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Fundação João Pinheiro suspende aulas e aciona Ministério Público contra Bolsonaro

Estudantes da Fundação João Pinheiro, do governo de Minas Gerais, tiveram aulas canceladas nesta terça-feira (30) depois que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) apareceu em um vídeo citando nomes de nove professores da instituição. Nas imagens, ele questiona os métodos de lecionar dos docentes e os acusa de doutrinação.

O vídeo foi publicado no YouTube nessa segunda-feira (29). No entanto, é provável que tenha sido gravado antes da eleição de Bolsonaro, já que o mesmo aparece menos debilitado e em frente a um restaurante, semelhante ao da Câmara dos Deputados. O capitão reformado ainda aparece com uma camisa branca, peça que parou de usar desde que começou a portar a bolsa de colostomia. Ele usa o dispositivo desde que foi esfaqueado em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, em 6 de setembro.

“Se nós vivêssemos no regime que vocês defendem, você não estaria vendo essa mensagem nesse aparelho maravilhoso que não é fabricado na Coréia do Norte e nem em Cuba. Caiam na real, parem de se enganar a si mesmos”, diz Bolsonaro em um trecho do vídeo. “Agindo dessa maneira, você não só vai ser mais respeitado na escola – não estou dizendo que são desrespeitados não –, bem como nós podemos trabalhar por um Brasil melhor”, continua. “Pode não concordar comigo, mas na maioria das coisas eu sou muito melhor do que aquilo que vocês dizem aqui. É só ver os exemplos de países que pregam a ideologia que vocês ensinam aí na escola. Um abraço a vocês e acredito na recuperação de vocês”, completa.

Fundação João Pinheiro repudia vídeo e aciona Ministério Público

Procurada pelo Bhaz, a Fundação João Pinheiro confirmou, por meio de sua assessoria, que as aulas foram suspensas e que os professores citados realmente fazem parte do time de docentes da instituição. Por meio de nota, a instituição manifestou repúdio sobre o vídeo e explica que uma ocorrência foi registrada junto ao Ministério Público, que irá apurar o caso.

“A Fundação João Pinheiro não pode aceitar que manifestações de intransigência se voltem contra os seus servidores de maneira desrespeitosa à liberdade de expressão garantida pela Contituição cidadã de 1988”, disse trecho da nota. Confira na íntegra:

Fundação João Pinheiro/Reprodução

Diretório Acadêmico diz que não reconhece nenhum tipo de doutrinação

O Diretório Acadêmico da Fundação João Pinheiro também se manifestou por meio de nota. O órgão estudantil disse que não reconhece “nenhum tipo de doutrinação ou imposição de pensamento por parte do corpo docente da Fundação João Pinheiro”. Além disso, o diretório explica que preza “pela liberdade de expressão e por um espaço no qual o diferente seja sempre aceito e respeitado e nos esforçamos todos os dias para que isso seja possível”.

Vitor Fernandes

Vitor Fernandes

Jornalista e redator no Portal Bhaz

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