Faltam três dias da Copa do Mundo da Rússia, a população de Belo Horizonte ainda está ressabiada em apoiar ou não a seleção. Pelas ruas do Centro pouco se vê das camisas amarelinhas e, nas conversas de esquinas, a maioria dos torcedores vão aguardar a competição começar para apostar as fichas no Brasil.

Mas, quem espera um bom rendimento financeiro do evento mundial é o comércio. Mesmo que pouco, se comparado às Copas anteriores, as lojas estão preparando preços especiais e com diversos produtos temáticos com as cores do país no estoque.

Segundo pesquisa divulgada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), 48,5% dos lojistas da capital estão esperando um retorno positivo nos negócios com a Copa do Mundo.

Dentre eles, 53,4% estimam que as vendas irão crescer no período dos jogos. Enquanto que 51,5% não esperam retorno, as principais justificativas apresentadas pelos comerciantes foi a de que o número de pessoas procurando por produtos está reduzido (29,1%) e de que o evento não tem impacto nas vendas (25,2%).

O gerente da loja Pague Pouco, Vander Augusto, está vivendo essa realidade. A loja, que tem mais de 20 anos na rua Caetés, 496, está com diversos produtos temáticos. Mas segundo ele, a maioria faz parte do estoque da Copa do Mundo de 2014. “O patrão investiu muito na última Copa, por isso deu pra reaproveitar”, explica Vander.

Segundo o vendedor, a expectativa é melhorar as vendas, já que desde a última sexta-feira (8), a animação do torcedor aparenta ter voltado. “Em um fim de semana, vendemos mais de 100 bandeiras e diversos outros produtos. Os torcedores aparentam estar desanimados, mas, é Brasil, né?! Quando a Copa começar, o ânimo volta”, aposta.

Maria Eduarda Faria/Bhaz

Na contramão

Já no shopping Oiapoque, um dos maiores centros de comércio popular da capital, a expectativa é maior. A todo o momento, é possível ver torcedores comprando camisas e lojas com produtos.

A que mais chama atenção é o Box 605. Todo o local está com produtos do Brasil e lotado de clientes. Segundo o proprietário, Fábio Vieira, o investimento na Copa do Mundo é tradição familiar. “Desde 1982, minha família investe em produtos para a Copa. Ao longo do ano nós vendemos bolsas e mochilas, mas, em época de mundial, apostamos somente produtos do Brasil”, conta.

Lojista apostou na estratégia de encher a loja de produtos da seleção

Ainda segundo ele, a aposta tem dado resultado. “Estamos com a loja preparada para a Copa nas últimas duas semanas. As vendas estão aumentando conforme o evento esportivo se aproxima, com isso, a expectativa é ficar até o último jogo com a loja voltada somente para produtos da seleção”, diz.

Questionado sobre a empolgação do público, Fábio afirma que ainda há desânimo, mas surpreende. “O movimento está, na verdade, melhor do que a Copa passada. Até porque, somente nós, investimos nos produtos, acho que, por isso, estamos vendendo mais”, explica.

Compras

O tíquete médio, que é o valor gasto pelos clientes, esperado pelos comerciantes da capital é de R$ 87,90.  Entretanto, diversos compradores estão fugindo dos centros comercias e optando por produtos populares, como a Raquel de Souza, que estava pesquisando preços no Oiapoque. A média de preços no shopping popular é de R$ 20,00 a camisa mais barata e outros produtos que chegam a até R$ 85,00.

Segundo ela, a ideia é comprar camisas para toda a família só para não passar em branco. “Ainda estamos um pouco desacreditados depois do que aconteceu na última Copa, mas não podemos deixar de torcer”, explica.

Raquel estava pesquisando preços e achou o produto desejado

Contratação temporária

Ainda segundo a pesquisa, quando questionados sobre a contratação de funcionários, apenas 3,4% dos comerciantes afirmaram que irão aumentar o quadro de empregados da empresa para o evento esportivo.  O restante (96,6%), não vai vai ter alteração. Entre eles (76,6%), consideram que a equipe atual já atende a demanda para a ocasião.

Em contrapartida, o proprietário do Box 605, especializado em vendas para a Copa, citado acima, disse que precisou de 17 ajudantes no último fim de semana para conseguir atender as vendas.

Rafael D'Oliveira

Jornalista e redator do portal Bhaz