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Presidente da França convoca reunião sobre Amazônia e Bolsonaro reage

O presidente da França, Emannuel Macron, usou o Twitter nesta quinta-feira (22) para convocar países membros do G7 para discutir as queimadas que atingem a Amazônia na cúpula que ocorre neste fim de semana na cidade de Biarritz, no sudoeste do país. Horas depois, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), reagiu à convocação e, entre outras coisas, disse que o francês “instrumentaliza” a questão da Amazônia para “ganhos políticos pessoais”. Ele fez uma publicação sobre o assunto no Instagram.

Na postagem que fez no Twitter, Macron lembrou que a Amazônia produz 20% do oxigênio do planeta. Ele disse que as queimadas que atingem a floresta tratam-se de uma “crise internacional” e utilizou uma imagem do local em chamas. Veja abaixo.

O G7 é um grupo internacional formado pelas sete maiores economias de países desenvolvidos do planeta. Fazem parte dele, além da França, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido. Juntos, eles representam mais de 64% da riqueza líquida global, equivalente a 263 trilhões de dólares.

O presidente francês, no entanto, não foi o único a falar a respeito do assunto. O Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França, Jean-Yves Le Drian, também divulgou uma nota em que afirma que o país europeu está “muito preocupado” com as queimadas na Amazônia. No comunicado, o chanceler ainda destaca que “as florestas tropicais desempenham um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas” e que “a França está muito preocupada com os diversos incêndios de magnitude sem precedentes que vêm afetando a Floresta Amazônica por várias semanas”.

Le Drian lembrou também que “na Amazônia, a França também enfrenta esse risco, com a Guiana (Francesa), e está conduzindo uma cooperação de longo prazo com os países da América do Sul para lidar com isso, particularmente por meio da Agência Francesa de Desenvolvimento e do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento da França”.

A nota ainda afirma que “favorecido por uma seca acentuada pela desflorestação e pela conversão de áreas florestais em terras agrícolas, este episódio afeta vários países da região, com graves consequências para as populações locais e para a biodiversidade”. Por fim, o chanceler ainda lembrou que “o presidente francês tratou dessas questões durante sua reunião em 16 de maio com o cacique Raoni, em Paris, e eu mesmo levantei essas questões com meus interlocutores durante minha visita ao Brasil, em julho”.

Bolsonaro

O tuíte do presidente parece ter incomodado o presidente Bolsonaro. Por meio do Instagram, ele disse que Macron instrumentaliza a questão da Amazônia em troca de “ganhos políticos pessoais”. Também acusou o francês de adotar um “tom sensacionalista” para falar do assunto e disse que a postura “não contribui em nada para a solução do problema”.

Secretário-geral da ONU demonstra preocupação

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou nesta quinta-feira (22), também por meio do Twitter que está “profundamente preocupado” com os incêndios na Floresta Amazônica. “No meio da crise climática global, nós não podemos esperar mais prejuízos à maior fonte de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia deve ser protegida”, disse o secretário-geral.

Força-tarefa

Nesta quinta-feira, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou que a pasta pretende criar a Força-Tarefa da Amazônia, da qual devem participar outros ministérios e entidades do governo e empresas que atuam na região. A informação foi divulgada no mesmo dia em que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou edital no Diário Oficial da União para chamamento público de empresas especializadas no fornecimento diário por imagens de satélites de alta resolução espacial para geração de alertas diários de indícios de desmatamento.

O texto do edital diz ainda que o Ibama vai combater o desmatamento ilegal na Amazônia Legal de forma preventiva ou, no mínimo, contemporânea, para que seja possível interromper a ação criminosa e não permitindo a evolução e consolidação da ocorrência do ilícito.

O documento, assinado pelo diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Alves Borges de Azevedo, diz que a medida justifica-se pela “busca de uma solução viável e operacional para atuação mais eficiente, eficaz, efetiva e com maior celeridade na gestão das ações de fiscalização ambiental no combate ao desmatamento ilegal e exploração florestal seletiva ilegal na região Amazônica”.

Queimadas

Nesta quinta, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que as queimadas na Amazônia são criminosas e que organizações não governamentais (ONGs) podem estar por trás dos incêndios. “Pode ser fazendeiro, pode, todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs”, disse, ao deixar o Palácio da Alvorada ainda pela manhã.

O presidente ressaltou que o governo está investigando o crime, mas que não existem provas de quem está provocando as queimadas. “A Amazônia é maior do que a Europa, como vai combater incêndio criminosos nessa área? E é criminoso, mas você não vai pegar quem está tacando fogo lá, só se for em flagrante”, disse. “É um indício fortíssimo de que são ONGs. Não se tem prova disso, se vocês não pegarem em flagrante quem está queimando e buscar quem mandou”, acrescentou.

Seca e calor

O ministro Ricardo Salles sobrevoou nessa quarta-feira (21) à tarde algumas regiões de Mato Grosso para acompanhar o combate a queimadas no estado. Segundo o ministro, a maior parte dos focos de incêndio está localizada na área urbana. Salles destacou que, dos 10 mil hectares de área que foram queimados, cerca de 3 mil estão localizados na Chapada dos Guimarães.

Segundo o ministro, o governo federal vai apoiar todos os estados que precisarem de reforços federais em função das queimadas. Mais de mil brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio ) estão atuando para conter as chamas em regiões críticas.

Salles destacou que o que ele verificou foi que a maior parte dos focos de incêndio é proposital, em áreas de concentração de lixo, o que é “muito ruim”. “A maior concentração de focos aqui na região está em perímetro urbano, (…) razão pela qual essa concentração de fumaça na cidade.”

Apenas na Chapada dos Guimarães, segundo o ministro, atuam 69 brigadistas do Ibama e mais de 20 membros do Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso. O fogo teria se proliferado muito rapidamente, em apenas um dia, em razão do calor, da baixa umidade e do vento forte, de acordo com o ministro.

Com Agência Brasil

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