Home Notícias Minas Gerais Figurinista tem o carro danificado, é expulsa de delegacia e denuncia agressão policial: ‘Esse é o Brasil que vivemos’

Figurinista tem o carro danificado, é expulsa de delegacia e denuncia agressão policial: ‘Esse é o Brasil que vivemos’

Uma figurinista e DJ de 34 anos foi expulsa de uma delegacia de Curvelo, na região Central de Minas, e impedida de prestar depoimento sobre um acidente no qual se envolveu momentos antes. Ela ainda alega que foi agredida por um policial civil da cidade. A corporação garante que a “grave denúncia” será apurada pela corregedoria.

O caso ocorreu na tarde de sábado (16), quando Tatiana Gaudino Brescia seguia da Bahia em direção a São Paulo na direção de um Renault Sandero. No momento em que passou pela cidade mineira de Curvelo, o veículo da figurinista foi atingido por um Fiat Palio, dirigido, segundo a Polícia Militar, por Jeferson Pereira Rodrigues, de 22 anos.

Houve uma discussão entre os envolvidos na batida e o pai de Jeferson, Edson Pereira Rodrigues, de 50 anos, danificou o capô do Sandero. Ele justificou o ato aos militares afirmando que o objetivo era impedir que Tatiana fugisse. Disse, ainda, que bateu no veículo da figurinista porque ela havia encostado no acostamento e efetuado uma manobra para tentar fazer o retorno em local proibido.

Já a versão da figurinista é bem diferente. “Entrei em uma via que tinha somente uma faixa, estava a 40 km por hora, atrás de mim veio um motorista completamente alcoolizado em alta velocidade tentou me ultrapassar sem haver espaço”, relata. Com o impacto, o eixo da roda de Tatiana foi destruído.

“Colocou nossa vida em risco. Desceu do seu carro e veio para cima violentamente em tom de ameaça, envolvendo e chantageando testemunhas da comunidade para que dissessem que ele não era o condutor e sim seu filho”, afirma a estilista, se referindo a Edson.

A vítima afirma que os ocupantes do outro carro ameaçaram agredi-la, o que a motivou a entrar no carro. Uma passageira de 28 anos que estava no Sandero com a Tatiana foi agarrada e teve o braço machucado por Edson, conforme relato da PM.

Mais transtornos

Na delegacia, Tatiana alega ter ficado 2h esperando para prestar depoimento, fora da unidade policial. “Os infratores estavam dentro da sala do delegado, teoricamente dando a versão deles. Nós não os vimos. Passado esse tempo, o Policial Civil Rodrigo Oliveira Santos nos comunicou (agressivamente) que nós não iríamos prestar depoimento, nem poder fazer corpo delito das agressões e que estávamos liberadas”, conta.

A figurinista diz que pediu, então, para conversar com o delegado e afirma que a autoridade “nunca esteve na delegacia”. “Rodrigo nos empurrou pra fora e passou a corrente na porta, eu fiquei indignada, e entrei exigindo meus direitos. Fui agredida, arrastada por ele e jogada pra fora da delegacia!”, afirma. “Esse é o Brasil que vivemos!!! Mas se depender de mim, isso não vai morrer aqui. Me ajudem a fazer justiça por favor”, finaliza o relato.

No registro policial, não há qualquer menção sobre o teste do etilômetro. Procurada, a Polícia Militar (responsável pelo primeiro atendimento) afirmou que, no boletim, não foi registrada a solicitação das partes para tal.

Já a Polícia Civil diz que os “fatos serão devidamente apurados pelo Núcleo da Corregedoria Geral de Polícia da Delegacia Regional de Polícia Civil em Curvelo”. “[A corporação] reafirma seu compromisso institucional de promover a devida apuração da grave denúncia, pois suas ações e atos sempre são pautados nos princípios da legalidade, moralidade, oficialidade e publicidade”, diz, em trecho da nota (leia na íntegra abaixo).

O BHAZ tentou fazer contato com os ocupantes do Palio, mas não obteve sucesso até esta publicação, que será atualizada assim que a reportagem conseguir falar com os envolvidos.

Nota da Polícia Civil na íntegra:

“Os fatos serão devidamente apurados pelo Núcleo da Corregedoria Geral de Polícia da Delegacia Regional de Polícia Civil em Curvelo.

A Polícia Civil reafirma seu compromisso institucional de promover a devida apuração da grave denúncia, pois suas ações e atos sempre são pautados nos princípios da legalidade, moralidade, oficialidade e publicidade, não coadunando com nenhum tipo de desvio de conduta de seus servidores.

O Delegado de Plantão estava na Delegacia no horário do fato e permaneceu na unidade durante o seu horário de trabalho”.

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