Home Notícias BH Manuelzão: Obras anunciadas pela PBH não vão resolver problemas da Vilarinho: ‘Transferir problemas para frente’

Manuelzão: Obras anunciadas pela PBH não vão resolver problemas da Vilarinho: ‘Transferir problemas para frente’

O projeto apresentado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para conter as enchentes na região da avenida Vilarinho, em Venda Nova, não será suficiente para acabar com o problema. A afirmação foi levantada na manhã desta segunda-feira (11) durante reunião do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça com representantes da região de Venda Nova.

A proposta (relembre aqui) foi apresentada pela gestão municipal após uma enchente que matou quatro pessoas em novembro do ano passado na avenida Vilarinho (relembre aqui). O plano prevê o investimento de R$ 300 milhões em obras, a construção de dois túneis, um canal de macrodrenagem e outras intervenções.

Segundo o presidente do Fórum Mineiro de Bacias Hidrográficas e coordenador do projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano, a proposta da PBH é “faraônica” e foi feita sem diálogo com a sociedade.

“Escolheram a dinâmica errada. Esse projeto é mais do mesmo. Aquela região não pode ter mais nenhum córrego canalizado pois corre o risco de transferir problemas para frente, aumentando o volume de água jogado no Isidoro e no Ribeiro de Abreu, onde já existem problemas com alagamento”, diz Polignano.

Proposta da prefeitura de intervenção na avenida Vilarinho (Divulgação/PBH)

Ainda de acordo com o especialista, existem outras obras na região que podem ajudar a minimizar os efeitos causados pela água na Vilarinho. “São cerca de 40 obras já sinalizadas que mostram a possibilidade de gastar algo em torno de R$ 73 milhões que podem amenizar impacto das águas na região. A prefeitura precisa entender que a Vilarinho é consequência de um problema maior dentro de uma bacia de aproximadamente 20 quilômetros quadrados”, afirma.

Cobrança por diálogo

A cobrança do comitê é de que a prefeitura não licite a obra e abra uma discussão pública com os órgãos.  “Existem outras soluções. Esperamos o bom senso da prefeitura para que não haja licitação desta obra sem debate. Vamos encaminhar a proposta para a Câmara Municipal e aguardar”, afirma Polignano.

Quem também cobrou por diálogo foi o representante dos moradores da região de Venda Nova, Paulo Barzel. “Falta comunicação. Nós não sabemos o que vai ser feito na região, as famílias que moram em áreas de risco estão preocupadas. Se continuar assim, sem diálogo, nós vamos fazer uma manifestação”, diz Paulo.

Bacias de contenção

Em dezembro, após as mortes na Vilarinho, o BHAZ fez um levantamento sobre as bacias de contenção de enchentes da Vilarinho, que não estavam acumulando o volume de água necessário para evitar tragédias na região.

Bacia de contenção da avenida Liége (Henrique Coelho/BHAZ)

Na época, o geógrafo e pesquisador, Alessandro Borsagli, autor do livro “Rios invisíveis da metrópole mineira”, adiantou que a prefeitura iria propor o aumento da galeria que aporta o Córrego Vilarinho, mas que isso não deveria resolver o problema da região, que há anos registra enchentes.

“As obras que a PBH deve propor vai jogar o problema para frente, levando as enchentes para a região do Isidoro, Xodó Marize, Granja Werneck e outros bairros à frente do local. A solução para problemas como o da Vilarinho leva mais de uma gestão para ser resolvido, algo em torno de cinco a dez anos. Mas, infelizmente, em Belo Horizonte água é usada para fazer política, um plano de seis meses não vai solucionar um problema que se arrasta há anos”, afirmou Borsagli na época.

Para a elaboração da contraproposta da prefeitura, Marcus Polignano visitou as bacias da região e registrou problemas que comprometem o funcionamento do sistema. “As bacias estão abandonadas e viraram um depósito de lixo e esgoto. Além disso, há gambiarras e o sistema de contenção da avenida Liége tem um sistema hidráulico manual. É um absurdo isso. É preciso estabelecer um estudo para acompanhar e resolver a situação da Vilarinho, não adianta vir com soluções mágicas para problemas complexos”, diz.

Prefeitura

Por meio de nota (confira na íntegra abaixo), a prefeitura, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), disse que elaborou estudos na região para viabilizar o projeto apresentado. Além disso, a PBH disse que deve realizar uma audiência pública.

“Está em andamento o edital para contratação dos estudos ambientais necessários para o licenciamento do empreendimento, identificando impactos e medidas mitigadoras.  No âmbito ambiental, também será realizada uma audiência pública para a participação da comunidade e interessados em geral”, disse a PBH.

Em relação a obras menores apontadas na região pelo comitê de bacias, a prefeitura disse que “essas intervenções não resolvem os problemas de inundações”.

Nota na íntegra

“A Prefeitura esclarece, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), que para a concepção da solução da obra na Vilarinho foram elaborados estudos hidrológicos e hidráulicos que contemplam as bacias do Nado, Vilarinho e Isidoro, balizando assim a solução proposta (já apresentada em coletiva).

Além disso, está em andamento o edital para contratação dos estudos ambientais necessários para o licenciamento do empreendimento, identificando impactos e medidas mitigadoras.  No âmbito ambiental, também será realizada uma audiência pública para a participação da comunidade e interessados em geral.

A Sudecap já possui estudos das sub-bacias dos córregos Vilarinho e Nado e algumas soluções complementares de grande porte para região também estão em andamento, tais como: obras nos Córregos do Nado – Lareira e Marimbondo (a iniciar em breve), projetos para os Córregos Embira, Joaquim Pereira e Brejo Quaresma. Entretanto, essas intervenções não resolvem os problemas de inundações localizados, principalmente na confluência dos Córregos do Nado e da Vilarinho, o qual a obra prevista pela Sudecap vem minimizar consideravelmente os riscos de inundações neste ponto”.

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