Home Notícias BH Nasce gorilinha no zoo de BH, único na América do Sul que reproduz espécie em cativeiro

Nasce gorilinha no zoo de BH, único na América do Sul que reproduz espécie em cativeiro

O Jardim Zoológico de Belo Horizonte ganhou um novo integrante, que tem menos de um mês e foi apresentado recentemente aos visitantes: um gorilinha (Gorilla gorilla), filho dos gorilas Lou Lou e Leon. Ele ainda não tem nome porque seu sexo é desconhecido pela equipe do zoo.

Depois de ter como estrela principal o gorila Idi Amin por 27 anos – ele morreu em 2012, após uma intervenção veterinária -, esta é a primeira vez, durante muitos anos, que o zoológico da capital tem um importante grupo de gorilas: já são sete integrantes.

O zoo de BH é o único na América do Sul que trabalha com a reprodução em cativeiro da espécie criticamente ameaçada de extinção, inscrita na na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A longevidade dos gorilas é de 35 anos na natureza, e de 50 anos em cativeiro, segundo informações do zoológico. Essa diferença se justifica especialmente por fatores como a destruição dos habitats e a caça predatória. Por serem animais jovens, a expectativa é a de que o grupo na capital mineira possa continuar a se reproduzir em cativeiro e contribuir com a melhoria nas estatísticas sobre a espécie.

Segundo informou ao BHAZ o gerente do Jardim Zoológico de Belo Horizonte, o biólogo Humberto Mello, a situação atual só foi possível graças a conversas no início da década de 2000, entre a instituição e uma fundação inglesa de preservação de grandes primatas.

Morte de Idi, a estrela do zoo

Em 2011, chegaram ao zoológico da capital Kifta e Imbi, duas gorilas oriundas do zoológico Howletts, do Reino Unido, para fazer companhia para Idi Amin, que morreu um ano depois. Eles não procriaram. Logo depois, morreu Kifta. Em 2013, os gorilas macho Leon (nascido em Israel e vindo de Tenerife, Espanha) e a fêmea Lou Lou (também do Reino Unido) chegaram a Belo Horizonte na tentativa de formar um novo grupo de gorilas.

O empréstimo dos animais somente foi possível após a recomendação da Associação Europeia de Zoológicos e Aquários (European Association of Zoos and Aquaria, EAZA, em inglês) e depois da obtenção de licenças junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Ministério da Agricultura.

“O nascimento deste novo gorilinha é o resultado de várias ações que a gente conquistou desde o Idi Amin. Ao longo desses anos, fizemos reforma no recinto dos animais, adequação do programa de reprodução em cativeiro, envolvimento da nossa equipe no propósito e, claro, uma confiança muito grande das instituições de proteção animal no trabalho que desenvolvemos aqui”, conta Mello.

No caso do novo gorilinha, o recinto ficou fechado para observação dos visitantes por 15 dias, para que os biólogos, veterinários e tratadores tivesse a certeza de que o filhotinho estava bem e sendo amamentado pela mãe. “Nesses dias, ficamos só observando o comportamento do grupo, que se envolveu bastante com o filhote”, acrescenta Mello.

Os gorilas, assim como os demais animais do zoológico de BH, passam por uma rotina que envolve alimentação adequada, cuidados veterinários, cuidados com o ambiente e saúde mental.

Cardápio e atrativos

Conforme explica o gerente do Jardim Zoológico, é uma rotina voltada para o bem-estar dos animais. “Estamos sempre observando o comportamento e a qualidade ambiental. No caso dos gorilas, desde manhã cedo, individualmente, eles têm uma dieta alimentar com base em dois tipos de folhas, legumes, poucas frutas, sucos e um bolo de sementes que nossa equipe prepara. Essa alimentação é feita quatro vezes ao dia”, explica.

Como forma de deixar o recinto dos gorilas atraente, há moitas de bambu (cujos brotos, segundo o gerente, eles adoram comer), troncos onde eles brincam e também um cantinho para os momentos de isolamento. “Tentamos deixar o local o mais agradável possível para os animais, que são acompanhados pelo tratador e pelo biólogo pela área de manobra, onde eles têm um contato mais direto com o bicho, sem entrar diretamente no local onde eles ficam. Dali, eles avaliam as condições físicas do animal e do ambiente”, acrescenta.

O Zoo de BH

Criado em Belo Horizonte na década de 1950, o Jardim Zoológico de Belo Horizonte tem hoje cerca de 4,7 mil indivíduos, entre répteis, aves, mamíferos e peixes. A grande maioria, segundo o gerente do zoo, são peixes que integram o Aquário da Bacia do Rio São Francisco; e 920 são os animais dos demais grupos.

Segundo Humberto Mello, os animais exóticos são os preferidos dos visitantes e Luna, uma rinoceronte-branca, que além de criticamente ameaçada de extinção é o animal mais antigo do zoo de BH, com 49 anos, é atualmente a preferida.

Entre os animais ameaçados de extinção em seu habitat natural e presentes no espaço, localizado na Pampulha, estão antas, o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, a harpia e vários papagaios.

“Grande parte dos animais que compõem o plantel de Belo Horizonte advém da parceria que temos com o Ibama, que são resgatados em situação de violência, maus-tratos ou tráfico. Quando não podem ser soltos em seu local de origem, na natureza ou não se adaptam, verificamos a possibilidade e condição de recebê-los”, complementa Mello.

Grupo de Gorilas da FPMZB

LEON
Nascimento: 1998
Quando chegou ao Zoo de BH: 2013
De onde veio: Espanha

IMBI
Nascimento: 2000
Quando chegou ao Zoo de BH: 2011
De onde veio: Reino Unido

LOU LOU
Nascimento: 2004
Quando chegou ao Zoo de BH: 2013
De onde veio: Reino Unido

SAWIDI
Nascimento: 05 de agosto de 2014, no Zoo de BH
Pais: Lou Lou e Leon

JAHARI
Nascimento: 10 de setembro de 2014, no Zoo de BH
Pais: Imbi e Leon

AYO
Nascimento: 8 de maio de 2017, no Zoo de BH
Pais: Imbi e Leon

FILHOTE SEM NOME
Nascimento: 8 de junho de 2019, no Zoo de BH
Pais: Lou Lou e Leon

Comentários