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Como o acaso determina nossas vidas

Essa semana meu time, o Cruzeiro, perdeu pela enésima vez na temporada e acabou complicando sua situação no único campeonato que teria chances de vencer esse ano. É uma situação complicada, a torcida se chateia, as pessoas cobram… e cobram tanto que medidas devem ser tomadas urgentemente para evitar ainda mais chateação.

Mas essa é uma coluna literária, certo? Então por que estou falando de futebol?

Não, não é só para desabafar sobre a má-fase do meu time, embora qualquer lugar seja um bom lugar para isso. ;p

É porque me lembrei, por conta desse acontecimento, de um livro muito interessante que li em uma fase complicada da minha vida. E não era nem de autoajuda, nem romance, nem exercícios de meditação: era um livro de física.

Para explicar o quão bacana essa experiência foi, volto ao Cruzeiro. Assim que perdeu para o Inter, o técnico Mano Menezes, há três anos à frente do grupo, se desligou da equipe. As redes sociais, os programas de esportes e os blogs se dividiram, como sempre, entre aqueles que adoraram a saída de Mano e aqueles que achavam que ele ainda tinha algo a contribuir.

Essa ocorrência me trouxe uma reflexão: quando um time está em má fase, a torcida e a diretoria costumam ver, na mudança de comando, uma alternativa interessante para que a má fase termine. Certo?

Emocionalmente, é isso aí. Quando mudamos, temos esperança de que algo bom vai acontecer. Contudo, a ciência é uma seara nada emocional e, para ela, essa verdade não se aplica. A física explica a questão a partir do conceito de aleatoriedade:

“Nos esportes, criamos uma cultura na qual, com base em sensações intuitivas de correlação, o êxito ou fracasso de um time é atribuído em grande medida à competência do técnico. Por isso, quando um time fracassa, normalmente o técnico é demitido. A análise matemática das demissões em todos os grandes esportes, no entanto, mostrou que, em média, elas não tiveram nenhum efeito no desempenho da equipe”.

Essa citação é do livro O andar do bêbado – Como o acaso determina nossas vidas, do professor de física Leonard Mlodnow.

A obra apresenta muitos outros exemplos de como o simples acaso pode mudar consideravelmente o rumo de várias trajetórias, seja na carreira, na vida pessoal, na arte, nos esportes…

O andar do bêbado é um ótimo livro para que a gente possa entender qual é a verdadeira função do aleatório em nossa rotina e até que ponto é saudável ter reações emocionais a partir de acontecimentos ao acaso. Ele também é uma boa leitura para quem tem problemas com jogos de azar e para quem quer entender a ciência por trás dos números corretos da loteria.

Embora seja de física, e tenha partes em que o autor se debruça em conceitos e contas um pouco mais complexas, O andar do bêbado é majoritariamente didático e gostoso de ler. E, no fim do dia, a gente acaba aprendendo um pouquinho mais sobre o que não podemos controlar, enxergando a vida de uma forma bem mais leve.

Quer ver a resenha que fiz sobre essa obra? Leia aqui no Literama.

Enquanto isso, te convido a refletir sobre como a ciência percebe nossas escolhas e pergunto: o que você mudaria a partir de uma evidência baseada em números, ou no incrível sistema da aleatoriedade?

Minha resposta: certamente, não o técnico. 😉

Lais Menini

Lais Menini

Lais Menini é redatora sênior, com nove anos de experiência na criação de conteúdo para internet. Nas horas vagas, ministra cursos e oficinas de escrita criativa e é blogueirinha de literatura no Literama.

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