Home Notícias BH Mesmo sem mar, Belo Horizonte ganha sede de capitania fluvial da Marinha

Mesmo sem mar, Belo Horizonte ganha sede de capitania fluvial da Marinha

O belo-horizontino mais atento, que transita com alguma frequência pela avenida Raja Gabaglia, se deparou com uma novidade no mínimo instigante: uma unidade da Marinha, novinha, na conhecida via da capital mineira. Apesar do curioso letreiro – afinal, Minas está bem longe do mar – já identificar a nova construção há alguns dias, a estrutura foi inaugurada nesta quarta-feira (5). Trata-se da Capitania Fluvial de Minas Gerais (CFMG).

Mas, afinal, quais serviços serão prestados em Minas Gerais, sendo que o Estado não tem mar? Quais são essas demandas de serviços náuticos em todo o Estado? Para esclarecer, o BHAZ conversou com o capitão de Mar e Guerra, Nicácio Satiro de Araújo, novo comandante da Capitania dos Portos de Minas Gerais. “Agora, o mineiro não precisa ir a outro Estado para resolver problemas que dizem à Marinha”, diz.

Além de executar atividades inerentes à Segurança do Tráfego Aquaviário (STA), ao Ensino Profissional Marítimo (EPM) e à prevenção da poluição hídrica; a CFMG também promoverá, quando determinado, atividades atinentes ao Serviço Militar e apoiará o pessoal militar da Marinha e seus dependentes quanto a pagamento, saúde, e assistência social.

“Minas tem muitas bacias hidrográficas, que é o que chamamos de águas interiores. São rios que têm uma importância estratégica para o Brasil, para o Estado e para a Marinha, por conta de seu potencial hidrográfico. Por exemplo, os rios São Francisco e Rio Doce, que deságuam no mar”, explica o comandante.

Minas Gerais é um Estado que possui três principais bacias hidrográficas: São Francisco, do Paraná e a do Leste. Diversas cidades possuem reservatórios de águas, cujas dimensões permitem a prática de navegação de esporte e recreio. Além disso, a 300 km da capital está localizado o circuito Lago das Gerais, que é bastante procurado para a prática de turismo de pesca e esportes náuticos.

Escolha por BH

Segundo o comandante, Belo Horizonte foi escolhida para receber a sede da CFMG por conta da importância da cidade no Estado e por ser capital. “Nós estamos próximos de órgãos federais, estaduais e municipais”, explica.

Questionado se a chegada do órgão a Minas pode trazer desenvolvimento para o setor de transporte fluvial, Nicácio é otimista. “Claro que existem outros fatores que influenciam nisto, mas nós vamos buscar parcerias para estimular esse meio de transporte. Vamos trabalhar na regularização, segurança de tráfego e, principalmente, na produção de mão de obra qualificada”, ressalta.

Pimentel comemora

Quem esteve presente na cerimônia de ativação da unidade foi o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Ele destacou a importância da presença da capitania no Estado. “É uma realização muito importante para Minas Gerais. Nós já tínhamos uma capitania na região do São Francisco, em Pirapora, mas esta é uma capitania que vai abranger o Estado inteiro. E Minas tem uma atividade fluvial, de navegação muito grande, não só de pesca, mas também de lazer”, afirmou.

Além disso, Pimentel aposta que o órgão poderá trazer benefícios para Minas. “Então é muito importante que a gente tenha uma presença mais ativa como estamos tendo agora da Marinha brasileira, além da admiração histórica e tradicional pela Marinha. Então estamos muito felizes, muito gratos à Marinha brasileira por essa iniciativa, acho que nós vamos ter ao longo do tempo uma convivência muito produtiva e proveitosa entre os órgãos estaduais e a Marinha do Brasil”, disse o atual governador.

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