Home Variedades Festa de diretora da Vogue Brasil é alvo de críticas por decoração e trajes apontados como escravistas

Festa de diretora da Vogue Brasil é alvo de críticas por decoração e trajes apontados como escravistas

Donata Meirelles, diretora da Vogue Brasil, se tornou alvo de críticas neste sábado (9) após fotos da sua festa aniversário de 50 anos viralizarem nas redes sociais. A comemoração, que reuniu famosos como Caetano Veloso, Regina Casé e Margareth Menezes, aconteceu na noite de sexta-feira (8) no Palácio da Aclamação, em Salvador (BA). Os trajes usados por mulheres negras que trabalhavam no evento, além da decoração composta por guarda-sóis rendados, tronos e móveis antigos, levantaram especulações de que o cenário da celebração tivesse sido inspirado no período escravocrata no Brasil. A executiva afirma que a festa não era temática e apenas tinha referências a tradições baianas.

As fotos compartilhadas nas redes mostram os convidados sendo recepcionados por mulheres negras vestidas de branco em um cenário que parece ser de época. Muitos dos protagonistas das imagens aparecem sentados em cadeiras parecidas com tronos ao lado das integrantes da equipe contratada para ficar na entrada da festa.

Em seu perfil no Facebook, a cantora Preta Rara criticou a festa. “A branquitude ama vivenciar o ranço da escravidão, pq a final de contas eles gostariam que ela não tivesse acabado mas será que acabou?”, postou. Confira a publicação:

Seguidores da artista ainda destacaram o fato de quase todos os convidados fotografados serem brancos, mesmo se tratando de uma festa realizada na Bahia, estado composto por maioria negra. “Só gente negra fazendo parte da decoração e convidados 99% brancos”, pontuou uma jovem.

Donata explica cenário da festa e pede desculpas

Na tarde deste sábado (9), Donata, que também é esposa do publicitário baiano Nizan Guanaes, recorreu ao Instagram para falar sobre a polêmica. Ela reforçou que festa não era temática e as mulheres não estavam com roupas de mucama. “Nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente desse, peço desculpas”, postou.

O fato de muitos estarem de branco foi explicado por Donata: “Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição”.

“Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir”, concluiu a executiva no texto.

 

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Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir.

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Famosos demonstram apoio a executiva

Convidados postaram fotos no Instagram enaltecendo a festa de aniversário e saíram em defesa da socialite. “Que honra sentar num trono que me remeteu ao de um rei africano ou de um babalorixá. A festa não tinha tema algum, mas existia sim um clima de exaltação à Bahia. As protagonistas da foto, com certeza, são as BAIANAS. Entendo e respeito todas as opiniões”, postou Thomaz Azulay.

A atriz e apresentadora Regina Casé também esteve na festa e, em suas redes sociais, publicou uma foto dizendo que “festa dia de sexta na Bahia é assim: tudo branco, toda a prata”.

 

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O único privilégio que senti nesse momento foi o de receber o Asè dessas mulheres incríveis, negras, baianas, patrimônios vivos da história do Brasil, da África e também da diáspora africana. Estar na Bahia é viver a herança dessa diáspora, capítulo tão triste na nossa história. E ao mesmo tempo celebrar a beleza, a sabedoria, a cultura e a FORÇA desse povo. Que honra sentar num trono que me remeteu ao de um rei africano ou de um babalorixá. Eu acredito no radicalismo como força motora de mudança do mundo, mas temos que ter muita cautela ao apontar o dedo na cara das pessoas. A festa não tinha tema algum, mas existia sim um clima de exaltação à Bahia. As protagonistas da foto, com certeza, são as BAIANAS. Entendo e respeito todas as opiniões.

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A própria publicação de Donata explicando o cenário da festa se tornou palco de debate. Famosos como Preta Gil e Sabrina Sato, que comentaram apenas que amam a executiva, viraram alvo de críticas. Muitos internautas se posicionaram contra as escolhas de aniversariante, consideradas, no mínimo, caricatas. “Você pode substituir o candomblé como decoração de festa por uma matéria na revista que você trabalha ajudando contra a intolerância religiosa, por exemplo”, sugeriu uma seguidora. “Engraçado que todo mundo que diz: ‘Parabéns, Dodô! Festa linda. O munto tá chato, é muito mimimi’, é branco, né!? Nunca vão saber o estigma que a pele negra carrega. #RacistasNãoPassarão”, observa outra jovem.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Jornalista no Portal Bhaz

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