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Carnaval de BH tem maior público da história, mas segurança ainda é fator preocupante

O Carnaval de Belo Horizonte chegou ao fim tendo registrado o maior público na história da folia na capital, com 4,3 milhões de pessoas. Porém, os casos de violência na cidade, com o total de 17 homicídios entre os dias 1 a 10 de março, alertam os órgãos públicos para que medidas mais drásticas sejam tomadas para a folia do próximo ano.

Do lado positivo do Carnaval, destaque para o aumento de 13% no público que curtiu a festa durante os 23 dias de folia e o desejo dos turistas em voltarem para a capital no próximo ano (veja abaixo). No entanto, durante a coletiva onde os dados foram apresentados, algumas questões não foram esclarecidas como, por exemplo, o número de ocorrências registradas por mulheres em decorrência de crimes como estupro e assédio.

A questão da segurança, no entorno da praça da Estação, local onde uma mulher foi morta com sinais de estrangulamento, também foi abordado e a Polícia Militar (PM) questionada sobre a ocorrência de crimes dessa natureza no local.

Participaram da coletiva o prefeito Alexandre Kalil (PHS), que agradeceu a participação de todos e prometeu um “novo recorde de público” para 2020, e os representantes dos órgãos envolvidos na organização do evento.

Balanço do Carnaval 2019 aconteceu no Salão Nobre da PBH (Vitor Fórneas/BHAZ)

Crimes em BH

De acordo com a PM, entre a sexta-feira (1º) de Carnaval e o último domingo (10) foram registrados 17 homicídios consumados em BH, três a menos que na folia passada. As regiões que mais concentraram as ocorrências não foram informadas pela corporação. “O clima de Carnaval impregna na cidade como um todo. Não temos como fazer o recorte específico”, disse o Comandante do Policiamento da Capital, coronel Anderson de Oliveira.

O número apresentado hoje é diferente do informado pelo comandante da PM, coronel Geovane Gomes, que na última quinta-feira (7) disse que tinham sido cometidos 7 homicídios. Ao BHAZ, a PM informou que os dados eram parciais naquela oportunidade, mas que não foram registradas 10 mortes em três dias. “Em um evento da magnitude como o Carnaval e com grande número de pessoas, esse é um dado para ser comemorado”, disse o Comandante do Policiamento da Capital, coronel Anderson de Oliveira.

O balanço da PM aponta que houve uma redução de 41% nos crimes violentos durante o Carnaval, passando de 1.087 em 2018, para 644 neste ano. O esforço de todos os policiais para garantir a segurança das pessoas é apontado pela corporação como o fator que contribuiu para a queda.

O aumento do efetivo na Delegacia de Mulheres da capital fez com que as demandas fossem atendidas de forma mais rápida. Porém, os números de ocorrências registradas não foram informadas pela delegada que representou a Polícia Civil. “Eu não tenho esses dados. Sei que houve aumento do efetivo em todas as delegacias de Plantão para atender o público”, informou.

Apesar das ocorrências, pesquisa da Belotur indica que houve aumento da sensação de segurança das pessoas. Entre os moradores, a média foi de 7,4, enquanto para os turistas 8. 

Praça da Estação

A praça localizada no Centro da capital foi palco de crimes como estupro de uma jovem e o estrangulamento de uma mulher.

O tenente Micael Silva, responsável pelo policiamento na área interna da avenida do Contorno, disse que o fato do local concentrar um número grande de foliões contribui para que casos isolados ocorram. “A praça é um grande centro de convergência de pessoas e neste Carnaval o número foi maior, pois várias cidades da região metropolitana não tiveram eventos. O fluxo maior de pessoas, favorece mais pontos de tensão e consequentemente brigas e ocorrências mais violentas”, disse.

O militar destacou que o uso de álcool e drogas por parte das pessoas é um fator agravante para a prática dos crimes. “Alguns fatos ruins e pontuais aconteceram e foram observados pela PM. Estamos estudando esses casos para que sejam incrementados no processo de segurança do próximo ano”.

Na praça da Estação, os casos aconteceram em sua maioria na parte da noite/madrugada, quando o policiamento é diminuído no local em decorrência da dispersão do público. “Quando a multidão sai, não se justifica o efetivo maciço em um local com fluxo menor de pessoas. Naturalmente um outro fato isolado aconteceu. Apesar do efetivo ter diminuído, houve a presença de militares, porém eles não conseguem estar presentes em todos os lugares”, concluiu.

Foliões desejam voltar

Pesquisa realizada pela Belotur aponta que os turistas que vieram para BH desejam retornar no próximo ano. Dos entrevistados, 88% afirmaram que desejam voltar à capital mineira e que 80% deles tiveram suas expectativas superadas. Os números são comemorados por Gilberto de Castro, presidente da Belotur: “O resultado nos deixa satisfeitos pois a vinda deles gera impacto na cidade, tanto na parte de hotelaria, alimentação, entre outros”.

Durante o período carnavalesco a taxa média de ocupação dos hotéis em BH foi de 66,82%, o que representa um aumento de 9,2%. O gasto médio de cada visitante foi de R$ 718.

A maioria dos turistas vieram do interior de Minas, e dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Distrito Federal.

A avaliação geral do evento, em uma escala de zero a 10, atingiu nota 8,5 dos moradores de BH e 8,8 dos turistas. “O sucesso do Carnaval de BH se dá pela integração do trabalho dos órgãos envolvidos e isso faz toda a diferença”, disse Gilberto.

O que melhorar?

Perguntado sobre quais pontos devem ser aperfeiçoados para o Carnaval de 2020, Gilberto pontuou os banheiros químicos. “Para um evento do porte do Carnaval temos que melhorar os banheiros químicos. Não tenho dúvida que aumentou muito neste ano. Continuamos focados não só neste requisito, mas em outros também e vamos trabalhar em prol de uma melhoria. Esforços não serão medidos e esse é um desafio a ser trabalhado”, disse o novo presidente.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Jornalista no Portal Bhaz

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