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‘BH defumada’: Número de incêndios cresce e cheiro de fumaça invade a capital; e a situação pode piorar

Nos últimos dias, o belo-horizontino mais atento percebeu um clima estranho no ar. Cinzento em alguns dias, o céu da capital deixou muita gente em dúvida: a cidade foi coberta por neblina, fuligem, ou a coloração diferente estava relacionada às queimadas que atingiram diferentes regiões do país? Outros, no entanto, não deixaram de notar que Belo Horizonte parece ter sido “defumada”, com um forte cheiro de fumaça pairando por diferentes partes. Você também percebeu?

Existe uma explicação para o fenômeno e as perspectivas não são das melhores. O forte cheiro de fumaça tem a ver com a quantidade de queimadas que atingem Minas Gerais nas últimas semanas. O número já é 60% maior do que no ano passado, em comparação ao mesmo período. E, segundo especialistas, a tendência é de que a situação piore.

No início deste mês, o Brasil atingiu o maior número de focos de queimadas em sete anos. Segundo imagens de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de pontos de incêndios chega a 93.947, uma variação de 62% em relação a 2018. E a região Norte é a que teve o maior número de ocorrências, com 44.660 focos.

Apesar de não estar entre as duas localidades com o maior número de pontos de incêndios, Minas Gerais se destaca pelo aumento de queimadas em comparação com o ano passado. Segundo o Inpe, entre 1º de janeiro e o último dia 3, foram detectados 3.264 focos no estado contra 2.020 no mesmo período de 2018.

Inpe/Reprodução

O monitoramento do instituto, realizado desde 1964, capta apenas imagens de áreas superiores a 30 metros por 1 metro e a partir de 47 graus Celcius. Dessa forma, quando comparado a levantamentos do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), o número tende a ter uma certa discrepância. É que militares podem combater incêndios em áreas que, provavelmente, não são capazes de sensibilizar o satélite.

Ao analisar números absolutos de ocorrências realizadas pela corporação, nota-se um grande aumento em relação ao percentual levantado pelo Inpe. Em Minas Gerais, os militares registraram 11.960 incêndios em vegetação até agosto, ou seja, um aumento de 44,95% em relação a um ano atrás. Já em Belo Horizonte, o número subiu 10,41%, com um total de 997 acidentes.

CBMMG/Divulgação

“A Grande Belo Horizonte é o ponto de Minas em que mais se registram incêndios florestais. A Serra do Rola-Moça é onde mais acontece, devido à extensão, que abrange muitas cidades. São 4 mil hectares”, informou o segundo-tenente Leonan Soares Pereira, comandante do Pelotão de Combate a Incêndios Florestais dos Bombeiros.

A situação tende a piorar

Os pulmões que se preparem. Segundo o tenente Leonan, as queimadas em Belo Horizonte devem aumentar até o final deste ano. “Houve um atraso no período de estiagem, e agora em setembro começa o calor, e aí sim os grandes incêndios começarão”, afirmou.

Além das condições meteorológicas, ele ainda diz que o aumento também pode estar relacionado ao fato de a capital mineira dispor de muitos terrenos baldios, que são alvos de grandes incendiários nessa época do ano. “Algumas áreas de relevante interesse que estamos protegendo, como o Parque Estadual Serra do Rola Moça, a Serra do Curral e a Serra da Moeda são os principais focos”, completou o tenente.

Maria Eduarda Faria/BHAZ/Reprodução

Tempo seco? Cuide de sua saúde

Em recente entrevista ao BHAZ, o médico Rodrigo Luís Barbosa Lima, presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia, recomendou cuidado dobrado com as vias aéreas e o agravamento de casos de doenças respiratórias, que aumentam e pioram com o tempo seco.

“Esse ressecamento dificulta a troca gasosa do organismo; as pessoas ficam mais aglomeradas, o que facilita a disseminação de infecções virais. Com a baixa umidade, o ar fica mais ‘sujo’, com alta concentração de gás carbônico e fuligem no ar, acentuando os problemas respiratórios”, disse.

As recomendações do pneumologista são, entre outras coisas, evitar locais com grande número de pessoas tossindo e espirrando, além de cuidados básicos, como lavar com mais frequência as mãos com água e sabão e/ou álcool gel.

Para tratar a secura da mucosa respiratória, o médico sugere o uso de umidificador de ar e soro fisiológico. “Quem estiver com uma sensação de muita secura no nariz e garganta, deve usar um umidificador de ar no quarto, à noite. Nos casos de resfriados e nariz obstruído, lave as narinas com o soro fisiológico, que é bom para retirar resíduos”, ensinou.

Ajude na prevenção de queimadas

Com a chegada da época mais suscetível a queimadas, devido ao clima seco e às chuvas escassas, todo cuidado é pouco. As queimadas são, juntamente com os desmatamentos, os principais problemas ambientais do país. Por isso sua ajuda é tão importante!

Para ficar ainda mais fácil, confira algumas dicas importantes do Corpo de Bombeiros Militar para realizar a prevenção:

  • Ao trafegar pelas estradas e rodovias, não lance pontas de cigarro pela janela do veículo, pois com a baixa umidade desse período, a vegetação seca se incendeia com muita facilidade.
  • Ao realizar acampamentos, seja bastante cuidadoso na hora de acender fogueiras, velas e lampiões. Só acenda as fogueiras após limpar bem o local, retirando completamente a vegetação em volta.
  • Não jogue lixo por aí. As latas de metal, os cacos e garrafas de vidro podem se aquecer ao sol e acabar dando origem às queimadas.
  • Não solte balões, além de perigoso é crime conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9605/98). O balão pode cair aceso em florestas, residências e indústrias, produzindo grandes prejuízos patrimoniais, ameaça ao nosso meio ambiente e até mesmo colocando a integridade física e a vida das pessoas em risco.
  • Quando for realizar alguma queima controlada para renovo de pastagem ou para limpeza de alguma área, procure antecipadamente o Programa de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais de Minas Gerais (Previncêndio), que é formada pelo Corpo de Bombeiros Militar, Instituto Estadual de Florestas, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Polícia Militar, Polícia Civil, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, Prefeitura Municipal e parceiros privados.

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