Home Notícias BH BH ‘ganha’ praça em homenagem à Marielle Franco: ‘Patrimônio político’

BH ‘ganha’ praça em homenagem à Marielle Franco: ‘Patrimônio político’

A pequena praça localizada no canteiro central da avenida Bernardo Monteiro, no Floresta, na região Central de Belo Horizonte, ganhou uma nova identidade. A área foi batizada popularmente como “Praça Marielle Franco”, em homenagem à vereadora assassinada no ano passado, no Rio de Janeiro.

O batismo da praça foi realizado no dia 10 de agosto, durante evento do movimento “Ocupa Floresta”, grupo que visa ocupar as regiões do bairro. Na ocasião, mais de 50 artistas realizaram apresentações de teatro, música, cordel, blocos de Carnaval etc.

A praça Marielle Franco está localizada em um trecho da avenida Bernardo Monteiro separado da extensão mais conhecida, na região hospitalar pela avenida dos Andradas.

Antes de inaugurar simbolicamente a praça, o grupo batizou o trecho isolado da avenida como “Quarteirão da Cultura”. Agora, o objetivo é transformar o espaço, que já é ocupado por sedes de grupos artísticos, em um grande corredor cultural.

Moisés Santos/BHAZ

A praça foi estabelecida com apoio da Casa Socialista, uma espécie de centro político e cultural, fundado pela Democracia Socialista, uma vertente do Partido dos Trabalhadores (PT), que funciona em frente à praça. Há, ainda, o intuito de revitalizar o espaço.

“Estamos estudando a possibilidade de criar uma horta comunitária e revitalizar o espaço da praça. Para isso, contamos com os moradores, os movimentos sociais e, também, os lavadores de carro que trabalham aqui”, explica a militante do PT e integrante do coletivo Casa Socialista, Stella Gontijo.

Para Kátia Sales, presidente do PSOL em BH, partido de Marielle, a praça em homenagem à vereadora assassinada representa força. “Termos uma praça com seu nome é como ter sua presença forte e potente entre nós. Aquela presença que nos faz continuar a busca por uma sociedade mais igualitária feita pelas e para as maiorias sociais ainda subrepresentadas em todos os espaços”, afirma.

Ainda segundo Kátia, Marielle representa um “patrimônio político para todos os defensores de direitos humanos, para todas as mulheres negras, para todas as mães, as lésbicas, as parlamentares e as socialistas”. “Foi por isso que ela foi covardemente executada”, diz.

Oficialização

Em Belo Horizonte, de acordo com a Lei Orgânica, cabe à Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) ou ao Executivo enviar projetos de lei para a alteração de nomes de ruas, praças etc.

Consultada pelo BHAZ, a CMBH disse que não tramita nenhum pedido de alteração de nome de vias da capital para homenagem à Marielle. A prefeitura de BH também não enviou nenhuma proposta do tipo para a Câmara.

Na gestão de Alexandre Kalil (PSD), nenhum projeto de alteração de nome de logradouro foi enviado à CMBH por parte do Executivo.  

Marielle Franco

Marielle Franco e o motorista Anderson Pedro Gomes foram mortos, em 14 de março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro. Recentemente, a polícia prendeu dois suspeitos de execução do crime. A vereadora e o motorista foram assassinados com vários tiros. Uma pessoa sobreviveu.

Desde então, a vereadora virou símbolo de luta política, inclusive com a criação do termo “Marielle Vive”. Ela recebeu homenagens em todo o Brasil e, inclusive, no exterior.

O Conselho Municipal de Paris declarou, em abril deste ano, a intenção de dar o nome de vereadora assassinada Marielle Franco (PSOL-RJ), a um espaço público na cidade. O anúncio foi feito pela prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo.

Contrariando a corrente de homenagens, em outubro do ano passado, durante o período eleitoral, candidatos do PSL, partido de Jair Bolsonaro, arrancaram placa que homenageava Marielle Franco no Centro do Rio de Janeiro.

Na época, os então candidatos, Rodrigo Amorim e Daniel Silveira, que foram eleitos para o cargo de deputado estadual e federal, respectivamente, quebraram a placa e postaram fotos exaltando o ato. “A morte da vereadora não pode servir como desculpa para depredação do patrimônio público. Por isso que hoje estamos aqui para restaurar o patrimônio”, justificaram na época.

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