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Por que ler ficção fantástica?

Tenho uma confissão a fazer: tentei ler O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel em 2001 e não consegui passar da página 121. Tinha quinze anos na época. Ou seja, já era pra lá de alfabetizada. Deveria conseguir ler tudo, certo? Mas não foi isso que se sucedeu.

Às vezes, penso que era nova demais para me engajar em uma aventura com tanto senso imaginativo; às vezes, acho que fui incompetente ao relacionar a narrativa entre seus tantos personagens – sim, são muitos –, todos (a meu ver) exaustivamente descritos pelo brilhante, mas paciente, J.R.R. Tolkien.

Contudo, essas cem primeiras páginas foram cruciais para mudar meu modo de ver os livros de ficção fantástica.

Peguei Senhor dos Anéis logo após ler o primeiro volume de Harry Potter e consegui enxergar Frodo, Sam e Gandalf bem antes de vê-los no cinema. Assisti a todos os filmes já produzidos – tanto de Potter quanto de Frodo – a partir das obras de Tolkien e me diverti absurdamente em cada um deles. Para meu deleite, estreou esse ano o filme sobre a vida do autor, que é incrível.

Pra completar, não conseguiria, jamais, assistir a Game of Thrones (que, ops, também não li) ou a qualquer outra adaptação de fantasia sem aquelas primeiras 121 páginas de um anão dos pés peludos tentando se responsabilizar por um anel.

E por que?

Entendo que a obra de Tolkien, mesmo sem ser lida, consegue moldar a imaginação do leitor para a capacidade de se comover com tudo aquilo que não existe. Isso é imprescindível para um amante de ficção, principalmente ficção fantástica.

Em geral, ficções fantásticas são obras inteligentes, perspicazes e curiosas, capazes de levar quem se atreve a finalizá-las a níveis superiores de constatação.

Não basta, portanto, ser leitor: é preciso ser um leitor muito atencioso para tirar o melhor proveito possível desse gênero.

Um mundo de aventuras

A ficção, em qualquer gênero, me faz sair desse mundo real – que, convenhamos, às vezes é bem chato – e flutuar sobre outros mundos, espaços, tempos e possibilidades. Quando ela traz bruxos, magos, dragões, gárgulas e tudo o mais, então, fica ainda mais fácil se desprender da realidade e se entregar a algo completamente novo.

Em resumo, mergulhar na ficção vale a pena em onze a cada dez vezes.

Mas, para se divertir, é preciso saber escolher as leituras.

Eu confessei, por exemplo, que não consegui ler Senhor dos Anéis… mas morro de vontade de tentar. De onde estou sentada, consigo ver toda a coleção na prateleira, com O Silmarillion ainda dentro de um plástico transparente. 

Será que agora já tenho idade, maturidade e aparato teórico o suficiente para conseguir entender todos os personagens, que se entrelaçam em uma teia de conexões que me pareceu impossível decifrar, mesmo na era da hiperconectividade?

Não podemos nos esquecer, no caminho, que o mesmo homem que inventou os hobbits, contextualizou os elfos, deu poderes aos anões e dignificou os homens em busca de poder, fez uma língua inteira, com palavras, fonemas, significados e códigos, que hoje milhares de pessoas se dedicam a estudar.

E, em linhas gerais, fez com que boa parte do mundo quisesse conhecer a Nova Zelândia no século XXI. ;p

Pra terminar, tenho mais uma confissão a fazer: minha vida sem Tolkien, até aqui, foi ótima. Mas algo me diz que, com ele, há chances de ela ser bem mais legal. E isso se estende para muitas outras obras de ficção fantástica.

Aliás, qual você me indica para a próxima leitura?

Lais Menini

Lais Menini

Lais Menini é redatora sênior, com nove anos de experiência na criação de conteúdo para internet. Nas horas vagas, ministra cursos e oficinas de escrita criativa e é blogueirinha de literatura no Literama.

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