluno de medicina veterinária também cometeu suicídio. Pelas redes sociais, os alunos pedem explicações da universidade e uma maior discussão sobre saúde mental.

Em nota, os reitores da UFMG, Sandra Goulart Almeida e Alessandro Moreira lamentaram os suicídios desta semana e prestaram condolências aos familiares e amigos das vítimas. A instituição ainda reafirma os preceitos da UFMG “previstos em suas políticas de Direitos Humanos e de Assistência Estudantil de se construir, com a participação de toda a comunidade universitária, como uma instituição acolhedora, flexível, inclusiva e solidária”.

Ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também ajuda com suporte a pessoas que precisem. Você pode entrar em contato pelo número 141 ou pelo site da CVV. O atendimento é feito via chat, email, Skype, 24 horas por dia. Tudo feito sob sigilo.

Com Agência Senado

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Vitor Fernandes

Vitor Fernandes

Jornalista e redator no Portal Bhaz

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