Home Colunas Razões para ler O Diário de Anne Frank

Razões para ler O Diário de Anne Frank

Se estivesse viva, Anne Frank teria completado 90 anos no dia 12 de junho. Mas quem foi Anne Frank?

A adolescente que morreu durante a Segunda Guerra Mundial se tornou famosa por seu diário, que narra os bastidores do esconderijo judeu no Anexo Secreto, um cômodo nos fundos de uma casa em Amsterdam. Essa foi sua residência por quase três anos, e a jovem alemã escreveu no diário sobre sua rotina, as expectativas dos adultos sobre a guerra, seus problemas com a mãe e as mudanças típicas da adolescência.

Quando as famílias do Anexo Secreto foram descobertas pelos nazistas e levadas aos campos de concentração, cada um dos personagens descritos nas memórias de Anne teve um fim diferente. O único que sobreviveu ao Holocausto foi Otto Frank, pai da menina e responsável por fazer com que seu diário rodasse o mundo.

A leitura desses relatos de guerra é obrigatória para quem quer entender o mundo e, principalmente, evitar a possível repetição de erros antigos. Não podemos baixar a guarda, pois a intolerância e a falta de sensibilidade sempre perseguem quem ainda está vivo.

Essa é a primeira razão para ler O Diário de Anne Frank: não baixar a guarda.

As outras vêm a seguir:

#2 É uma leitura leve

Anne Frank escreve como se soubesse que seria lida por milhões de pessoas. Sua narrativa é, ao mesmo tempo, despretensiosa e cirúrgica.

A adolescente escreveu como uma adolescente que sabia escrever, e isso é o suficiente para atrair qualquer público, principalmente quem não está habituado a ler livros muito longos.

#3 É uma lição de esperança

A adolescente tem problemas com a mãe e com a irmã, adora o pai, zomba da família que divide o Anexo Secreto com os Frank e narra sua paixão por um colega de esconderijo. Flagrantes da vida normal.

Mas Anne também fala sobre sua esperança pelo fim da guerra e seu maior desejo, que é voltar à escola. Mesmo quando desanima, Anne tem, nos estudos, uma razão para seguir em frente e acreditar que, no fim, tudo dará certo.

É um alento compreender que ela não viveu uma vida amarga em um esconderijo, e sim um período de sonhos.

#4 É um relato político

Anne era inteligente e sabia captar o melhor da conversa dos adultos. Por isso, através de sua ótica, temos um relato vívido sobre a situação política da Segunda Guerra Mundial.

Líderes políticos como o ex-presidente americano John Kennedy e o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela destacaram, cada um a seu tempo, a importância de O Diário de Anne Frank no combate ao extremismo político.

#5 É um lembrete para sermos humanos

A menina alemã sucumbiu ao tifo em um campo de concentração, pouco antes de a guerra chegar ao fim. Queria ser jornalista ou escritora, se chegasse à fase adulta. Não teve a chance de desenvolver sua paixão por Peter, seu colega de confinamento, ou formar uma família.

Mas, apesar disso tudo, deixou um legado: o de nos lembrarmos de ser, acima de qualquer outra coisa, seres humanos. É preciso entender a diferença entre as bilhões de pessoas desse planeta, respeitá-la e nutrir nossa responsabilidade quanto aos caminhos a seguir.

A omissão ao próximo é um mal a ser combatido – e essa leitura nos ensina a olhar com mais cuidado para quem está ao nosso redor. No fim do dia, com todas as diferenças, opiniões, crenças, corpos e mentes que temos, queremos todos a mesma coisa.

Nas palavras de Anne, essa coisa é:

“Eu gostaria de ter aquela vida aparentemente descuidada e feliz durante uma tarde, alguns dias, uma semana. No fim da semana, estaria exausta, e agradeceria à primeira pessoa que conversasse comigo sobre algo importante. Quero amigos, não admiradores. Pessoas que me respeitem pelo caráter e pelo que faço, não pelo sorriso encantador. O círculo ao meu redor seria bem menor, mas não importa, desde que fosse composto por gente sincera”.

Não é tão difícil assim. Acho que podemos, pelo menos, tentar. O que você acha?

Pela memória dessa menina que não viveu nem 90 anos, mas que viverá por muitos anos mais.

Lais Menini

Lais Menini

Lais Menini é redatora sênior, com nove anos de experiência na criação de conteúdo para internet. Nas horas vagas, ministra cursos e oficinas de escrita criativa e é blogueirinha de literatura no Literama.

Comentários