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Torcida do Cruzeiro entoa canto homofóbico e, mesmo com proibição, jogo segue

A torcida do Cruzeiro entoou um canto homofóbico no final da partida contra o Vasco, na vitória por 1 a 0, na noite deste domingo (1º). Este foi o primeiro jogo do clube, no Mineirão, após o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) proibir a prática dentro dos estádios de futebol. O BHAZ ouviu a ativista em direitos LGBTs e professora, Duda Salabert, que acredita que o clube tem que ser punido.

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O canto homofóbico foi criado pela torcida organizada Máfia Azul, e é um dos principais usados como forma de insulto ao rival Atlético. A música teve início logo após o sistema de som do Mineirão anunciar o gol do Corinthians contra o Galo, no final do jogo, aos 42 minutos do segundo tempo.

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O árbitro Marcelo Aparecido, substituto do árbitro Héber Roberto Lopes, que passou mal antes da partida começar, deixou o jogo seguir após o canto. O juiz também ignorou o fato na súmula, portanto, contrariando orientação do STJD (relembre aqui).

Súmula da partida (CBF/Reprodução)

“Cachorrada filha da pu**, chupa ro** e dá o c*. Ei, Galo, vai tomar no c*! Ei, Galo, vai tomar no c*! Sou eu, sou eu, sou eu da Máfia Azul sou eu, até morrer!”, foi o canto entoado pelos torcedores. O som era bem forte no setor amarelo, onde a torcida organizada fica.

Vale lembrar que orientação do STJD ocorreu após o STF (Supremo Tribunal Federal) criminalizar a homofobia em junho. Portanto, gritos homofóbicos podem não apenas prejudicar o clube – até com perda de ponto -, como, principalmente, é crime:

  • “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito” em razão da orientação sexual da pessoa poderá ser considerado crime;
  • a pena será de um a três anos, além de multa;
  • se houver divulgação ampla de ato homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena será de dois a cinco anos, além de multa;
  • a aplicação da pena de racismo valerá até o Congresso Nacional aprovar uma lei sobre o tema.

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Respeito à diversidade sexual

Para Duda Salabert, ativista em direitos LGBT, o canto tem um caráter provocativo e xingamentos, podendo ser tratado, sem nenhuma dúvida, como um canto homofóbico. “Ele interpreta o sexo anal e oral em homens como algo ridículo, condenável. Ou seja, essas práticas ligadas ao universo gay são condenadas por esse grito de guerra”, explica.

A ativista acredita que a torcida e o clube devem ser punidos. “Já passou da hora de pararmos de ridicularizar, condenar e demonizar práticas sexuais de grupos LGBTs”.

“Além disso, há de se captar a essência do que foi exigido pelo STJD. A essência da diretriz é que nós devemos respeitar a diversidade sexual e de gênero. Esses gritos que querem demonizar práticas sexuais devem ser punidos”, relata.

Além disso, Duda afirma que “são gritos extremamente violentos que vão contra a cultura de paz que temos que fomentar nos estádios de futebol”. Ela também lembra que o estádio é lugar de todos. “Lembrando que é um espaço também frequentado por famílias, crianças. Gritos como esse são anti-pedagógicos, violentos, homofóbicos, sexistas e que devem ser combatidos”, relata.

Duda vai além, e pondera outras interpretações. “É um grito não só homofóbico. Abre-se espaço de interpretação, também, de ser um grito machista, já que dá a ideia que aquele que é penetrado, é inferior. Ou seja, o gay, por ser penetrado, é inferior socialmente. As mulheres, por serem penetradas, também são inferiores socialmente, prevalecendo a superioridade do homem hétero”, completa.

Campanha contra a homofobia

Atlético e Cruzeiro participam de uma campanha, que envolve todos os times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, contra a homofobia nos estádios de futebol. O movimento aconteceu após, pela primeira vez, um jogo de futebol ser paralisado por conta de cantos homofóbicos. O jogo em questão foi entre São Paulo e Vasco.

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Na postagem, uma carta aberta contra a homofobia. “São absolutamente inaceitáveis práticas discriminatórias ainda existentes em nossos estádios”, diz trecho do texto. Na imagem que acompanha, os clubes lembram que “pior que prejudicar o seu time, é cometer um crime”.

Vitor Fernandes

Vitor Fernandes

Jornalista no Portal BHAZ

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