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Cabo da PM é assassinado após seu carro ser alvo de 44 tiros disparados por outros militares

Um cabo da Polícia Militar de 30 anos morreu, na manhã de domingo (14), após o carro onde estava ter sido alvejado por 44 tiros disparados por outros militares. O comando da corporação não revelou quantos tiros atingiram a vítima ao afirmar que espera a investigação da corregedoria, mas confirmou a detenção dos quatro militares responsáveis pelos disparos.

O caso ocorreu na noite de sábado (13) em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A vítima, Clério Silva Resende, era lotada no 35º Batalhão da PM, situado em Santa Luzia, também na Grande BH. Os policiais responsáveis pelos disparos alegam que o cabo desobecedeu seguidas ordens e colocou a vida deles em risco. Conhecidos de Clério ouvidos pelo BHAZ dizem conhecer a índole do policial morto. “Queremos a verdade”, disse um deles, que pediu para ter a identidade preservada.

Ao todo, mais de 10 militares do 18º Batalhão da PM, sediado em Contagem, participaram da ocorrência. Segundo o relato da equipe responsável por registrar a ocorrência, uma primeira viatura foi acionada para o bairro Chácara Novo Horizonte, na cidade da Grande BH, com a denúncia de uma tentativa de invasão a domicílio. Ao chegar no local indicado, a primeira equipe visualizou um veículo Gol ainda com o motor aquecido.

Os militares, então, decidiram fazer uma espécie de tocaia, esperando a possível volta do suspeito ao veículo. “Eles afastaram a viatura e ficaram mais à frente esperando que essa pessoa saísse. Parece que ele [Clério] entra em uma casa e sai, isso também vai ser esclarecido na investigação”, explica ao BHAZ o porta-voz da PM, major Flávio Santiago.

Os militares afirmam ter se apresentado ao cabo, que estava de folga, usando vestimentas escuras. “O abordado olhou para os policiais e adentrou ao veículo; em uma segunda tentativa de abordagem, os militares foram até a parte dianteira do veículo e continuaram a verbalizar para que o suspeito saísse do carro. Neste momento, ele ligou a ignição do carro e com uma forte arrancada jogou o veículo contra os policiais”, relata a equipe no registro da ocorrência.

Um tenente de 32 anos e um cabo de 40 anos, então, efetuaram os primeiros disparos contra Clério – o primeiro atirou uma vez e o segundo, quatro. Clério teria fugido e uma segunda viatura do 18º Batalhão, acionada. A segunda equipe visualizou o Gol, e um integrante de 39 anos saiu da viatura para abordar o suspeito. No entanto, os policiais alegam que Clério desobecedeu a ordem e, para se proteger, o militar atirou 16 vezes contra o perseguido.

Essa mesma equipe conseguiu interceptar o Gol dirigido por Clério novamente e, desta vez, um outro militar de 39 anos atirou 23 vezes. “Ouvi um questionamento perguntando por qual motivo os disparos não foram feitos em direção ao pneu do veículo. A recomendação é, se tem uma ameaça, o disparo é no sentido da ameaça. A utilização da arma, lógico, é em última instância, quando percebo que estou correndo risco e uso esse recurso”, explica Santigo.

O cabo de folga, então, perdeu o controle e bateu o carro em um poste. Foi apenas nesse momento, segundo a ocorrência, que Clério teria se identificado como militar. Ensanguetado, ele foi levado ao Hospital Municipal de Contagem, onde foi operado, mas morreu pouco depois, na manhã de domingo.

Disparos

Segundo o comando da PM, Clério teria ameaçado uma mulher. “Uma testemunha alega que ele estaria ameçando uma mulher porque já teria mantido alguma relação. E que inclusive efetuou disparos para o alto”, afirma o major Santiago. “A versão bate com o que foi apresentado pelas equipes, já que foi encontrado um revólver com ele [Clério] com quatro cartuchos intactos e um deflagrado”, diz o porta-voz.

“Lamentamos o fato, o militar talvez tenha se desesperado ao perceber que cometeu crimes, disparo, ameaças… Então joga o carro e fura dois bloqueios”, completa o major.

O BHAZ tentou falar com o Hospital Municipal de Contagem para apurar com quantas perfurações o cabo chegou à unidade de saúde. No entanto, não obteve sucesso.

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