Home Notícias Política ‘Saímos de um extremo para outro’, diz presidente da AMM sobre governos de Pimentel e Zema

‘Saímos de um extremo para outro’, diz presidente da AMM sobre governos de Pimentel e Zema

“Falta equilíbrio”. Esta é a avaliação do prefeito de Moema e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda (MDB), diante do convívio com os governos de Fernando Pimentel (PT) e de Romeu Zema (Novo).

Para Julvan, Pimentel tinha boa articulação, mas usava isso de maneira indevida. Já Zema, tem boa vontade, mas ainda não tem articulação política.

“É preciso ter realmente um modelo novo de gestão. O que vimos foi muita propaganda de inovação e, eu vejo que a intenção é essa mesmo, mas, sem conhecer como funciona a máquina pública. O Estado é diferente da máquina privada, o modo operandi é diferente. Nós precisamos de um gestor eficiente e que faça uma boa leitura do funcionamento da máquina pública, sem o ‘toma lá, dá cá’ da velha política” afirma.

O prefeito de Moema, cidade da região Centro-Oeste de Minas, conversou com o BHAZ nesta sexta-feira (10). Na entrevista, Julvan, que toma posse para seu segundo mandato à frente da AMM, durante o congresso da associação no Mineirão, fez um balanço de sua gestão e projetou seu futuro.

Além disso, o prefeito comentou também sobre a valorização dos municípios dentro do Pacto Federativo e a crise que afeta a prestação de serviço nas cidades. Confira como foi a conversa:

Julvan, quais foram os principais desafios de sua primeira gestão e o que você projeta para este novo ciclo à frente da AMM?

Em minha primeira gestão, nós enfrentamos dificuldades naturais que um município enfrenta dentro do Pacto Federativo. Essa opressão que existe na concentração de receita no Governo Federal e em detrimento da falta de recurso nos municípios, que tem a maioria da reponsabilidade sob a prestação de serviço. Além disso, enfrentamos o confisco de recursos dos municípios e o descomprometimento do Governo de Minas, que não se contentou em quebrar o estado e começou a quebrar os municípios.

Com isso, foram momentos de grandes embates e luta. Conseguimos construir um acordo judicial para o pagamento dos recursos retidos, ampliamos as ações da AMM e articulamos mais com as prefeituras. Agora, é continuar na luta e apagar o fogo onde os municípios estão sendo oprimidos e mexer na legislação do Estado para mudar a relação federativa, fato que vai gerar efeitos a médio e longo prazo.

À frente da AMM, você realizou negociações com Fernando Pimentel e Romeu Zema. Diante disso, como você avalia cada gestão? Quais são as principais diferença?

O governo passado tinha a facilidade de fazer articulação política, de conversar com a Assembleia e interagir com as instituições organizadas do Estado. Porém, usou isso para fazer o que não devia. A diferença é que o novo governo tá querendo fazer, mas não tem capacidade de articulação política.

Na minha leitura, nós estávamos em um extremo, dentro de um modelo de gestão muito politizado, o que não é ruim, pois nós precisamos de política para resolver as coisas, mas que visava interesses escusos. O povo não quis isso mais e foi em efeito manada para o outro extremo. Hoje, temos um governo técnico, objetivo e que quer resultado, mas não tem capacidade de articulação suficiente.

No ano que vem, termina o seu mandato em Moema. Já tem planos para o futuro? Como você avalia a possibilidade de assumir a presidência do MDB em Minas?

Meus planos são concluir um mandato bem feito, meu foco é esse. Existe essa conversa – de assumir o MDB em Minas -, embora não foi algo colocado por mim, mas sim por pessoas que veem em mim essa possibilidade. Eu gosto de desafio. Se aparecer outras possibilidades, eu estou pronto pra pegar. Mas, não faço meu trabalho pensando em ocupar um lugar. Se houver a possibilidade como resultado do meu trabalho, eu vou dar meu sangue assim como faço aqui na AMM e na prefeitura.

Mas, de 2020, quando termina seu mandato, até 2022, ano da eleição geral, são dois anos. Ficar fora do cenário político não seria ruim?

Não. Eu vou continuar fazendo minhas articulações e me movimentando. O que tiver de ser, será.

Em relação a crise nos municípios, qual a importância de se rediscutir o Pacto Federativo?

A crise já estava difícil, quando o dinheiro saiu do cofre dos municípios e foi pro Estado. A solução está sendo cortar nos serviços prestado e quem sofre com isso é o cidadão, que paga pela ineficiência e irresponsabilidade de outras esferas de governo que prejudicaram o município.

Quando ao pacto federativo, muito se promete durante as campanhas, mas, na realidade nada é feito. A razão disso é que o modelo atual favorece quem está no centro do poder. Eles ficam com o recurso concentrado lá e nós, que estamos na ponta, dependemos deles. Aí, eles oferecem emendas em troca de votos e apoio. Essa política do ‘toma lá, dá cá’ que está inserida dentro da organização legal do país, tem que acabar. É isso que precisamos enfrentar. São mudanças de médio e longo prazo. É preciso redesenhar o modelo do pacto, mas é difícil porque mexe em quem está com a caneta na mão.

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