Home Notícias BH Mãe e filha são presas acusadas de torturar idosos em asilo na Grande BH: ‘Depósito de gente’

Mãe e filha são presas acusadas de torturar idosos em asilo na Grande BH: ‘Depósito de gente’

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu em flagrante, nessa quinta-feira (25), a proprietária de um asilo e a filha dela por tortura contra os internos, sendo a maioria deles pessoas acamadas e com dificuldades de locomoção. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (26).

A instituição Acolhendo Vidas fica no bairro Barreiro do Amaral, em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, e foi interditada pelo poder público durante ação conjunta com a PCMG.

Segundo a Prefeitura de Santa Luzia, o local funcionava sem autorização do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS).

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil por meio de uma denúncia de maus-tratos, restrição de alimentos e até violência por parte dos cuidadores, na manhã de quinta-feira. No mesmo dia, uma equipe da PCMG esteve no local, numa diligência de emergência, e constatou que, na verdade, os internos estavam sendo torturados.

De acordo com a delegada Bianca Prado, havia internos ‘de castigo’ em seus quartos e privados de alimentação. “Verificamos uma situação não só de maus-tratos, mas muito mais grave: os internos estavam sendo torturados, física e mentalmente; internos em estado de saúde deplorável, alguns se alimentando por sonda, sem nada dentro. O local era totalmente insalubre, com uma fossa transbordando e os idosos e cadeirantes no meio dessa lama de bosta”, relatou.

A delegada acrescentou que, a partir do cenário absurdo, a equipe da PCMG entrou de imediato em contato com a proprietária do asilo Acolhendo Vidas e sua filha, que foram pegas de surpresa, e teriam tratado os policiais com hostilidade.

“Diante disso, demos voz de flagrante e desacato e chamamos a Vigilância Sanitária Municipal, para que o local fosse interditado”, acrescentou a delegada.

Idosos socorridos ao hospital

Procurada pelo BHAZ, a Prefeitura de Santa Luzia (PSL) informou que desde o primeiro momento prestou toda assistência necessária, encaminhando imediatamente duas equipes médicas ao local, que constataram a necessidade de cuidados hospitalares em nove idosos que apresentavam quadro de pneumonia, fratura, desnutrição e relatos de agressão.

Um dos pacientes tinha afundamento de crânio. Todos eles foram encaminhados ao Hospital Municipal Madalena Calixto e estão recebendo cuidados médicos. Também está sendo prestado apoio psicológico a eles.

Questionada se a casa de idosos mantinha algum tipo de convênio com o município, a prefeitura afirmou que não e disse que o espaço é particular. A Vigilância Sanitária Municipal (Visa) já havia notificado o CMAS sobre irregularidades que vinham ocorrendo no espaço.

Donas mudavam abrigo de endereço para burlar fiscalização

“O estabelecimento era conhecido pela prática de mudar de endereço todas as vezes que venciam os prazos estipulados pelo órgão de fiscalização. Em 2017, o Ministério Público encontrou a instituição novamente e acionou a Vigilância Sanitária para que fosse averiguada a condição de funcionamento e exigências legais”, informou a Prefeitura de Santa Luzia.

Na ocasião, a vigilância fez um levantamento das irregularidades e desde então trabalhava com prazos para a instituição cumprir.

Em 10 de julho, uma notificação cautelar da Vigilância deu prazo de 15 dias para que as exigências fossem cumpridas definitivamente. Segundo informou a prefeitura, paralelamente, pacientes vindos da instituição asilar deram entrada no Hospital Madalena Calixto e houve um relato de maus-tratos.

“Diante disso, o médico fez uma denúncia à polícia, que foi até o local abrindo as investigações e solicitando a interdição. Agora, todo o processo segue a cargo da Justiça, estando a Administração Municipal colaborando com o que for necessário para que os idosos sejam assistidos da melhor maneira possível”, acrescentou a administração da cidade.

A delegada Bianca Prado lamentou a situação encontrada e a classificou de calamitosa. “É penoso a gente ver que ainda hoje temos verdadeiros depósitos de gente funcionando”.

Comentários