Homem se passa por gay em app de paquera para realizar ataque homofóbico em BH

Ataque aconteceu na região da rua Padre Pedro Pinto, em Venda Nova (Reprodução/GoogleStreetView)

Um estudante de 19 anos sofreu, na terça-feira (23), uma tentativa de ataque homofóbico na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Segundo a vítima, o autor se passou por gay em um aplicativo de paqueras para encontrá-lo e tentar consumar o ataque, que seria realizado com uma arma de fogo; entretanto, o estudante conseguiu fugir. O caso foi registrado hoje na Polícia Civil.

Por questões de segurança, o jovem preferiu não se identificar. Ele conta que iniciou a conversa com o autor do crime por meio de um aplicativo de paqueras para gays, o Grindr. Eles conversaram de sábado até terça, trocaram fotos e informações pessoais para, em seguida, marcarem um encontro.

“Conversamos por quatro dias e ele me chamou para encontrar num lugar próximo a minha casa. Quando cheguei, ele me mostrou a arma, falou que eu tinha cinco segundos para correr. Ele deveria achar que eu ia correr para minha casa e assim ele conseguiria atirar, mas eu corri para a área comercial que tem ali e consegui me salvar”, relata ao Bhaz.

Após entrar em um estabelecimento comercial, o jovem contou que recebeu uma mensagem do autor no aplicativo. “Quando eu peguei o celular, vi a notificação e era uma mensagem falando ‘surpresa, Bolsonaro 17’, que ele me acertaria e que seria ‘um viado a menos’. Em seguida, ele me bloqueou”, completa.

A vítima relata que, durante a conversa, o homem evitava se identificar. “Não falava direito onde morava, só falava que era próximo. Não falava direito se trabalhava e as fotos não mostravam muito bem o rosto, o celular ficava na frente”, conta. Pelo fato de o encontro ter sido muito rápido, o jovem não conseguiu ver se a pessoa que encontrou era a mesma das fotos.

“Ele é branco, com rosto mais redondo, barba completa, cabelo liso curtinho. Nas fotos eu reparei uma tatuagem no braço, uma frase com uma cruz, mas pessoalmente eu não consegui ver porque ele usava uma blusa branca de manga comprida”, descreve.

Denúncia

A vítima foi até a delegacia nesta quarta-feira (24) para oficializar a denúncia na Polícia Militar. “Os policiais falaram que vão abrir o inquérito. Estamos mobilizados para conseguir mais informações, se aconteceu casos semelhantes, para tentar identificar o autor. Alguns amigos já baixaram o app para tentar falar com ele, mas ele vem restringindo as informações”, salienta.

Movimentos sociais e representações parlamentares em prol dos Direitos Humanos estão se mobilizando para que investigar e prevenir esse tipo de ataque. “Esse processo eleitoral tem trazido ainda mais manifestações de ódio e de violência que ferem a integridade de pessoas LGBTs. A gente vê uma onda de ataques horríveis, em todos os lugares do Brasil. Em grande parte das vezes, atreladas a uma defesa da candidatura de Jair Bolsonaro”, comenta Gustavo Ribeiro, ativista do movimento social Frente Autônoma LGBT.

De acordo com levantamento da Agência Pública, divulgado no início deste mês, já foram cerca de 50 ataques realizados por apoiadores do presidenciável do PSL Brasil afora – alguns deles de natureza LGBTfóbica. Na sondagem, foram registrados dois ataques contra pessoas transexuais em Belo Horizonte. Com relação a esse tipo de violência, Bolsonaro alegou “não ter controle de seus apoiadores” e afirmou recusar votos de pessoas que tomem esse tipo de atitude.

No último dia 10, inclusive, o app de paqueras para gays Grindr passou a emitir um alerta para seus usuários “tomem as medidas necessárias para manterem-se em segurança” durante as eleições. Em caso de ataques, contacte imediatamente algum desses telefones: 100 (Disque Direitos Humanos), 181 (Disque Denúncia) ou 190 (Polícia Militar).

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Rodrigo Salgado

Repórter do Portal Bhaz.