Home Notícias BH Família de PM morto após carro ser alvo de 44 tiros coloca versão oficial em xeque: ‘Inexplicável’

Família de PM morto após carro ser alvo de 44 tiros coloca versão oficial em xeque: ‘Inexplicável’

A família do policial militar morto após o veículo em que estava ser alvejado por 44 tiros no último fim de semana em Contagem pede justiça e que a “verdade seja esclarecida”. A abordagem dos militares e a quantidade de disparos são os principais pontos questionados pelos familiares de Clério Silva Resende, de 30 anos. Os quatro policiais responsáveis pelos tiros continuam detidos, nesta terça-feira (16), no 18º Batalhão da PM, na mesma cidade da região metropolitana onde o crime ocorreu.

“O sentimento é de revolta, pois meu irmão era uma pessoa muito querida, do bem, supertranquilo e nunca teve confusão com ninguém. É inexplicável o que aconteceu. Queremos investigação”, disse Cléia Silva de Resende, em conversa com o BHAZ.

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Desde o acontecido, a esposa do militar está fazendo uso de medicamentos para dormir e os filhos de 4 e 7 anos perguntam constantemente pelo pai. “No velório, o filho caçula aproximou-se do caixão e, ao ver o Clério, disse: ‘Olha pai, eu estou aqui’. A criança pensou que ele estava dormindo”, relembrou emocionada.

A versão apresentada pela PM de que Clério possivelmente teria ameaçado uma mulher com quem teve um relacionamento é questionada pela irmã da vítima. “O B.O. registrado por essa mulher, que sequer conhecemos, foi às 22h40 e, neste horário, meu irmão estava em Santa Luzia”.

A mulher contou que, no horário citado, o irmão estava conversando com ela e seus pais, pois eles haviam chegado de viagem no sábado. “Somente às 23h30 que ele saiu de casa falando com a esposa que iria levar um amigo em um lugar, mas sem informar onde. É impossível que ele tenha ameaçado a mulher e feito os disparos”, contou.

Procurado, o comando da PM afirmou que, por volta das 22h40, a central recebeu uma chamada de uma mulher dizendo que estava sendo ameaçada dentro de casa por várias pessoas armadas. Uma equipe da polícia foi ao local e nada encontrou.

Pouco depois, no entanto, nova chamada. “Por volta de meia-noite, um solicitante afirmou que uma pessoa armada em um carro estava na porta de sua casa”, afirma ao BHAZ o porta-voz da corporação, major Flávio Santiago. A partir do momento citado, a ocorrência teria, então, se desenrolado conforme verão oficial (relembre aqui).

Outro questionamento levantado pela família do cabo é com relação à ausência de pólvora na mão e na arma de Clério. “O exame de balística apontou que não tinha pólvora. Como que meu irmão deu disparo pro alto como eles falaram?”, questionou.

Questionado sobre detalhes em relação à dinâmica da ocorrência, Santiago afirma aguardar a conclusão das investigações, realizadas pela Corregedoria da PM, cuja previsão inicial é de 30 dias.

Veículo confundido

Cléia acredita que o veículo do irmão foi confundido com o de outra pessoa: Gol preto, rebaixado e com vidros escuros. A mulher, novamente, pergunta o motivo de tantos disparos. “O que aconteceu foi uma crueldade. Meu irmão foi tratado como um bandido. Aliás, nem bandido merece ser tratado assim, pois todos são seres humanos. Nós acreditamos que o carro dele foi confundido”.

A família de Cério é de Santa Luzia e conhecida na região pelo trabalho que desenvolve. “Meu pai é fundador de uma casa espírita e realizamos trabalhos voltados às pessoas carentes há mais de 27 anos. Meu irmão, assim como os outros sete filhos dos meus pais, foram criados com base no princípio da doutrina de nossa fé. Não temos envolvimento com coisas erradas. A verdade aparecerá”, conclui.

A família afirma que, dos 44 tiros efetuados em direção ao veículo, um atingiu o cabo no tórax – a PM não se manifesta sobre esses detalhes ao alegar que espera o fim do inquérito. Ao Hospital Municipal de Contagem a vítima foi encaminhada, passou por cirurgia e morreu na manhã de domingo (12) com hemorragia interna.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Jornalista no Portal Bhaz

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