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Pesquisa aponta que 50% dos belo-horizontinos aprovariam reeleição de Kalil

Em uma das primeiras pesquisas voltada ao cenário eleitoral municipal do ano que vem, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), estaria em virtual vantagem. De acordo com pesquisa quantitativa da empresa Quaest Consultoria e Pesquisa, 50,9% dos belo-horizontinos avaliam que o trabalho da atual gestão deve continuar, o que pode sugerir apoio à sua reeleição. Outros 27,5% consideram bom o desempenho, mas que necessita de ajustes. Para 18,5%, a atuação é ruim e, por isso, deve mudar.

Até o momento, Kalil não se apresenta como pré-candidato, mas se prepara para o desafio ao trocar o PHS, pelo qual se elegeu, pelo PSD na última sexta-feira (14) e já assumiu o comando regional da legenda. A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 13 de maio de 2019, depois de ouvir mil pessoas residentes em Belo Horizonte, com idade entre 18 e 75 anos. Contratada pela Câmara de Dirigentes Lojistas – CDL Belo Horizonte, a sondagem tem margem de erro máxima estimada de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando os resultados obtidos no total da amostra, e o intervalo de confiança: 95%.

Além disso, Kalil adotou estratégia política à antiga, deixando para fazer um conjunto de obras próximo do final do mandato, coincidindo inaugurações com o processo eleitoral. A previsão é de que ele teria, nesse cenário de crise, algo em torno de R$ 2 bilhões para investir.

Mais aprovado do que Zema e Bolsonaro

Em meio ao cenário de incertezas, instabilidades políticas e econômicas, o prefeito de BH apresentou melhor avaliação, na capital mineira, do que o governador Romeu Zema (Novo) e o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Enquanto Bolsonaro teve 23% de aprovação, Zema alcançou 15% e Kalil obteve 54% de avaliação positiva junto aos belo-horizontinos. Em contraste à avaliação sobre Minas e o país, 45% dos moradores da capital mineira apontam melhorias na cidade e apenas 7% são críticos.

Nessa sondagem, 72% ainda identificaram mais acertos do que erros na administração de Kalil. Tais percepções são mais críticas para Bolsonaro e Zema: 56% afirmam que eles estão errando mais do que acertando em suas ações. Kalil mantém um cenário positivo e homogêneo, apresentando aprovação (superior a 50%) sem variações significativas nos segmentos analisados – sexo, idade renda e vertente política esquerda/direita – sugerindo imagem consolidada fora do eixo da polarização política do país.

Rival também troca de partido

Provável nome na disputa municipal de 2020, o deputado João Vitor Xavier também trocou de partido. Ele deixou o PSDB e filiou-se ao Cidadania, mas não conseguiu, como Kalil, fazer a transferência partidária, em grande estilo, no plenário da Assembleia Legislativa.

Há 15 dias, foi alvo da ira do prefeito Kalil, que teria defendido o afastamento de João Vitor dos microfones da Rádio Itatiaia, onde integra há 19 anos a equipe esportiva. No dia 4 de junho, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais divulgou nota repudiando o gesto de Kalil após eventual crítica do rival. “A lei assegura a João Vítor o exercício da profissão até abril do próximo ano, caso pretenda se candidatar a um novo mandato em 2020. Afastá-lo do seu trabalho, assim como a qualquer jornalista, por criticar a administração pública, configura clara censura à imprensa”, advertiu o Sindicato.

PSDB também quer a PBH

Na última quinta (13), o PSDB de BH aprovou a tese de candidatura própria para a eleição de 2020, além de levantamento de possíveis candidatos também para a Câmara de Vereadores. “Seguindo as diretrizes do presidente nacional do partido, Bruno Araújo, que considera Belo Horizonte uma Capital politicamente estratégica, estamos discutindo internamente quem será nosso candidato à Prefeitura, uma vez que esta é a vontade da maioria de nossos filiados”, reafirmou o presidente estadual tucano, deputado federal Paulo Abi-Ackel. Um dos líderes do partido, o senador Antonio Anastasia pode deixar o partido. O prefeito de BH e novo presidente do PSD mineiro, Alexandre Kalil, disse que pretende filiá-lo no PSD.

País e Minas estagnados

De acordo com a pesquisa da Quaest (acima), cerca de 2/3 dos entrevistados manifestaram preocupação, medo e indignação com a atual realidade política e administrativa do país. Ainda que 31% se coloquem como esperançosos, a maioria afirmou que o Brasil está parado (56%) ou piorando (26%); e menos de 20% observam evolução no país. No pano de fundo, influenciando o pessimismo, está a economia brasileira: 32% acreditam que haverá estagnação e parcela equivalente aposta no agravamento do quadro atual, nos próximos seis meses.

Também é compartilhada por mais de 62% a sensação de estagnação do estado de Minas, assemelhando-se da situação nacional; 16% afirmam que está piorando. Outros 21% discordam, identificando progresso no estado, de modo geral.

 

 

Orion Teixeira

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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